Matérias-Primas Mal-estar do petróleo revigora ouro para máximos de três meses

Mal-estar do petróleo revigora ouro para máximos de três meses

Os preços do petróleo seguem a subir na sessão de hoje, mas a tendência de base tem sido fortemente baixista e no acumulado do ano afundam mais de 14% em Nova Iorque e perto de 8% em Londres. Quem está a ganhar com esta debilidade é o ouro, que recupera o estatuto de valor-refúgio.
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Carla Pedro 03 de fevereiro de 2016 às 20:51

Não é à toa que lhe chamam "ouro negro". O petróleo é bastante valioso para quem o tem. Mas já foi mais. No Verão de 2008, quando atingiu máximos históricos em Nova Iorque e em Londres, a negociar na casa dos 150 dólares por barril, essa designação tinha toda a razão de ser. É uma poderosa fonte de receitas para os países que mais dependem do crude como produto de exportação. No entanto, as quedas do último ano e meio têm vindo a agravar a situação orçamental de muitos produtores.

 

Algumas subidas pontuais têm permitido que o crude não afunde por completo, mas o certo é que a sua tendência continua a ser negativa.

 

Hoje, o petróleo segue a subir, muito à conta da desvalorização do dólar [moeda em que é denominado], pelo que a sua depreciação torna a matéria-prima mais atractiva para os investidores, mas no acumulado do ano o cenário continua pesado: nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate – crude de referência negociado em Nova Iorque – cai 14,8% e no mercado londrino o Brent do Mar do Norte ("benchmark" para a Europa) recua 7,7% desde o início de 2016.

 

A fragilidade do petróleo tem contagiado os mercados accionistas, com muitas bolsas em terreno negativo no cômputo do ano.

 

Quem está a ganhar com esta fase turbulenta do petróleo é o ouro, que é neste momento a matéria-prima mais forte de 2016, a recuperar em força o seu estatuto de "valor-refúgio".

 

Na sessão desta quarta-feira, o metal precioso atingiu máximos de três meses. Em Nova Iorque, o ouro para entrega em Abril subiu 0,9% para 1.136,90 dólares por onça, depois de ter chegado a negociar nos 1.137,50 dólares – o valor mais alto desde 3 de Novembro.

 

Além disso, um índice de 14 produtores de ouro que é seguido pela Bloomberg Intelligence escalou hoje para o nível mais elevado desde Outubro.

 

Os retornos com o ouro estão a ser superiores, no acumulado do ano, aos de qualquer outra "commodity" do índice de matérias-primas da Bloomberg. Com efeito, o metal amarelo ganha cerca de 7% desde o início de 2016 e já superou a sua média móvel dos últimos 200 dias (MM200), que é uma referência importante para o mercado.

 

"É uma corrida aos investimentos seguros", comentou à Bloomberg um estratega da RJO Futures em Chicago, Bob Haberkorn.

 

"O ouro esteve sob pressão durante e depois da subida dos juros por parte da Reserva Federal norte-americana, em Dezembro, mas desde então as perspectivas para as outras classes de activos deterioraram-se drasticamente, sublinhou ao Cinco Días, por seu lado, Ole Hansen, estratega de matérias-primas no Saxo Bank.

 

A desaceleração da China e alguns dados económicos menos fortes nos EUA apontam para que a Fed possa conter-se, para já, na sua política iniciada a 16 de Dezembro de aumento progressivo da taxa de juro directora – que estava em mínimos históricos (entre os 0% e os 0,25%) desde o final de 2008. Recorde-se que se tratou da primeira subida dos juros nos Estados Unidos desde 2006.




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