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Lucros da Sonangol afundam 68%

A desvalorização dos preços do petróleo é apresentada como principal razão para os recuos na receita e no resultado líquido. A actividade de refinação aumentou mas as exportações de petróleo bruto caíram 12%.

Simon Dawson/Bloomberg
Negócios com Lusa 25 de Fevereiro de 2016 às 12:49
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A petrolífera estatal de Angola, a Sonangol, apresentou esta quinta-feira, 25 de Fevereiro, uma queda de 34% na receita do ano passado face a 2014, registando igualmente uma descida dos lucros na ordem dos 68%, atribuíveis principalmente à queda do preço do petróleo.

"A receita total da Sonangol em 2015 foi de 2,2 biliões de kwanzas [13,1 mil milhões de euros], cerca de 34% inferior à receita total de 2014" e o EBITDA "reduziu-se em 45%", de acordo com o comunicado divulgado hoje, o dia seguinte à tradicional conferência de imprensa anual da empresa.

Já o resultado líquido caiu dos 139,16 mil milhões de kwanzas (793,7 milhões de euros) para 44,148 mil milhões de kwanzas (251,8 milhões de euros) entre 2014 e 2015, menos 542 milhões de euros ou uma queda de 68,27%. 

No documento, a Sonangol diz que produziu 649,5 milhões de barris em 2015, o que representa uma média de 1,77 milhões de barris por dia, o que traduz um aumento de 6% face à produção do ano passado, um aumento explicado "principalmente pela entrada em produção de novos campos no bloco 14 (Lianzi), bloco 15 (Satélites -- Kizomba II) e bloco 17 (MPP Rosa e Dália 1A), assim como pelo consistente desempenho operacional nos blocos 17, 18 e 31".

Na apresentação dos resultados, a petrolífera angolana diz que "a produção de gás natural decresceu em 8%, fixando-se em 507.293 TM (toneladas métricas), num ano em que a unidade industrial de gás natural líquido na cidade do Soyo se manteve paralisada" e acrescenta que exportou 223,5 milhões de barris, "que ao preço médio de 50 dólares por barril permitiu uma arrecadação bruta de 11,1 mil milhões de dólares, uma diminuição de 54% em relação a 2014, como consequência da redução simultânea do volume de exportação em 12% e de um preço médio de 96,72 dólares por barril verificado no ano passado".

Entre os valores que mais influenciaram o desempenho financeiro, a Sonangol destaca como negativos a "redução do preço de petróleo bruto, as imparidades sobre os activos petrolíferos em produção, poços secos e/ou descobertas não comerciais", apresentando como pontos positivos o "aumento do preço dos combustíveis, a redução do custeio operacional em 1,1 mil milhões a variação cambial líquida, como consequência da depreciação e desvalorização da moeda" angolana durante o ano passado.

O comunicado da Sonangol destaca ainda que "apesar das condições adversas no mercado petrolífero", a empresa manteve os investimentos, no valor de cerca de 3,2 mil milhões de euros, "sendo 82,1% do dispêndio realizado no Segmento de Exploração e Produção, 7,6% no Segmento de Logística e Distribuição, 5,1% no Segmento de Refinação e Transporte, e 4,8% nos Negócios não Nucleares".

As subsidiárias Sonangol Pesquisa e Produção e a Sonangol Gás Natural apresentaram resultados negativos na ordem dos 3 mil milhões de dólares, "como resultado da dupla influência do preço do petróleo bruto e do gás natural, por um lado sobre a receita de venda e por outro sobre o montante justo dos activos petrolíferos e de gás natural".


Empresa revê projectos e vende activos para manter plano de investimentos


A Sonangol, prevê ainda que 2016 será "bastante difícil" e anunciou que vai rever projectos de investimento e livrar-se de "ativos e negócios não nucleares" para tentar manter o plano de investimentos previstos.

 

No documento apresentado esta manhã em Luanda, a Sonangol afirma esperar que 2016 seja "um ano bastante difícil, no qual se espera um crescimento da produção petrolífera que por certo será acompanhada por uma substancial redução do preço do petróleo bruto", o que faz antever que "os resultados e o desempenho financeiro da empresa continuarão sob forte pressão".

 

Para lidar com este cenário difícil, a Sonangol diz que vai manter as medidas do ano passado "para a redução do custeio e que serão reforçadas em 2016, a revisão de alguns projectos de investimentos e o recurso à opção de descontinuidade de activos e negócios não nucleares".

 

A empresa, que hoje apresentou uma descida de 34 por cento na receita e de 45% nos lucros, admite que "os resultados e o desempenho financeiro da empresa continuarão sob forte pressão", mas garante que vai "reforçar" este ano as medidas de controlo da despesa iniciadas no ano passado, para além de outras iniciativas com o objectivo de manter "as condições de equilíbrio financeiro e para explorar a necessária margem para continuar a investir".

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