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Vai ser um ano bom para as acções

O próximo ano promete ganhos para quem correr riscos, garantem os analistas. A possibilidade de uma recaída da economia é cada vez mais remota e os lucros das empresas vão continuar a crescer. Num cenário em que os preços das acções continuam atractivos para o investimento a longo prazo.

Vai ser um ano bom para as acções
André Veríssimo averissimo@negocios.pt 23 de Dezembro de 2010 às 09:00
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A recuperação económica em marcha nos países desenvolvidos deverá ser confirmada no próximo ano, ajudada pela expansão robusta dos emergentes. Com a inflação controlada, os agentes económicos vão continuar a beneficiar de taxas de juro baixas. Um ambiente propício à valorização das acções e matérias-primas.

As projecções do FMI apontam para que o PIB mundial aumente 4,22% no próximo ano. Embora o ritmo seja ligeiramente inferior a este ano, continua a ser pungente.

Os países emergentes continuarão a ser os principais motores da economia, com taxas de crescimento de 9,6% na China, de 8,37% na Índia, de 4,34% na Rússia e 4,12% no Brasil. Vão todos continuar a beneficiar do aumento da procura interna, das exportações de matérias-primas e do investimento externo. O que significa que o fosso para os países desenvolvidos, já observado este ano, vai manter-se no próximo.

O Bank of America Merrill Lynch assinala que "o lento processo de cura vai continuar a dominar as perspectivas para a economia dos EUA", com o PIB a crescer entre 2% e 5%. A economia japonesa também vai também abrandar. De 2,8% para 1,5% em 2011, segundo o FMI.

A Europa está numa encruzilhada. Se, por um lado, há sinais claros de uma retoma, a crise da dívida pública vai continuar a pesar. O banco americano considera que Portugal vai provavelmente necessitar de um resgate financeiro e admite essa possibilidade também para Espanha.

O Velho Continente vai andar a várias velocidades. O gigante alemão vai manter a evolução positiva - deverá crescer 2% - embora de forma menos fulgurante do que este ano. Grécia e Portugal vão registar uma contracção, enquanto Espanha vai estar praticamente estagnada.

A gestora de activos alemã RCM assinala que a redução dos níveis de dívida dos sectores público e privado vai prosseguir. Ambiente em que as economias tendem a crescer menos.

Mas um dado é certo. À entrada para 2011 há maior confiança numa recuperação do que havia no início de 2009. Embora a ritmos diferentes, a economia vai seguir um caminho positivo. "Os indicadores económicos dos últimos meses indicam claramente que a retoma está intacta e os receios de uma recaída diminuíram", afirma o Barclays Capital no seu "Global Outlook" para o próximo ano.

Procurar o risco
Face a este cenário, a generalidade dos bancos de investimento e gestoras de fundos está optimista para as acções. "A combinação de taxas de juro baixas e níveis de liquidez elevados constitui um bom argumento para que os investidores aumentem a sua exposição", afirma Virginie Maisonneuve, responsável pelos fundos de acções globais da britânica Schroders.

As avaliações das empresas cotadas no mercado continuam também a oferecer um ponto de entrada interessante. Os analistas esperam mais um ano de crescimento das receitas, que conjugado com a diminuição de custos levada a cabo nos últimos anos, vai permitir aumentar as margens de rendibilidade.

Isto significa que os lucros vão continuar a evoluir positivamente, mantendo os mercados accionistas em níveis atractivos. Virginie Maisonneuve acredita que as o valor das acções vai manter-se em cerca de 13 vezes os lucros, um nível historicamente saudável.

Há oportunidades um pouco por todo o mundo. A RCM diz que as cotações estão apelativas na Europa, oferecendo uma boa oportunidade de investimento a longo prazo. Ainda que a crise da dívida permaneça um risco.

Mais unânime é a aposta nos EUA. Os bancos de investimento prevêem uma valorização em redor dos 15% para as acções americanas. A manutenção do pacote fiscal da era Bush e a política monetária expansionista da Reserva Federal criam condições para mais um ano de ganhos.

Correr atrás do crescimento económico também vai continuar a ser uma boa opção, defendida por quase todos os estrategas. E isso significa investir nos mercados emergentes. Se nos países desenvolvidos a inflação deverá manter-se baixa, controlá-la vai ser um desafio nas economias mais dinâmicas. O que pode tonar a viajem mais atribulada para os investidores.

Um dos melhores argumentos para o investimento em activos de risco no próximo ano é o mau desempenho esperado para as obrigações, em especial as de melhor qualidade. A fuga de um activo para o outro será mais pronunciada se surgirem sinais de que os bancos centrais vão subir as taxas de juro mais cedo do que o antecipado.





4 Factores que vão marcar o próximo ano

Num cenário de retoma da economia, a política monetária expansionista deverá continuar a dar suporte às acções. E também às fusões e aquisições. Já a crise da dívida soberana na Europa e as pressões inflacionistas nos mercados emergentes podem provocar alguma volatilidade.


1. Crise da dívida soberana
A possibilidade de mais Estados da Zona Euro terem de recorrer a ajuda financeira externa vai continuar a centrar as atenções dos investidores. Portugal é apontado como o próximo país a ser intervencionado. O que pode aumentar a pressão sobre Espanha. "Ainda que a pressão tenha diminuído na sequência da ajuda à Irlanda e com as indicações de que o BCE vai adiar a normalização da política monetária e manter a compra de obrigações, não acreditamos que esta crise tenha chegado ao fim e esperamos novos episódios de pressão vendedora e volatilidade", afirma o Barclays Capital. Ainda assim não acredita que esta questão ponha em causa a recuperação económica.


2. Política monetária
A política expansionista dos bancos centrais dos países desenvolvidos, mesmo numa altura em que as economias dão sinais mais firmes de recuperação, é um convite para que os investidores assumam mais risco. As taxas de juros deverão permanecer em mínimos históricos durante o ano. Os analistas colocam o primeiro aumento na Zona Euro só no último trimestre, ainda que o BCE deva prosseguir a retirada dos apoios à banca. Nos EUA a questão só se deverá colocar a partir de 2012. O surgimento de pressões inflaccionistas mais para o final do ano poderá, no entanto, trazer alguma volatilidade às acções e às matérias-primas.


3. Inflação nos emergentes
Os países emergentes deram este ano os primeiros passos no sentido de conter a inflação, alimentada pelo crescimento da procura interna e pelo fortíssimo investimento estrangeiro. As pressões para a subida dos preços vão manter-se em 2011, obrigando a novas medidas para a conter. "A política monetária expansionista levada a cabo nos últimos 18 meses pode servir de base para bolhas futuras no preço dos activos. A China, em particular, pode vir a revelar-se como a próxima bolha, se os decisores políticos não forem bem sucedidos na prevenção de um sobreaquecimento", diz a RCM. Nesta eventualidade, as acções dos emergentes e as matérias-primas serão particularmente penalizadas.


4. Fusões e aquisições
2010 marca o primeiro crescimento anual nas fusões e aquisições (F&A) desde 2007. E a crença entre os bancos de investimento e gestores de activos é que o mundo está a entrar num novo ciclo de vários anos de aumento da actividade de consolidação. É essa a convicção do UBS, que divulgou recentemente um documento onde elenca dez boas razões porque é o momento de apostar nas F&A. Uma delas é a melhoria dos resultados e o elevado nível de fundos libertos que as empresas estão a gerar. Outro é a necessidade de algumas empresas "comprarem" crescimento, sobretudo nos países emergentes. Como sempre, as F&A ajudarão a impulsionar as acções.


O que mais subiu em 2010

83,8%
Fundo de acções tailandesas
O Fidelity Thailand Fund é o fundo comercializado em Portugal que mais se valorizou nos últimos 12 meses. A instabilidade política deu lugar a alguma acalmia proporcionando a entrada de investimento estrangeiro, nomeadamente nas acções.


47,4%
Sector automóvel
O automóvel foi o que mais subiu, entre os principais sectores na Europa, impulsionado pela retoma da economia. As acções da BMW lideraram os ganhos, ao valorizarem-se 95%. Também nos EUA, os construtores automóveis registaram um forte valorização.


97%
Algodão
O ano fica marcado pela valorização das matérias-primas. O algodão foi a que mais subiu, galgando para novos recordes. O índice para as "commodities" apreciou-se 13% e os analistas esperam que continue a valorizar-se no próximo ano.


10,9%
Iéne
A moeda japonesa foi a que mais se valorizou contra o dólar devido à política monetária expansionista dos EUA, levando o banco central nipónico a intervir para tentar preservar a competitividade das suas exportações. Foi um dos episódios da "guerra cambial".

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