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O futuro do minério de ferro segundo o homem que previu a escalada de 2016

O minério de ferro provavelmente estenderá a escalada deste ano, num contexto de adopção de novas medidas pela China para estimular o crescimento e de desvalorização do dólar, segundo Jason Schenker, da Prestige Economics, cuja rara posição optimista no último trimestre do ano passado está a provar ser correta.

Bloomberg
Bloomberg 11 de Agosto de 2016 às 18:03
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Embora a sequência possa ser irregular, esta matéria-prima será negociada em torno de 60 dólares por tonelada no actual semestre e no conjunto de 2016 atingirá uma média de 55 dólares, estimou Schenker, que é presidente da Prestige, empresa com sede em Austin, Texas, nos EUA.

 

Estes valores contrastam com os 53 dólares de média registados desde o início do ano. Em entrevista telefónica à Bloomberg, Schenker espera novos ganhos, apontando para 62 dólares por tonelada em 2017 e 72 dólares em 2018.

 

O minério de ferro valorizou em 2016, quebrando três anos de descidas, porque os estímulos e um boom imobiliário impulsionado pelo crédito na China elevaram a procura. O aumento contrabalançou as expectativas de novos prejuízos com o aumento da oferta e levou bancos como o Goldman Sachs e o Morgan Stanley a elevarem as suas projecções.

 

Em Outubro passado, quando o minério de ferro acumulava uma perda de dois dígitos, Schenker previa uma recuperação, dizendo que o governo da China fortaleceria a economia e que as exportações de aço do maior produtor mundial se manteriam.

 

'Absolutamente crítico'


"Eu atribuo o meu sucesso ao trabalho com factores macro e ao historial macro, bem como ao facto de ter em conta que a China vinha a reportar uma recessão industrial há mais de um ano e meio", disse Schenker, classificado pela Bloomberg como o melhor analista de metais de base do segundo trimestre e que divide o primeiro lugar para o ouro com o ABN Amro Bank. "O quadro macro é absolutamente crítico para as commodities".

 

Este minério - com 62% de teor de ferro - entregue em Qingdao subiu 36% em 2016, para 59,36 dólares por tonelada na passada quinta-feira, segundo a Metal Bulletin. Os ganhos ocorrem numa altura em que a taxa diária de produção de aço na China atingiu um recorde, enquanto as exportações de produtos de aço ficaram próximas de uma subida histórica.

 

Juros mantidos

 

Nem tudo o que constava na recomendação de Outubro feita por Schenker se concretizou, incluindo a expectativa de novos cortes nos juros na China – numa altura em que o governo procurava reforçar a procura. Embora as autoridades em Pequim tenham ampliado os estímulos fiscais e permitido a desvalorização da moeda, a taxa base dos juros foi mantida.

 

Desta vez, o minério de ferro poderá beneficiar do facto de a China continuar a estabilizar, enquanto nos EUA a desaceleração da economia poderá levar a Reserva Federal a mudar de estratégia, implementando mais políticas acomodatícias, segundo Schenker. O dólar perderá força, o que deverá sustentar as matérias-primas, acrescenta.

 

"A política de estímulos adicionais da Fed deverá impulsionar os preços do minério de ferro porque fará duas coisas: não apenas estimulará a economia dos EUA, mas também provavelmente enfraquecerá o dólar", estima o estratega. Na China, "é bastante possível que possam precisar de mais estímulos, especialmente se virmos a economia dos EUA começar a perder mais força", conclui Schenker.

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