Petróleo Médio Oriente protege petróleo das tensões… no Médio Oriente

Médio Oriente protege petróleo das tensões… no Médio Oriente

A história recente aponta para valorizações do preço do petróleo, sempre que há tensões no Médio Oriente. Mas a actual crise entre a Arábia Saudita e o Irão não está a ter o mesmo efeito. O excesso de produção destes países, e de outros da região, está a proteger a matéria-prima.
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André Tanque Jesus 05 de janeiro de 2016 às 18:47

Lembra-se da Primavera Árabe? E dos rebeldes no Iémen? Estas e muitas outras tensões no Médio Oriente tiveram como resultado comum o aumento do preço do petróleo. Sempre que subia o termómetro do perigo, o preço da matéria-prima acompanhava, com os receios de que a produção fosse interrompida. Contudo, agora, a crise entre a Arábia Saudita e o Irão não teve o mesmo efeito. Qual é a diferença?

A Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) intensificou, ao longo do último ano, a batalha contra a produção nos Estados Unidos, de olho na quota de mercado. Um frente-a-frente que tem conseguido vencer, através da redução dos preços da matéria-prima. Como? Os países membros – principalmente a Arábia Saudita e outros grandes produtores do Médio Oriente – aumentaram a produção de petróleo, levando a um enorme excedente da matéria-prima no mercado.

A este factor acresce ainda o facto de o Irão estar prestes a voltar a exportar a sua produção para o mercado mundial. Por tudo isto, a tensão entre a Arábia Saudita – o maior produtor mundial – e o Irão está a ser protegida pelo petróleo que os próprios países estão a extrair. De facto, os investidores reagiram negativamente, com o preço do Brent, em Londres, a subir quase 1%. Mas logo a negociação inverteu, com a matéria-prima a encerrar a sessão com uma queda de 0,43%. Uma tendência que manteve na sessão desta terça-feira, ao desvalorizar 2,12% para 36,43 dólares por barril.

"Quando a oferta de petróleo era limitada, vimos maiores reacções às tensões geopolíticas", nota Tushar Tarun Bansal, em declarações à Bloomberg. Mas o analista sénior de petróleo da FGR atira que, "agora, a subida do preço foi muito fraca, uma vez que o mundo está numa situação de excedente". Uma perspectiva que reflecte a dimensão do actual excedente da matéria-prima. É que apesar de as tensões existirem, a oferta é demasiado grande, para que os investidores receiem a escassez.




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