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Estrategas avaliam perspetivas para o ouro após efeito da vacina

O ouro bateu recordes em agosto, impulsionado por uma forte queda das rendibilidades reais dos títulos do Tesouro dos EUA perante a política acomodatícia da Reserva Federal norte-americana.

O metal amarelo tem brilhado mais do que nunca, numa altura em que os inves    tidores procuram um refúgio para os seus ativos, num contexto de maior risco no plano económico e geopolítico.
Leonhard Foeger/Reuters
Bloomberg 15 de Novembro de 2020 às 15:00
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A disputada eleição presidencial nos Estados Unidos chegou ao fim e os investidores que apostam no ouro ficaram entusiasmados com a perspectiva de uma presidência de Joe Biden. Mas a notícia sobre a vacina desenvolvida pela Pfizer teve um efeito esmagador.

 

Depois de transacionar numa faixa estreita por quase dois meses, o ouro finalmente ganhou impulso suficiente para subir mais após as eleições, a negociar perto de 1.966 dólares por onça na segunda-feira. Mas o anúncio da Pfizer de que a sua possível vacina mostrou 90% de eficácia na prevenção da covid-19 desencadeou uma onda vendedora. No fecho dessa sessão, o ouro tinha perdido 4,5%, a maior queda desde a correção de agosto.

 

"As novidades da vacina da Pfizer podem significar que vamos ter estímulos e um relançamento económico", disse Tai Wong, responsável pela negociação de derivados de metais na BMO Capital Markets. "Um pacote de estímulos, de modesto a grande, dependendo do resultado das eleições para o Senado norte-americano, e o forte crescimento da economia irão estimular a inflação. Mas isso é o futuro, por enquanto temos de encontrar algum equilíbrio".

 

A volatilidade verificada no início da semana dificulta as previsões para o ouro. Os preços subiram 1,3%, para 1.887,35 dólares por onça na praça londrina, na terça-feira, talvez por causa de algumas análises mais sóbrias sobre os obstáculos que ainda precisam de ser eliminados para a vacina.

 

O aumento dos casos de coronavírus e a preocupante transição para o poder do presidente eleito nos EUA dão mais razões para a cautela.

 

A questão das rendibilidades da dívida

 

Com a possibilidade de se obter as primeiras remessas de vacinas até o final do ano, os investidores claramente veem uma luz ao fundo do túnel para a pandemia. A lógica é que a descoberta de uma vacina vai dar força à recuperação, encurtando o prazo para o aperto da política monetária pelos bancos centrais, segundo Georgette Boele, do ABN Amro Bank.

 

"Se uma vacina for lançada, a economia recuperará mais rapidamente", sublinhou Boele. "Os bancos centrais podem precisar de flexibilizar menos, ou a política monetária pode ser mantida num regime acomodatício por um período mais curto".

 

Isso seria mau para o ouro, que beneficiou do dilúvio dos estímulos deste ano. O ouro bateu recordes em agosto, impulsionado por uma forte queda das rendibilidades reais dos títulos do Tesouro dos EUA perante a política acomodatícia da Reserva Federal norte-americana.

 

De acordo com Boele, o próximo nível-chave para o ouro deve ser o mínimo prévio de 1.850 dólares, do qual recuperou durante as correções anteriores. Se o ouro ficar acima desse nível, o rally pode ser retomado, enquanto uma queda abaixo desse patamar pode trazer mais pressão para a baixa.

 

O Citigroup disse que o ouro pode estender a queda para 1.775 a 1.825 dólares no curto prazo, mas que voltaria a posicionar-se como comprador numa queda que o levasse para níveis próximos da da média de 200 dias, já que os riscos económicos permanecem elevados.

 

Embora os analistas do banco norte-americano tenham revisto em baixa o seu preço-alvo para o ouro nos próximos três meses, meses para 1.800 dólares, mantiveram o "target" entre 2.300 e 2.400 dólares no cenário de seis a doze meses, salientando que a Fed ainda está a comprar cerca de 80 mil milhões de dólares mensais em títulos do Tesouro do país.

 

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