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Ouro passa fasquia nunca alcançada dos 2.000 dólares

Só este ano, o ouro já está 30% mais caro, tendo-se afirmado como um ativo refúgio de eleição em tempos de pandemia.

Dario Pignatelli/Bloomberg
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 04 de Agosto de 2020 às 18:17
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Num ano de grandes tormentas para os mercados bolsistas, o ouro tem saído como um grande vencedor e, esta terça-feira, 4 de agosto, leva mais uma medalha: ultrapassou pela primeira vez na sua história a fasquia dos 2.000 dólares por onça.

O metal amarelo para entrega a pronto (spot) valorizou 1,58% para os 2.008,17 dólares no mercado londrino, um movimento que marcou a sessão. Desde o início do ano que o ouro tem vindo a subir convictamente, contando uma valorização acumulada de 30%. Mais recentemente, desde o início de junho, o ouro só chegou a "pernoitar" por quatro vezes no vermelho, tendo rapidamente voltado a terreno mais fértil. Nos EUA, os contratos de futuros também rondam este patamar, a negociarem nos 1.998 dólares por onça.

Os estímulos do banco central nos Estados Unidos, que têm sido avançados como resposta à covid-19, empurraram as taxas de juro das obrigações da maior economia do mundo para mínimos históricos, ao mesmo tempo que o dólar tem caído a pique. O enfraquecimento destas duas alternativas de investimento tem tornado o o ouro mais atrativo entre os típicos ativos refúgio. Paralelamente, a incerteza que se vive devido à pandemia tem tendência a retirar o apetite dos investidores por ativos de maior risco.

O último impulso está a dar-se esta semana, com o aumento da expectativa em relação ao lançamento de novos estímulos à economia por parte da Administração de Donald Trump. A confirmar-se, esta iniciativa vai injetar mais liquidez nos mercados e suprir ainda mais as taxas de juro.

O Senado irá de férias a partir da próxima sexta-feira, no mesmo dia em que são divulgados os mais recentes números do emprego. Neste cenário, a pressão para que sejam aprovados mais estímulos nos próximos dias está a acumular-se. Um senador do partido democrata, Chuck Schumer, adiantou esta terça-feira que as conversações sobre um novo pacote estão a mover-se na direção certa, embora ainda existam alguns pontos de divergência.

Mas os 2.000 dólares não são apenas um número redondo de recorde: são uma barreira psicológica relevante, aponta o Commerzbank, citado pela Reuters.

Na última semana, os Exchange-Traded Funds (ETF) de ouro e prata ascenderam a novos recordes. Os ETF são produtos negociados em bolsa cujo principal objetivo é replicar o desempenho de um determinado índice, commodity ou cabaz de ativos. Segundo o Conselho Mundial do Ouro, os ETF de ouro  acrescentaram 734 toneladas na primeira metade de 2020, mais do que em qualquer ano completo.

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