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Uma aposta no futuro Brics

No centro do crescimento da economia global, os BRICS oferecem boas oportunidades. A expectativa que a expansão robusta destes países se mantenha, associada aos bons fundamentais das economias, suportam a aposta. Contudo, a curto prazo, a pressão da crise da dívida é um risco real.

Uma aposta no futuro Brics
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 30 de Setembro de 2011 às 08:51
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A expectativa é que em 2050 dominem a economia mundial. Embora ainda longe desse objectivo, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) já têm um papel de relevo. Isso mesmo prova o facto de se terem disponibilizado para participarem numa solução para a crise das economias do chamado mundo desenvolvido. É uma viragem na estrutura do poder mundial. E a expectativa é que sejam os emergentes o motor da economia global.

"Esperamos que as economias emergentes contribuam para perto de 70% do aumento no PIB global em 2011", adiantou Hugo Bain, ao Negócios. Para o responsável pelos mercados emergentes da Pictet, apesar de as avaliações nestes países estarem em níveis historicamente atractivos, a curto prazo, o desempenho está condicionado pela evolução da crise da dívida soberana.

As oportunidades de investimento nestas regiões são "óbvias". Maarten Jan Bakkum, estratega para as acções dos mercados emergentes do ING, destaca os fortes fundamentais em termos económicos, bem como as demografias favoráveis. Porém, o responsável alerta que há um "senão", que os torna "vulneráveis". A maioria destes países são conduzidos pela procura das economias industrializadas, pelo que um abrandamento económico vai pesar no seu balanço.
Para a Pictet, estes riscos são bem reais e a gestora admite que, a curto prazo, há espaço para maiores desvalorizações, criando "uma forte oportunidade de compra".

Neste sentido, Hugo Bain destaca que é necessário algum "alívio" na crise da dívida soberana e nas dúvidas em torno do andamento da economia mundial, antes das acções recuperarem.
Em 2011, as bolsas dos BRICS não escapam às quedas, arrastados pelo sentimento negativo que se abateu sobre os mercados accionistas. Perante esta maior aversão ao risco, os investidores têm privilegiado os chamados activos de refúgio, como o ouro.

Perante este ambiente de desconfiança, os especialistas têm vindo a alertar que os BRICS podem ser parte da solução para esta crise. E, após vários responsáveis terem chamado estes países a participar na reposição da normalidade nos mercados, o conjunto deu uma resposta positiva, abrindo espaço para uma participação activa do "clube".

Os BRICS estão "abertos a considerar, se necessário, fornecer apoio através do FMI ou outras instituições financeiras internacionais", de modo a repor a estabilidade financeira, adiantou o grupo em comunicado.

Oportunidades evidentes, mas com riscos
A opinião dos especialistas é consensual. Apesar do contexto, há boas oportunidades nestes mercados para quem investe a longo prazo. "A industrialização desses países está a acontecer agora, seja pela criação de novas indústrias seja pela deslocalização das existentes", realçou Pedro Borges, director da Orey Financial. Para o responsável, "o motor económico do mundo" deslocou-se para os emergentes.

Neste sentido, é fundamental distinguir realidades e países, de modo a identificar as melhores oportunidades. A China é um dos mercados que recolhe a preferência dos gestores.

"A China e a Índia são mercados atractivos devido às boas perspectivas de crescimento, num mundo em que o crescimento é cada vez mais escasso", sublinha o estratega do ING. Já o responsável pelos mercados emergentes da Pictet mantém a aposta na China. Contudo recomenda evitar o mercado indiano. Em termos sectoriais Hugo Bain elege o consumo discricionário, financeiro e as telecomunicações.

Para Pedro Borges, "todos os sectores no âmbito do sector primário [agricultura e exploração de matérias-primas], bem como o sector financeiro, que o está a financiar, têm enorme potencial de crescimento continuado na próxima década".

Os BRICS, cuja origem remonta a 2003, quando o Goldman Sachs criou a sigla original BRIC, para agrupar um conjunto de países que antecipa que sejam dominantes em 2050. Até lá, deverão continuar no centro do crescimento económico mundial.







Brasil
Oportunidades, mas com ameaças

É actualmente um dos países mais populares entre os mercados emergentes. Mas, é também o mais penalizado. Desde o início do ano, o índice Bovespa desvaloriza mais de 22%, penalizado pela crescente aversão dos investidores ao risco perante sinais de enfraquecimento das economias desenvolvidas.

Para os especialistas, o mercado brasileiro ainda oferece boas oportunidades de investimento. Contudo, há algumas condicionantes na económica do país. O crescimento está a abrandar e a inflação permanece elevada, realça o ING, lembrando que o banco central brasileiro cortou os juros recentemente, justificando a medida com a deterioração da economia. Para o banco de investimento, por tudo isto, o Brasil "é um dos mercados emergentes mais vulneráveis".



Rússia
Acções com forte desconto

Um pouco à semelhança do que acontece com outros mercados emergentes, também a Rússia tem sido arrastada pela turbulência nas bolsas mundiais. Os receios de uma nova crise mundial e o anúncio inesperado de novas medidas de estímulo económico por parte da Reserva Federal dos EUA penalizaram as acções russas. Desde o início do ano, o Micex cai já mais de 17%. Estas fortes perdas colocaram as acções do país a negociar com um forte desconto, com um PER (rácio cotação/lucro) de 5,25 vezes. Entre os BRIC, é o mercado que apresenta um maior diferencial entre a expectativa de resultados e o valor das acções.

Em termos de crescimento, as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para uma subida do PIB de 4,3% este ano e de 4,1% em 2012.



Índia
Inflação centra preocupações

Depois de ter crescido acima dos dois dígitos em 2010 (10,1%), a economia indiana deverá expandir-se 7,8% este ano. Já para 2012, as estimativas do FMI apontam para uma subida do PIB na casa dos 7,5%. Taxas de crescimento bastante elevadas, ainda que inferiores às registadas no ano passado, e que contrastam com crescimentos quase nulos ou mesmo quedas do PIB nas maiores economias do mundo. Ainda assim, a bolsa de Bombaim perde cerca de 20% em 2011, penalizada pelos receios que as subidas dos juros realizadas pelo banco central da Índia para travar a subida da inflação agravem os efeitos da crise do mundo industrializado na economia do país. Em 2012, o índice de preços no consumidor na Índia deverá baixar para os 8,6%, face aos 10,6% antecipados para o final deste ano.



China
PIB cresce abaixo dos 10%

A China tem cada vez mais uma palavra a dizer no andamento da economia mundial. Apesar da expectativa de um crescimento na casa dos 9% em 2012 - o valor mais baixo em 10 anos - o país deverá manter um ritmo de expansão superior à média dos restantes mercados emergentes. A maioria dos especialistas mantém um posicionamento optimista para o mercado chinês, num momento em que se antecipa uma estabilização da inflação. Apesar do abrandamento da economia mundial, o aumento do poder de compra dos chineses poderá ajudar as companhias do país a compensarem a quebra da procura externa. Um factor de preocupação, a médio prazo, diz respeito à dívida, no seguimento de uma mudança em torno dos empréstimos não bancários, realça a Schroders.



África do Sul
O "caloiro" do grupo

É o "caloiro" do grupo. Convidada a integrar o "clube" no passado mês de Dezembro, a África do Sul ainda não é reconhecida por muitos investidores como um BRIC, mas promete dar que falar. Enquanto a maioria das economias do mundo se debatem com um abrandamento, a África do Sul está em pleno desenvolvimento. Após uma expansão de 2,8% no ano passado, o país deverá avançar 3,4% em 2011 e 3,6% em 2012. Em termos bolsistas, a praça de Joanesburgo desce uns meros 5,6% desde Janeiro e acumula um desempenho positivo no último ano. O índice FTSE/JSE valoriza mais de 5% nos últimos 12 meses. Devido ao facto de ser muito recente no grupo dos BRICS, os fundos de investimento disponibilizados em Portugal ainda não incluem a África do Sul nas suas carteiras.


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