Matérias-Primas Encontro em Doha termina sem acordo para congelar a produção de petróleo

Encontro em Doha termina sem acordo para congelar a produção de petróleo

A reunião realizada em Doha, no Qatar, não resultou em qualquer acordo para o congelamento da produção de petróleo. Os produtores precisam de mais tempo para decidir. Poderá haver nova reunião em Junho.
Encontro em Doha termina sem acordo para congelar a produção de petróleo
Bloomberg
Paulo Moutinho 17 de abril de 2016 às 19:09

Doha, no Qatar, foi o palco de uma reunião que tinha um único objectivo: congelar a produção de petróleo na tentativa de reequilibrar o mercado. Mas horas de negociações acabaram por não resultar em nada. Os produtores precisam de mais tempo para tomarem uma decisão sobre este tema, tendo ficado em aberto a possibilidade de haver um novo encontro em Junho.


A Rússia, a Arábia Saudita e outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) estiveram reunidos este domingo, 17 de Abril, para tentar chegar a um acordo para congelar a oferta de petróleo numa altura em que a elevada oferta mantém os preços sob pressão. Mas não houve. Foi isso que revelou, em primeira mão, o ministro do Petróleo da Nigéria, Emmanuel Ibe Kachikwu.


O fracasso na tentativa de chegar a um acordo terá sido o facto de divergências entre os países produtores de petróleo presentes relativamente à necessidade de incluir, ou não, outros produtores no acordo, segundo fonte próxima não identificada citada pela Bloomberg. Por outros produtores entende-se a necessidade de o Irão, que não esteve presente, ter de se juntar a este acordo. O Irão tem vindo a aumentar a oferta, e quer aumentar ainda mais.


Mohammed Al Sada, o ministro do Petróleo do Qatar, deu uma explicação oficial sobre o fracasso. Em conferência de imprensa, disse que os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) necessitam de mais tempo para debater esta questão, pretendendo, nomeadamente, fazer consultas entre si e outros países que não integram o cartel para chegarem a entendimentos.

"A inclusão de todos os países da OPEP iria, definitivamente, ajudar a que se chegasse a um acordo", disse o responsável do Qatar. Nesse sentido, e falhado o acordo nesta reunião, haverá agora tempo para que os países tentem negociar entre si as suas posições relativamente aos níveis de produção, tendo ficado em aberto a possibilidade de haver um novo encontro em Junho.

À espera da reacção


O excesso de oferta de petróleo no mercado levou as cotações do petróleo para mínimos de mais de uma década. Depois de alguns anos acima dos 100 dólares, os preços afundaram, chegando a pouco mais de 26 dólares no final de Janeiro. Desde então, com a perspectiva de acordo entre a Russia e outros países da OPEP, os preços dispararam: subiram mais de 30% para valores acima dos 40 dólares. Agora podem corrigir.


O Goldman Sachs já duvidava de um entendimento antes do encontro. "Vemos grandes probabilidades de que a reunião produza um motivo de pressão" para os preços do petróleo, afirmava o banco de investimento norte-americano. E se alguns analistas não acreditam que o fracasso da reunião pode penalizar os preços, o Goldman Sachs abre a porta a uma correcção das cotações do petróleo até aos 35 dólares.


(Notícia actualizada às 19:29 com mais informações sobre o resultado da reunião de Doha)




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