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António Comprido: "Matéria-prima teria de subir 30% a 40% para a gasolina chegar aos dois euros"

"Nenhum país, sozinho, tem impacto suficiente no fornecimento de petróleo global", com excepção da Arábia Saudita, diz António Comprido.

Paulo Moutinho 29 de Agosto de 2013 às 00:01
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Contudo, na opinião do secretário-geral da Apetro, se houver uma intervenção militar, e se esta se alastrar a outros países da região, "poderemos chegar a variações de preços de alguma magnitude". Valorizações que têm impacto nas cotações dos combustíveis, reflectindo-se depois nos preços para os consumidores. A gasolina chegar aos dois euros é "um cenário especulativo". "Implicaria que os preços do petróleo subissem 30% a 40%".

 

Qual o impacto desta tensão na Síria?

Obviamente que esta instabilidade tem impacto nos mercados. Está a conduzir a um aumento dos preços. Há apreensão quanto ao impacto sobre os fornecimentos de petróleo. A Síria está numa zona muito sensível pelo que, pelo menos temporariamente, esta situação terá impacto nos preços.

Mas, sozinha, poderá puxar muito pelos preços?

Actualmente, nenhum país sozinho tem impacto suficiente no fornecimento de petróleo global, talvez com a excepção da Arábia Saudita. Existem mecanismos que permitem colmatar as falhas quer dentro da OPEP quer de outros produtores. E é preciso recordar que os EUA estão a produzir muito mais petróleo, mas também que está a haver um menor crescimento na procura por parte da China. A interrupção dos fornecimentos de petróleo da Síria, por si só, não tem capacidade para provocar um desequilíbrio de forma profunda na relação entre a oferta e a procura de petróleo. São os movimentos especulativos dos mercados que ampliam o efeito que estas situações têm nos preços do petróleo.

Há analistas que apontam para subidas do Brent até aos 150 dólares. Faz sentido este valor?

Dou pouca importância a essas previsões que colocam os preços do petróleo nos 150 dólares. Atiram-se números para o ar que recorrentemente não se concretizam. Recorde-se o que aconteceu em 2008 quando se falava que os preços do petróleo poderiam chegar aos 200 dólares e passado pouco tempo as cotações estavam em queda. O falhanço é a regra, não a excepção.

De alguma forma podemos chegar perto deste valor?

Não me parece que os preços atinjam níveis tão elevados, a menos que o eventual conflito se generalize. A Síria está muito perto do Irão e de Israel. Aí poderíamos chegar a variações de preços de alguma magnitude. Mas se for uma situação circunscrita à Síria, diria que é natural alguma alta temporária nos preços, mas nada de valores incomportáveis.

A subida dos preços do petróleo já está a puxar pelos combustíveis?

As cotações dos derivados do petróleo esta terça-feira, comparativamente à média dos preços da semana passada, estão mais de 2% acima. Em euros, como houve uma desvalorização da moeda europeia, sobem 2,8%. As condições não são favoráveis [para os preços dos combustíveis]. Assiste-se a uma pressão que não me parece que vá desaparecer em breve. Há uma subida muito significativa das cotações nos mercados. Houve um acelerar dessa tendência na última semana.

Na próxima semana teremos aumentos de preços?

Enquanto estas notícias sobre a intervenção na Síria perdurarem, a tendência não será de estabilização. Será de subida. Se isso acontecer vai reflectir-se nos preços de venda aos consumidores.

A gasolina poderá chegar aos dois euros por litro?

O preço da gasolina chegar aos dois euros é um cenário especulativo. Ainda estamos muito longe. Os valores estão a 1,5, 1,6 euros por litro. Era preciso que a situação evoluísse de forma muito negativa para chegarmos aos 2 euros por litro. Implicaria que os preços do petróleo subissem 30% a 40%, o que me parece exagerado.

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