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Vale a pena subscrever as novas acções?

O anúncio de um aumento de capital de uma empresa de que se é accionista levanta a questão de acompanhar ou não a operação. A decisão depende muito da opinião sobre o valor que a gestão pode vir a criar. Há outros factores a ter em conta, como os dividendos.

Vale a pena subscrever as novas acções?
Negócios negocios@negocios.pt 03 de Março de 2009 às 11:33
Accionistas que fiquem de fora da operação vão diluir posição e receber menos dividendos


Ricardo Salgado | Banco pretende congelar salários dos dirigentes.
O anúncio de um aumento de capital de uma empresa de que se é accionista levanta a questão de acompanhar ou não a operação. A decisão depende muito da opinião sobre o valor que a gestão pode vir a criar. Há outros factores a ter em conta, como os dividendos. O Negócios faz-lhe uma visita guiada à operação do Banco Espírito Santo (BES)

Na quinta-feira passada, a instituição liderada por Ricardo Salgado anunciou que as novas acções do aumento de capital serão vendidas a um preço máximo de três euros. O valor final será definido na assembleia geral de 16 de Março próximo. No mesmo dia será, também, determinado o montante da operação, que tem o limite máximo de 1.200 milhões de euros, sendo este o número mais provável.

Assumindo o preço e o montante máximo, o BES terá de emitir 400 milhões de novas acções para ir buscar 1.200 milhões de euros aos accionistas. Títulos que vão somar-se aos 500 milhões que actualmente representam o capital da instituição, para um total de 900 milhões de acções. A primeira informação prática que interessa ao accionista é a de saber a quantos títulos novos terá direito. Com estes pressupostos, por cada cinco acções detidas fica com o direito a comprar quatro, pelos tais três euros cada uma.

Um dos efeitos de um aumento de capital é a diluição dos lucros e, mais importante para os accionistas, dos dividendos. Partindo da previsão da Bloomberg para a remuneração relativa ao exercício de 2009, de 176 milhões de euros, o dividendo por acção com o número de acções antigas é de 0,35 euros. Com os 900 milhões de títulos cai 44%, para 20 cêntimos. O que significa que um accionista que não acompanhe o aumento de capital vai passar a receber menos em dividendos.

Como acontece nos aumentos de capital, os novos títulos são comprados com desconto face ao valor de mercado. Os três euros representam uma diferença de 35% para a cotação de 4,64 euros do fecho de sexta-feira. Outro efeito que deve ter em conta é o ajuste no preço da acção. No dia em que deixarem de dar direito às novas acções, os títulos antigos perderão valor em bolsa dos. Os direitos podem, depois, ser vendidos em bolsa ou usados para comprar novas acções.

Participar ou não no aumento de capital depende também da crença no projecto para a empresa. "Acredito que o valor do banco é superior àquele a que está a transaccionar em bolsa. Nessa perspectiva, faz sentido para os actuais accionistas acompanhar o aumento de capital para evitar a diluição da sua posição", avançou ao Negócios um analista que preferiu não ser identificado.

Esta operação vai permitir ao banco aliviar a pressão sobre os seus rácios de capital, uma das principais ameaças encontradas pelos analistas que acompanham o título. O banco, que não escapa aos receios que assolam a grande maioria das instituições do sector, tem na sua exposição internacional, nomeadamente em Angola e no Brasil, uma das principais oportunidades. Por outro lado, "apresenta a não-desvantagem de não ter uma exposição muito grande a participações financeiras que lhe causem imparidades, como sucedeu com o BCP e BPI", lembrou o analista.


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