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OPEP+ adia para terça-feira decisão sobre níveis de produção

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (grupo conhecido por OPEP+) reuniu-se esta segunda-feira para definir a quota de produção de fevereiro, mas o encontro durou pouco e a decisão ficou para amanhã.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 04 de Janeiro de 2021 às 20:20
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A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (grupo conhecido por OPEP+) tinha prevista para hoje uma decisão sobre o nível de produção de crude em fevereiro. No entanto, mal a reunião começou, foi decidido adiar para amanhã.

 

A reunião visa decidir se a OPEP+ aumenta mais a produção ou se toma outra medida, isto numa altura em que a pandemia continua a penalizar a procura por energia e a criar incertezas em torno da chegada de uma retoma económica.

 

A reunião teve início às 15:00 e algumas fontes do cartel avançaram à Reuters que a maioria dos membros da OPEP+ se opõe a um aumento da produção no próximo mês.

 

O ministro saudita da Energia, Abdulaziz bin Salman, abriu o encontro online dizendo que a procura continua "frágil" para os combustíveis dos transportes – incluindo da aviação – e que o cartel precisa de ser cuidadoso na adoção de medidas, apesar de os programas de vacinação contra a covid-19 alimentarem a esperança de um regresso a hábitos de viagens mais normais.

 

Pouco depois, era decidido o adiamento da reunião para terça-feira, 5 de janeiro.

 

No passado dia 3 de dezembro, os 23 membros da OPEP+ chegaram a acordo quanto ao nível de oferta em janeiro, tendo decidido aumentar a entrada de crude no mercado em meio milhão de barris por dia.

 

A solução surpreendeu, pois os mercados estavam a antecipar que a a OPEP+ prolongaria, pelo menos por mais três meses, os níveis de corte da produção de dezembro. Recorde-se que a OPEP+ acordou reduzir a oferta em 7,7 milhões de barris por dia entre agosto e dezembro, para depois aliviar esse corte em cerca de dois milhões de barris diários a partir de janeiro de 2021 mas esperava-se que decidisse adiar a entrada de mais crude no mercado.

 

Mas, logo no início da reunião, a Rússia (que não queria adiar a entrada de crude no mercado) e a Arábia Saudita (que era favorável à manutenção do atual nível de produção) puseram de lado o plano de deixar tudo na mesma durante mais três meses, já que não estavam a chegar a um entendimento, e trabalharam num acordo de mais curto prazo, o que resultou. Decidiram assim aumentar a oferta em 500.000 barris por dia, em vez dos dois milhões diários anteriormente definidos. Mas apenas para o mês de janeiro.

 

E foi aqui que surgiu outra das novidades: os membros da OPEP+ decidiram que iriam passar a reunir-se mensalmente para reverem as suas quotas de produção. Isto porque as vacinas contra a covid-19 poderão vir a reabrir mais cedo as economias, ajudando assim a um maior consumo de combustível – pelo que os produtores poderão não ter de fazer um esforço de corte da oferta durante tanto tempo quanto inicialmente pensavam.

 

Esta decisão tem o seu senão para os mercados, já que reuniões mensais significam uma maior volatilidade na evolução dos preços, com os investidores renovadamente na expectativa.

 

E foi isso que hoje sucedeu. Os preços do petróleo estiveram a negociar em baixa, à conta da entrada de mais meio milhão de barris por dia no mercado e da expectativa perante a reunião de hoje – que acabou então por ser adiada.

 

Os membros da OPEP+ voltam a enfrentar pressões conflituantes. Uma nova subida da produção levará a um aumento das receitas dos países produtores, que viram os seus orçamentos fortemente atingidos pelos preços mais baixos do "ouro negro" [que em 2020 caiu em torno de 22%, tanto em Londres como nos EUA], mas, por outro lado, se produzirem demasiado petróleo – e demasiado cedo –, isso pode minar a modesta retoma dos preços a que se assistiu em dezembro.

(notícia atualizada às 20:34)

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