Mercados num minuto Abertura dos mercados: Rehn e estímulos dão força às bolsas e ao euro, mas Salvini põe travão

Abertura dos mercados: Rehn e estímulos dão força às bolsas e ao euro, mas Salvini põe travão

As bolsas europeias seguem em alta apoiadas pela perspetiva crescente de recurso a estímulos económicos para evitar uma eventual recessão e pelas declarações de Rehn. No entanto Salvini trava o otimismo na Zona Euro.
Abertura dos mercados: Rehn e estímulos dão força às bolsas e ao euro, mas Salvini põe travão
Reuters
David Santiago 20 de agosto de 2019 às 09:26

Os mercados em números
PSI-20 sobe 0,14% para 4.858,16 pontos
Stoxx 600 valoriza 0,09% para 374,18 pontos
Nikkei avançou 0,55% para 20.677,22 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos aliviam 0,2 pontos base para 0,147%
Euro ganha 0,01% para 1,1079 dólares
Petróleo em Londres avança 0,07% para 59,78 dólares por barril

Estímulos aceleram bolsas, mas Salvini põe travão

As principais bolsas europeias arrancaram a sessão desta terça-feira, 20 de agosto, em alta ligeira, numa altura em que a disponibilidade da Alemanha para adotar medidas de estímulo ao crescimento económico continua a animar os investidores.

 

Entretanto foi o governador do banco central finlandês, Olli Rehn, a garantir que o Banco Central Europeu está determinado a agir se a inflação no médio prazo persistir aquém da meta de 2% definida pela autoridade monetária.

 

Já a travar maior otimismo no Velho Continente e a pressionar a bolsa de Milão para uma queda de 0,27% está o vice-primeiro-ministro italiano.

 

No dia em que é discutida e votada a moção de desconfiança que o também líder da Liga apresentou contra o primeiro-ministro Giuseppe Conte, Matteo Salvini veio defender que Itália precisa de um choque de estímulos no valor de 50 mil milhões de euros, declaração que adensa as dúvidas e receios dos investidores quanto à possibilidade de uma Itália em crise política abrir nova via de confrontação com Bruxelas.

 

Enquanto o índice de referência europeu Stoxx600 soma 0,09% para 374,18 pontos, com o setor imobiliário a impulsionar e os setores automóvel e da banca a pressionar, o lisboeta PSI-20 cresce 0,14% para 4.858,16 pontos.

 

Juros da dívida italiana sobem há três sessões

Os juros das dívidas públicas estão a aliviar para a generalidade dos países que integram a Zona Euro, isto após dois dias seguidos em que agravaram.

 

A perspetiva de recurso a medidas expansionistas por parte de economias como a alemã devolveu alguma confiança aos investidores, que haviam concentrado investimentos em ativos mais seguros tais como obrigações de dívida soberana para escapar aos riscos associados a um eventual cenário de recessão.

 

A "yield" associada aos títulos de Portugal a 10 anos recua 0,2 pontos base para 0,147%, enquanto as taxas de juro correspondentes às obrigações soberanas da Alemanha e de Espanha caem respetivamente 1,8 e 0,1 pontos base para -0,671% e 0,125%.

 

Em sentido inverso transaciona a "yield" relativa à dívida de Itália a 10 anos, que sobe 1 ponto base para 1,441%, isto no dia em que se ficará a perceber melhor qual o caminho que vai tomar a crise política aberta por Matteo Salvini, restando saber se o primeiro-ministro Giuseppe Conte vai cair ou se uma eventual maioria alternativa entre o 5 Estrelas e o centro-esquerda assegura a governação.

 

Euro aprecia após cinco quedas

Depois de cinco dias consecutivos a perder valor, a moeda única europeia segue esta manhã a apreciar ligeiros 0,01% para 1,1079 dólares, uma valorização ténue que permite ao euro recuperar parte do valor perdido nas últimas sessões.

 

A garantia de Olli Rehn quanto ao compromisso do BCE em recorrer a novos estímulos se as necessidades da Zona Euro assim o determinarem devolveu maior confiança à divisa europeia.

 

Os investidores estão ainda à espera de ouvir o discurso do presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, na sexta-feira, em Jackson Hole. 

 

Desanuviar na tensão EUA-China dá (algum) gás ao crude

O preço do petróleo segue em alta ligeira nos mercados internacionais, recuperando das desvalorizações acumuladas nas duas últimas sessões.

 

O Brent do Mar do norte, transacionado em Londres e utilizado como valor de referência para as importações nacionais, sobe 0,07% para 59,78 dólares por barril, assim como o West Texas Intermediate, negociado em Nova Iorque, que sobe os mesmos 0,07% para 56,25 dólares.

 

A subida do crude é potenciada pela menor preocupação dos mercados relativamente aos impactos para o comércio mundial e para a economia global da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China.

 

A Casa Branca decidiu prolongar por mais 90 dias as isenções às proibições decretadas a empresas americanas com negócios com tecnológicas chinesas como a Huawei.

 

Este novo desanuviar na já longa tensão aduaneira entre as duas maiores economias mundiais está assim a apoiar o petróleo já que os investidores percecionam menos riscos de uma escalada protecionista poder implicar uma quebra nos níveis de procura pela matéria-prima.

 

Ouro recupera de mínimo de uma semana

Depois de esta terça-feira ter já chegado a negociar no valor mais baixo da última semana (desde 13 de agosto), o metal dourado ganha 0,22% para 1.499,26 dólares por onça.

 

Os investidores aguardam pelo discurso do presidente da Fed, Jerome Powell, em Jackson Hole, na próxima sexta-feira, para perceberem se a Reserva Federal vai continuar a cortar os juros diretores depois da descida decretada em julho.




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