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EUA aprovam fim do bloqueio às exportações de petróleo. Cotações sobem

O preço do crude já esteve esta sexta-feira a negociar em mínimos de quase sete anos, mas entretanto inverteu e está a subir mais de 1% nos principais mercados internacionais.

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WTI-Brent Spread May Hinder U.S. Oil Export Plan
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 18 de Dezembro de 2015 às 16:46
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O "ouro negro" esteve esta manhã a negociar no vermelho nos principais mercados internacionais, com a referência dos Estados Unidos no nível mais baixo desde Fevereiro de 2009, pressionado pelo excesso de oferta mundial e pela valorização do dólar na sequência do aumento de juros por parte da Reserva Federal norte-americana.

 

No entanto, a tendência já inverteu e o crude segue agora a valorizar mais de 1%. A mudança de tendência deu-se depois de a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos ter aprovado o fim da proibição às exportações norte-americanas de crude, que estava em vigor desde 1973.

 

O contrato de Janeiro do West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os EUA, segue a somar 1,03% para 35,31 dólares por barril.

 

Em Londres, o Brent do Mar do Norte - crude que serve de referência às importações portuguesas – para entrega em Fevereiro está a negociar nos 37,49 dólares por barril, com um ganho de 1,16%.

 

O excesso de oferta mundial de crude mantém-se e a queda dos preços tem sido uma constante e a agravar esta semana esteve o anúncio de que as reservas norte-americanas de crude estão no mais alto nível desde 1930 nesta altura do ano. Com efeito, os stocks desta matéria-prima nos EUA estão mais de 120 milhões de barris acima da média sazonal dos últimos cinco anos. Isto numa altura em que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo assumiu a produção actual dos seus 12 membros nos 31,5 milhões de barris por dia, quando a quota de produção do cartel estava estipulada em 30 milhões de barris diários.

 

A contribuir para a descida dos preços tem estado também a valorização da nota verde, uma vez que o petróleo perde a sua atractividade como investimento por ser denominado em dólares. A divisa norte-americana está a ganhar terreno desde que a Fed anunciou, no dia 16 de Dezembro, a primeira subida dos juros de referência em sete anos.

 

Mas a possibilidade de os norte-americanos – falta a votação do Senado – poderem voltar a exportar crude, depois de 40 anos de bloqueio, está a animar os investidores. A exploração da rocha de xisto betuminoso tem vindo a aumentar a produção dos EUA, que está em vias de se tornar auto-suficiente, pelo que poderá começar de novo a vender "para fora".

 

É com base nesta expectativa que o prémio entre o Brent e o WTI tem vindo a reduzir-se cada vez mais, sendo neste momento inferior a dois dólares. É que a abolição pelos EUA do embargo às exportações deverá impulsionar o WTI, já que beneficia os produtores norte-americanos, que ficam com um maior mercado de escoamento.

 

Isso deverá reduzir ainda mais o "spread" entre os dois principais tipos de crude. No entanto, há factores que podem reverter essa tendência. É que quanto mais se estreitar o prémio do WTI face ao Brent, mais as importações dos EUA poderão ficar mais rentáveis se os custos de frete o sustentarem.

 

Com efeito, conforme lembra a Bloomberg, ao ser permitido que o petróleo norte-americano compita a nível mundial, o preço do West Texas Intermediate fica cada vez mais próximo do londrino Brent, que nos últimos anos tem negociado com um "spread" face ao seu congénere dos EUA – o que nunca antes tinha acontecido.

 

Mas, à medida que os dois preços convergem, os refinadores norte-americanos poderão começar a procurar mais pelo Brent se isso lhes ficar mais barato, sublinhou a JBC Energy GmbH à Bloomberg.

 

"O prémio entre o Brent e o WTI estreitou-se tanto que os compradores de crude já começaram a olhar para os fluxos comerciais para verem que tipo de crude é que podem adquirir com um custo de frete mais baixo", referiu por seu lado Peter Lee, da BI Research.

 

Se observarmos o contrato de Fevereiro de ambos os crudes, o WTI está a negociar com um desconto de apenas 33 cêntimos face ao Brent. E olhando para o contrato de Março, esse "spread" é de apenas cinco cêntimos. Em 2011, recorde-se, essa diferença chegou a superar os 27 dólares.

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