Petróleo Petróleo pode nunca mais voltar aos 100 dólares, diz maior "trader" do mundo

Petróleo pode nunca mais voltar aos 100 dólares, diz maior "trader" do mundo

O presidente da Vitol vê os preços da unidade de referência a oscilarem entre 40 e 60 dólares ao longo de uma década. A recuperação pode começar ainda este ano mas será limitada, antevê.
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Paulo Zacarias Gomes 08 de fevereiro de 2016 às 17:27

Perdeu 34% do seu valor em 2015 e desde Janeiro deste ano acumula quedas de mais 9,2%. Cada unidade de petróleo Brent do mar do Norte (referência para as importações portuguesas) valia esta segunda-feira, 8 de Fevereiro, 33,77 dólares. A última vez que se pagou 100 dólares por um barril foi em Setembro de 2014. E, pelo actual caminho, pode nunca mais voltar a valer o mesmo.

 

É pelo menos o que prevê o CEO da maior empresa do mundo especializada em transacções no mercado do petróleo. Para Ian Taylor, presidente do grupo Vitol, a continuação do abrandamento da economia chinesa (a segunda maior do mundo e uma das principais consumidoras de 'ouro negro') e o excesso de produção protagonizado pela extracção de petróleo de xisto nos EUA deverá manter durante dez anos os preços do barril em níveis reduzidos.

 

"Devemos acreditar que há uma possibilidade de nunca mais voltarmos [preço do barril de petróleo] acima dos 100 dólares", disse Taylor em entrevista à Bloomberg, acrescentando que na próxima década a banda de preços deverá oscilar entre os 40 dólares (acima do valor actual) e os 60 dólares.

 

A recuperação de valor deverá contudo acontecer na segunda metade do ano, acredita o CEO da empresa, em linha com o que outros responsáveis do sector – como o líder da BP – já anteviram.

Entre os próximos desafios para a área petrolífera (além do abrandamento da procura e do excesso de produção reforçado com a entrada do Irão nas exportações e a 'guerra' de produtores OPEP/EUA), Ian Taylor acrescenta também a maior eficiência energética conseguida do lado dos consumidores. Ainda assim, espera que os produtores reunidos no cartel liderado pela Arábia Saudita possam vir a acordar com países concorrentes um corte na produção, o que suportaria valorizações no preço da matéria-prima.

 

De acordo com a Bloomberg, a Vitol transacciona mais de cinco milhões de barris de crude e produtos refinados por dia, o suficiente para satisfazer as necessidades combinadas de países como Alemanha, França e Espanha. 




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