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Petróleo na casa dos 12 dólares em Nova Iorque após afundar mais de 31%

A falta de espaço para armazenar crude está a colocar a cotação da matéria-prima em queda livre. Em Londres o Brent desce bem menos.  

Reuters
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Os preços do petróleo estão a afundar na bolsa de Nova Iorque, com o WTI a recuar mais de 31% para tocar em mínimos de 1999 na casa dos 12 dólares.

 

Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) atingiram o maior desconto de sempre para o mês seguinte, uma estrutura conhecida como "contango" que indica excesso de oferta de curto prazo.

Esta situação é amplificada pelo facto de o contrato atual terminar amanhã, já que os traders vendem futuros prestes a expirar e compram aqueles com prazo de validade mais longo.

O contrato atual, para entrega em maio, está a cair 31,36%, para 12,55 dólares por barril, o valor mais baixo desde 1999. Por outro lado, os contratos futuros para entrega em junho descem 9%, para 22,75 dólares.

 
Evolução do WTI desde 1999:

Esta queda acentuada na cotação da matéria-prima surge numa altura em que a procura afundou para níveis históricos, deixando os produtores sem espaço para armazenar tanto petróleo.

 

A indústria está a enfrentar as perspetivas mais sombrias desde pelo menos os anos 90, ou até de sempre" diz ao Financial Times Jason Gammel, da Jefferies, que cortou a estimativa do WTI neste trimestre para 19 dólares.

 

O problema está a afetar sobretudo os produtores norte-americanos, que segundo a Bloomberg estão perto de ter de pagar para os clientes para estes ficarem com o petróleo que estão a extrair. No Texas estão a oferecer apenas 2 dólares por barril.

 

Na bolsa de Londres as quedas são bem mais contidas. O Brent recua 5,34% para 26,60 dólares, acima dos mínimos atingidos no mês de março.

 

Este colapso no preço do petróleo surge em cima de quedas violentas nas últimas semanas devido ao impacto da pandemia do coronavírus. O WTI já acumula uma queda histórica de mais de 75% desde o início do ano e o Brent recua cerca de 60%.

 

O ponto de armazenamento de petróleo nos Estados Unidos, em Cushing, Oklahoma, aumentou o stock de petróleo em 48% desde o final de fevereiro, para 55 milhões de barris, já perto do máximo de 76 milhões de barris.

 

A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) já tinha alertado que 2020 vai ficar marcado como um ano de declínio na procura, apontando para uma queda de 9,3 milhões de barris por dia até ao final do ano.


A AIE tinha também alertado que o espaço de armazenamento está a reduzir-se e pode mesmo chegar ao colapso "nas próximas semanas", uma vez que os inventários globais vão estar a acumular 12 milhões de barris por dia na primeira metade deste ano, de acordo com a agência.

O acordo histórico selado há poucos dias na OPEP+, que inclui a Rússia e o México, para cortar a produção em 9,7 milhões de barris por dia está a ser insuficiente para travar a queda livre das cotações e os analistas já dizem que o grupo de produtores poderá ter de ir mais longe nos cortes.

 

"Os preços atuais mostram que os cortes da OPEP+ foram insuficientes, com as cotações de novo à mercê da evolução do vírus", disse à Bloomberg Vandana Hari, da Vanda Insights em Singapura.

(Notícia atualizada às 12:46)

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