Matérias-Primas Em aniversário de imposição de tarifas, produtores de soja demoram tempo a recuperar

Em aniversário de imposição de tarifas, produtores de soja demoram tempo a recuperar

Foi há um ano que entraram em vigor as tarifas alfandegárias impostas pelos EUA sobre produtos chineses. Pequim retaliou na mesma medida e os produtores norte-americanos de soja debatem-se com uma retoma que vai demorar anos.
Em aniversário de imposição de tarifas, produtores de soja demoram tempo a recuperar
Bloomberg
Carla Pedro 06 de julho de 2019 às 13:26

Faz um ano este sábado, 6 de julho, que entraram em vigor as tarifas aduaneiras dos EUA sobre 818 produtos chineses, no valor de 34 mil milhões de dólares.

 

Nesse mesmo dia, Pequim anunciou que iria retaliar. E fê-lo. Um dos produtos mais afectados tem sido a soja.

 

A China impôs também tarifas adicionais de 25% sobre 659 produtos norte-americanos avaliados em 50 mil milhões de dólares. E explicou que as tarifas sobre o equivalente a 34 mil milhões de dólares de produtos americanos (545 itens] entrariam em vigor nesse dia 6 de Julho, adiantando que as tarifas sobre os restantes produtos, até que o valor atingisse os 50 mil milhões de dólares, seriam anunciadas mais tarde.

 

Nos meses que se seguiram, foram-se sucedendo tarifas adicionais, numa guerra que só teve tréguas no G20 de Buenos Aires, quando os presidentes dos dois países acordaram suspender as novas taxas enquanto tentavam chegar a um acordo comercial.

 

Entretanto, já em maio deste ano, as conversações foram interrompidas, com acusações de parte a parte. E numa altura em que as ameaças de novas tarifas regressaram ao horizonte, uma nova reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, desta vez a 29 de junho à margem do G20 de Osaka, voltou a definir tréguas e os dois lados vão regressar à mesa das negociações.

 

Pelo meio, os produtores norte-americanos de soja têm sido bastante atingidos. Os preços da soja recuperaram o terreno perdido desde que a China impôs tarifas sobre produtos agrícolas dos EUA, mas, para os agricultores, a retoma poderá demorar anos, como refere a Bloomberg.

 

Com efeito, embora no mercado de futuros de Chicago os preços da soja já estejam nos níveis de há 12 meses, o facto é que estão ainda bastante abaixo do valor a que negociavam antes de as tensões comerciais EUA-China terem começado a escalar. E os recentes ganhos foram conseguidos muito por causa das chuvas, que afectaram as plantações.

 

Agora, a peste suína na China levou ao abate de milhões de porcos – que comem soja –, o que também está a ensombrar a procura, sublinha a agência noticiosa.

 

"A guerra comercial custou aos agricultores norte-americanos o seu maior cliente, e o setor agrícola tem-se debatido para encontrar outros compradores de dimensão suficiente para preencherem a lacuna deixada pela China. Há volumes recorde de grãos de soja em silos, caixas e sacas por todo o território dos EUA, numa altura em que a América do Sul recupera quota de mercado", acrescenta a Bloomberg.

 

Segundo os números do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos, entre outubro de 2018 e março de 2019, um período que cobre o pico sazonal das exportações norte-americanas de soja, a China importou menos 21,7 milhões de toneladas desta oleaginosa dos EUA face ao mesmo período do ano anterior – e comprou mais 11,5 milhões de toneladas ao Brasil.

 

Confrontados com os elevados custos de exportarem para a China ou de pagarem mais caro o armazenamento, houve agricultores que optaram por deixar apodrecer os seus cereais e oleaginosas.

 

Mas não foi por falta de avisos, tem dito Pequim.

 

Recorde-se que os agricultores norte-americanos cultivaram 36 milhões de hectares de soja no ano passado – a segunda maior de sempre –, contando que a crescente procura da China lhes desse melhores retornos. Mas Pequim aplicou uma tarifa de 25% à importação de soja dos EUA e as coisas complicaram-se.

 

Estes efeitos já eram esperados e Pequim já tinha advertido para as consequências que se fazem sentir do outro lado do Atlântico. Foi com uma curta animação, protagonizada por um grão de soja, que a China tentou, em julho do ano passado, chamar a atenção dos agricultores norte-americanos para as consequências da guerra comercial entre Washington e Pequim.

 

"Olá a todos. Eu sou um grão de soja. Posso não parecer grande coisa, mas sou muito importante". Era assim que arrancava a curta animação de 2:36 minutos feita pelos chineses para mostrar aos agricultores dos EUA que uma guerra comercial entre Washington e Pequim também os penalizaria fortemente.

 

"Claro que todos sabem que sou o ingrediente-chave do tofu e do molho de soja. Mas eu e a minha família também podemos ser transformados em óleo de soja, que tempera as vossas comidas favoritas, como bolos, bolachas e pão", prosseguia o vídeo.

 

O vídeo em inglês, com legendagem em chinês, consistia numa tentativa descomplicada de mostrar aos americanos o quanto as tarifas sobre a soja os poderiam prejudicar. É que, neste "dá e leva" da guerra comercial entre as duas potências, muitos bens norte-americanos ficaram também numa posição desfavorável, como é o caso da soja – maior produto de exportação dos Estados Unidos para a China, no valor de 12 mil milhões de dólares em 2017.




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