Mercados num minuto Abertura dos mercados: Fed deita balde de água fria nos mercados e põe juros em alta e dólar em máximos

Abertura dos mercados: Fed deita balde de água fria nos mercados e põe juros em alta e dólar em máximos

Os investidores ficaram confusos com a mensagem deixada ontem pela Reserva Federal que, apesar de ter cortado os juros, diminuiu as expectativas sobre futuras descidas. As bolsas seguem sem rumo, os juros em alta e o petróleo em queda. O dólar segue em máximos de mais de dois anos.
Abertura dos mercados: Fed deita balde de água fria nos mercados e põe juros em alta e dólar em máximos
Reuters
Rita Faria 01 de agosto de 2019 às 09:42

Os mercados em números

PSI-20 desce 0,20% para 5.000,79 pontos

Stoxx 600 sobe 0,15% para 386,34 pontos

Nikkei valorizou 0,09% para 21.540,99 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos sobem 3,2 pontos para 0,368%

Euro recua 0,34% para 1,1038 dólares

Petróleo em Londres cai 1,09% para 64,34 dólares o barril

 

Bolsas europeias sem rumo definido

As bolsas europeias estão a negociar sem um rumo definido esta quinta-feira, 1 de agosto, numa sessão em que os investidores estão a digerir a mensagem da Reserva Federal dos Estados Unidos, que desceu ontem a taxa diretora em 25 pontos base, pela primeira vez em mais de dez anos. Contudo, na conferência de imprensa, o presidente da Fed, Jerome Powell, sinalizou que este não deverá ser o início de um longo ciclo de descidas dos juros, o que deixou o mercado com dúvidas sobre se tratou apenas de um pequeno ajustamento da política monetária, e sobre os próximos movimentos da autoridade monetária.

 

Além disso, o corte dos juros não foi consensual, já que dois dos membros do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla original) votaram contra, defendendo a manutenção da taxa no nível atual.

 

"Foi um corte muito ‘hawkish’", afirmam os analistas do Morgan Stanley numa nota citada pela Bloomberg. "O corte mínimo da taxa, os dissidentes, e a conferência de imprensa de Powell desiludiram os mercados e diminuíram as nossas expectativas".

 

O índice de referência para a Europa, o Stoxx600, sobe ligeiros 0,15% para 386,34 pontos, numa altura em que, entre os principais índices, só o espanhol IBEX e o francês CAC40 seguem com sinal verde.

 

Na bolsa nacional, o PSI-20 desce 0,20% para 5.000,79 pontos, penalizado sobretudo pela Galp Energia, Jerónimo Martins e cotadas do setor da pasta e do papel.

 

Juros sobem na Zona Euro

As obrigações soberanas dos países do euro estão a ser penalizadas no mercado secundário na sequência das indicações da Fed e, consequentemente, os juros seguem em alta. Em Portugal, a yield associada às obrigações a dez anos sobe 3,2 pontos para 0,368%, enquanto em Espanha, no mesmo prazo, o aumento é de 3,1 pontos para 0,308%. Em Itália, os juros avançam 4,3 pontos para 1,580% e na Alemanha sobem 1,2 pontos para -0,432%.

 

Dólar sobe décima sessão para máximos de mais de dois anos

A moeda norte-americana está a ganhar terreno pela décima sessão consecutiva e a negociar no valor mais alto desde maio de 2017, depois de a Reserva Federal ter avisado que o corte dos juros não será o início de um ciclo longo de descidas.

 

Esta indicação está a levar o dólar a subir 0,35% face a um cabaz com as principais divisas mundiais.

 

Já o euro desce 0,34% para 1,1038 dólares, o valor mais baixo em mais de dois anos.

Petróleo cai mais de 1%

As indicações de Powell, que desiludiram o mercado, também estão a penalizar o petróleo nos mercados internacionais, apesar dos dados que mostram que as reservas de crude dos Estados Unidos caíram pela sétima semana consecutiva.

 

Nesta altura, o West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, desvaloriza 1,23% para 57,86 dólares, enquanto o Brent, transacionado em Londres, cai 1,09% para 64,34 dólares.

 

Ontem, a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos revelou que as reservas de crude desceram em 8,5 milhões de barris na semana passada, muito acima do esperado pelos analistas.

 

Ouro desliza mais de 0,5%

Contrariando a evolução do dólar, o ouro segue em queda, apesar de a Fed ter anunciado um corte dos juros, o que deveria animar o metal precioso. Contudo, a mensagem deixada por Powell confundiu os mercados e baixou as expectativas dos investidores em relação a futuros cortes.

 

"A Fed deitou um balde água fria no mercado e estamos a assistir a uma reversão na maioria das classes de ativos, incluindo o ouro", afirma Howie Lee, economista do Oversea-Chinese Banking Corp, citado pela Bloomberg. "No geral, parece que a Fed não está totalmente certa sobre em relação às políticas futuras, no curto prazo. Uma Fed pouco clara significa mercados confusos, e antecipo que a volatilidade vai aumentar no curto prazo".

 

O metal amarelo cai 0,58% para 1.405,63 dólares enquanto a prata desliza 1,46% para 16,0276 dólares.




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