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Tensões no Irão impulsionam preços do petróleo

O Irão ameaçou uma embarcação norte-americana e as tensões subiram de tom. As sanções económicas por parte dos EUA poderão perturbar a oferta de crude do segundo maior produtor do Médio Oriente.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 03 de Janeiro de 2012 às 13:21
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As cotações do “ouro negro” seguem a ganhar terreno nos principais mercados internacionais, com subidas em torno de 2,5%. Depois de três anos consecutivos de valorizações, o crude continua assim em alta, a negociar acima do patamar dos três dígitos em Londres e em Nova Iorque.

Os bons dados relativos à actividade industrial na China e na Índia estão a sustentar as cotações, mas o grande impulso provém neste momento do Irão.

Os EUA e os seus aliados intensificaram as pressões sobre o Irão para que este suspenda aquilo que dizem poder ser um programa de desenvolvimento de armas nucleares. A 31 de Dezembro, o presidente norte-americano, Barack Obama, promulgou legislação no sentido de sancionar economicamente Teerão, através de uma suspensão das transacções com o banco central iraniano. Por outro lado, a União Europeia, que está a ponderar boicotar o petróleo proveniente do Irão, dirá no final deste mês se alargará as sanções, segundo um porta-voz da UE, Michael Mann, citado pela Bloomberg.

A perspectiva de as sanções terem como alvo também o sector petrolífero estão a penalizar fortemente a moeda iraniana, o rial, que no mês passado perdeu 40% face ao dólar. Segundo a Reuters, há filas às portas dos bancos e algumas casas de câmbio estão a fechar devido à forte procura de dólares por parte dos iranianos que tentam proteger as suas poupanças.

Entretanto, o chefe do Exército iraniano, Ataollah Salehi, disse que os EUA retiraram do Golfo um porta-aviões devido a exercícios navais por parte de Teerão, e que o Irão actuará se a embarcação regressar às suas águas. “O Irão não vai repetir o aviso… a embarcação do inimigo saiu do Mar de Omã devido às nossas actividades de perfuração. Recomendo e enfatizo que essa embarcação norte-americana não deve regressar ao Golfo Pérsico”, declarou Salehi, citado pela Reuters.

O crude segue assim em terreno positivo, sustentado pela especulação de que a escalada de tensões no Irão – segundo maior produtor da OPEP – poderá perturbar a oferta desta matéria-prima.

O contrato de Fevereiro do West Texas Intermediate (WTI), “benchmark” para os Estados Unidos, segue a subir 2,57% no mercado de Nova Iorque, para 101,37 dólares por barril.

Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude de referência para a Europa, ganha 2,38% para 109,94 dólares.

“O Irão irá, provavelmente, estar no centro do placo este ano – pelo menos na primeira metade do ano”, comentou Amrita Sem, analista do Barclays Capital, à Bloomberg TV.

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