Petróleo Príncipe saudita alerta que guerra com o Irão pode arrasar economia global e levar petróleo para níveis "inimagináveis"

Príncipe saudita alerta que guerra com o Irão pode arrasar economia global e levar petróleo para níveis "inimagináveis"

A tensão entre a Arábia Saudita e o Irão tomou grandes proporções após os ataques às instalações da Saudi Aramco. Agora, o príncipe herdeiro saudita Bin Salman alertou que, a continuar, a guerra entre ambos pode fazer colapsar a economia global.
Príncipe saudita alerta que guerra com o Irão pode arrasar economia global e levar petróleo para níveis "inimagináveis"
Reuters
Negócios 30 de setembro de 2019 às 11:33

O príncipe herdeiro e ministro da defesa da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, disse que a guerra entre o seu país e o Irão poderia conduzir "a um colapso total da economia mundial", acrescentando que preferia não recorrer a ação militar para travar as ambições iranianas.

"Se o mundo não atuar de forma firme para deter o Irão, prevejo um escalar de tensões que vai ameaçar os interesses mundiais. A oferta de petróleo será interrompida e os preços vão subir para números inimaginavelmente altos a que nunca antes assistimos", disse o príncipe, numa entrevista ao programa "60 minutes", da norte-americana CBS.

"A região representa cerca de 30% da oferta de energia para todo o mundo, cerca de 20% de todo o comércio global e cerca de 4% do PIB mundial. Imagine todas essas coisas pararem", frisou. "Tal significaria um colapso total da economia global, e não apenas da Arábia Saudita ou dos países do Médio Oriente".

Para já, os preços do petróleo voltaram a equilibrar e anularam mesmo o aumento de 20%, no dia seguinte aos ataques. No entanto, Bin Salman, considera que os preços vão escalar, caso ninguém faça nada para travar o ímpeto iraniano, mas não vê na atuação militar uma opção: "uma solução política e pacífica seria muito melhor".

A Arábia Saudita é o país árabe mais próximo de Washington e colocou-se ao lado do presidente norte-americano na sua decisão de sair do acordo nuclear que o Irão assinou com as potências mundiais, bem como na imposição de sanções ao país. O Irão, que ameaçou interromper os fluxos de petróleo no Golfo caso as sanções dos EUA impedissem a exportação de petróleo, descartou negociar com os EUA até que as sanções sejam retiradas.

Bem Salman disse que Trump deveria sentar-se à mesa com Hassan Rouhani, presidente iraniano, para negociar uma solução pacífica, mas acrescentou que Teerão não pretende dialogar.

Ontem, o ministro iraniano do Petróleo, Biyan Zangané, pediu a todas as empresas e instalações do setor petrolífero do país para estarem "totalmente alerta" face a um possível ataque físico ou cibernético dos EUA.

Estas declarações surgiram na sequência da ponderação que os EUA admitiram estar a fazer sobre a possibilidade de realizar um ataque seletivo contra o Irão que, entre opções, inclua ataques cibernéticos contra refinarias e outras instalações do setor de energia.

Os ataques de 14 de setembro a duas instalações sauditas que desativaram cerca de 5% da produção mundial – feitos pelo Irão, segundo os EUA e a Arábia Saudita – foram motivados pela "estupidez" e não existiu nenhum objetivo concreto por detrás", segundo o príncipe saudita.

Por esta altura, o Brent - negociado em Londres - cai 1,47% para os 61 dólares por barril e o norte-americano WTI desvaloriza 1,20% para os 55,24 dólares por barril.




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