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Petróleo próximo de máximos do ano apesar de OPEP não prever cortar a produção

Fontes da organização dizem que o cartel vai esperar para ver como se comporta a produção russa e iraniana. Apesar disso, os preços do petróleo reagem em alta à queda da produção da OPEP em Fevereiro e a sinais de estímulos na China.

Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 01 de Março de 2016 às 10:07
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O cartel de produtores de petróleo vai esperar para ver se a Rússia mantém o compromisso de estabilizar a sua produção diária e para perceber que ritmo de produção resultará do fim das sanções ao Irão para decidir um eventual corte nas suas saídas de petróleo.

Para já, segundo a Reuters, é pouco provável que tal decisão venha a ser tomada na reunião de Junho da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), mesmo que os preços se mantenham baixos como nas últimas semanas. O que agrava os sinais de excesso de produção mundial de ouro negro, podendo pressionar os preços ainda mais para baixo.

A notícia – que cita fontes e delegados da OPEP – confirma o que o ministro saudita do petróleo Ali al-Naimi já tinha dito na semana passada e surge poucas semanas depois de a Arábia Saudita, o Qatar e a Venezuela terem acordado com a Rússia a estabilização da produção aos níveis de 11 de Janeiro, considerados "adequados para responder à procura".

"Talvez no final do ano [seja possível um corte] quando se tornar claro que o Irão está a produzir aos níveis de que têm estado a falar", referiu uma fonte àquela agência noticiosa. Ainda assim, os preços estão a reagir em alta nos mercados internacionais depois da OPEP ter anunciado uma queda da produção no mês passado.

Teerão tem dito que pode acrescentar até 1,5 milhões de barris diários à oferta mundial (além dos 3,4 milhões produzidos em Janeiro), estando em aberto que o país possa vir a ser abrangido por uma cláusula de excepção, tendo em conta o regresso à produção para venda ao estrangeiro ao fim de vários anos de sanções.

O governo iraniano já considerou "ridícula" qualquer tentativa de limitar a produção diária de petróleo pelo país. "É ridículo, eles surgem com esta proposta para congelar a produção, num nível de 10 milhões de barris por dia face a um milhão de barris diários do Irão", disse o ministro do petróleo do país, a 23 de Fevereiro passado.

Às 9:45 o preço do barril de petróleo Brent valorizava pela segunda sessão (1,78% para os 33,98 dólares) tal como acontecia com o WTI em Nova Iorque (avançava 0,68% para 33,98 dólares). Em ambos os casos o preço por barril está próximo de máximos deste ano.

A queda da produção de crude da OPEP em Fevereiro (conhecida no início desta semana) e a expectativa de estímulos à economia chinesa (a segunda maior do mundo) sobrepõem-se assim aos receios de excesso de produção levantados pela possibilidade de a OPEP não cortar a sua produção em Junho.

Nos últimos meses, a fricção entre produtores concentrados na OPEP e as empresas que extraem petróleo nos EUA através de xisto betuminoso (com ganhos de eficiência cada vez maiores), a reentrada do Irão no mercado e os sinais de abrandamento de algumas das maiores economias consumidoras mundiais tem contribuído para reforçar o cenário de sobreprodução mundial de petróleo.

As quedas no preço da matéria-prima têm tido forte impacto negativo nas contas das empresas do sector - forçadas a reflectir imparidades e vender activos não essenciais - e nas receitas de países muito expostos à extracção e venda de petróleo, como Angola ou Venezuela.

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