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Viaje ‘low cost’ com a crise - Euro mais forte, destinos inesperados...

A crise abalou a moeda europeia. Mas há países onde o euro se tornou mais valioso, permitindo sonhar com viagens antes incomportáveis. Austrália ou Islândia são agora destinos mais acessíveis.

Ana Filipa Rego arego@negocios.pt 13 de Novembro de 2008 às 13:11
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A crise financeira desencadeou problemas em quase todas as economias do mundo. O seu agravamento levou muitos investidores a venderem acções e obrigações, afastando o investimento. O que ditou uma forte queda nas suas moedas. O euro está entre as mais penalizadas. Mas há países onde o impacto da crise é mais violento, levando a que a divisa europeia tenha ganho poder de compra. O que abre as portas a destinos que, por razões monetárias, pareciam inalcançáveis.

Austrália, África do Sul, Hungria e Islândia são exemplos da países que viram as suas moedas desvalorizar bastante face ao euro.

O caso da Islândia é o mais "gritante". A coroa islandesa perdeu quase 80% desde o início do ano e 34,5% nos últimos dois meses – com o agudizar da crise – face à moeda única europeia. Aquele país, até há pouco tempo considerado uma das economias mais robustas da Europa, começou a demonstrar fragilidades em Setembro, com a ruptura do sistema bancário.

O Governo foi obrigado a intervir, injectando capital nos bancos, o que fez disparar a dívida externa e o seu risco. Foi também forçado a pedir o auxílio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o banco central cortou os juros para os 12%. A conjugação destes factores resultou na desvalorização acentuada da moeda, ameaçando a solvência do país.

Para a travar, pouco tempo depois o banco central da Islândia anunciou um aumento inesperado da taxa de juro de referência para os 18%, numa medida desesperada para conter a crise. Mesmo assim, para os cidadãos da Zona Euro a Islândia é hoje um país muito mais barato.

Crise essa que não passou ao lado da Austrália. No início de Setembro o banco central do país desceu as taxas de juro pela primeira vez desde 2001, para os 7%, à medida que começavam a surgir sinais de abrandamento na economia. Depois, em Outubro, o governo australiano anunciou que garantiria todos os depósitos bancários durante os próximos três anos.

Até à altura da descida da taxa, o dólar australiano era a moeda com pior performance entre as 17 moedas mais activas desde 30 de Junho. E não melhorou substancialmente. Assim, de um país inatingível para muitos – e, de facto, os preços de avião continuam elevados (ver quadros acima) – a Austrália passou a poder surgir nos sonhos mais realistas, se tivermos em conta a desvalorização anual e dos últimos dois meses, relativamente ao euro.

Os mercados emergentes não escaparam à crise, tornando-se assim fortes atractivos turísticos. É o caso da Hungria. Também este país recebeu ajudas do BCE e do FMI, subiu as taxas de juro, numa medida de emergência destinada a "segurar" o forint. Mas conseguiu apenas atenuar a queda da moeda, que perdeu 9,80% nos últimos dois meses face ao euro.

Este país, seriamente afectado pela crise no crédito, deverá entrar em recessão no próximo ano.

Também a África do Sul sofre com a crise e a moeda já desvalorizou mais de 26% (anual) e 11,95% nos últimos dois meses. É mais um destino cujas portas foram abertas pela crise.

Os países onde o euro vale mais




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