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Europa volta aos ganhos semanais. Regresso da produção nos EUA penaliza petróleo

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Reuters
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 19 de Fevereiro de 2021 às 17:21
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Ações hesitantes com subida dos juros a ameaçarem estímulos

As bolsas asiáticas dividiram-se entre o verde e o vermelho, e o mesmo acontece em ambos os lados do Atlântico: os futuros norte-americanos apontam para baixo e os europeus apontam para cima.

Os juros das obrigações do Tesouro norte-americano continuam a ser uma preocupação na mente dos investidores, uma vez que podem "intrometer-se" entre eles e um futuro repleto de estímulos económicos. Ao estimularem a inflação, os aumentos nos juros da dívida dão o incentivo aos bancos centrais para que estes fechem a torneira de forma a controlarem os preços no consumidor.

Neste contexto, o japonês Topix juntou-se ao Hang Seng de Hong Kong e ao S&P/ASX 200 da Austrália, enveredando todos pelas quebras. Já o Compósito de Xangai e o sul-coreano Kospi escaparam à tendência negativa e somaram mesmo acima de 0,5%. Na Europa e nos Estados Unidos, as alterações são mínimas: uma descida de 0,1% para os norte-americanos e uma subida de 0,3% para os europeus.

Petróleo abranda com produção nos EUA a ganhar ritmo

O barril de Brent, referência para a Europa que é negociado em Londres, cai 1,02% para os 63,28 dólares, e é acompanhado nesta descida pelo nova-iorquino West Texas Intermediate, que desce 1,34%.

Esta é a segunda sessão consecutiva em que o barril de Londres resvala, depois de ter colecionado 14 sessões em que só pisou o vermelho uma vez. O otimismo está a desvanecer-se à medida que uma das suas principais motivações desvanece também: a produção nos Estados Unidos está a ser retomada, depois de um forte abalo provocado pelas temperaturas frias que impediam o seu normal funcionamento.

Ouro marca sete no vermelho

O ouro não passou de herói a zero, mas está certamente a mover-se no sentido descendente de forma inesperada. Depois de ter iniciado o ano a bater recordes e com promessas de mais, o metal amarelo inverteu a tendência e está a consolidar o pior arranque do ano em três décadas.  

O ouro quebra há sete sessões consecutivas e, esta sexta-feira, a descida é de 0,23% para os 1.771,64 pontos. O ouro já não brilhava tão pouco desde julho de 2020. No contexto de subidas de taxas de juro do Tesouro norte-americano, os investidores estão a preferir outros metais industrias, como o cobre, apontam os analistas consultados pela Bloomberg.

Europa volta a somar com empresas a abafarem temores de subida de juros

O índice que agrega as 600 maiores cotadas da Europa, o Stoxx 600, avança 0,20% para os 413,53 pontos, contrariando as quedas das últimas três sessões. Apesar disso, esta deverá tornar-se a primeira semana negativa para as ações europeias das últimas três.

Com o mesmo espírito otimista na sessão avançam as principais praças, embora os ganhos sejam humildes. Londres e Amesterdão afastam-se pouco da linha de água e Paris e Frankfurt rondam os 0,3%.

Em destaque está a Hermes Internacional, que disparou mais de 8% depois de divulgar um aumento nas vendas no quarto trimestre de 2020. Os setores da energia e das utilities são aqueles com pior desempenho dentro do agregador europeu, numa altura em que a RWE acusa o impacto nos resultados de 2021 das condições climatéricas extremas que se vivem no Texas, o que "vem somar-se ao nervosismo no setor", de acordo com um analista da RBC.

Juros das obrigações com subidas mais contidas

As obrigações soberanas prosseguem em terreno negativo, com os investidores a reduzirem a exposição ao mercado de dívida devido à expetativa de aceleração da inflação. Ainda assim, o movimento de subida dos juros está hoje a ser mais contido.

 

A yield das obrigações do Tesouro a 10 anos avançam 0,8 pontos base para 0,243%, tendo já fixado um novo máximo desde outubro do ano passado. Esta é a quinta sessão de agravamento nos juros de Portugal nas últimas seis sessões.

 

Na dívida alemã, que é a referência na Europa, a taxa das obrigações a 10 anos avança 1,2 pontos base para -0,337%, o nível mais elevado desde junho passado.

Euro sobe pelo segundo dia e libra acima de 1,4 dólares

No mercado cambial volta a ser uma sessão de debilidade para o dólar, depois de ontem terem sido revelados dados fracos sobre o mercado de trabalho e a secretária do Tesouro ter alertado para a fraca evolução da maior economia do mundo.

 

O euro avança pela segunda sessão, com um ganho de 0,22% para 1,1218 dólares. A libra também ganha terreno à divisa norte-americana, tendo superado 1,40 dólares pela primeira vez desde abril de 2018.

 

O Departamento norte-americano do Trabalho anunciou ontem que os novos pedidos de subsídio de desemprego totalizaram 861.000 na semana passada (contra 848.000 na precedente), em parte talvez devido às solicitações deste apoio estatal relacionadas com o encerramento temporário de fábricas automóveis decorrente de uma escassez mundial de chips semicondutores. Tratou-se da quarta semana consecutiva de aumento dos pedidos de subsídio de desemprego nos EUA.

 

A economia dos Estados Unidos ainda está "num buraco fundo", tornando desaconselháveis cortes ao pacote de estímulo de 1,9 biliões de dólares (1,57 mil milhões de euros) apresentado pelo Governo, afirmou ontem a secretária do Tesouro Janet Yellen.

 

Wall Street sobe com retoma das tecnológicas
Wall Street sobe com retoma das tecnológicas

Os principais índices acionistas norte-americanos abriram no verde, animados pela retoma dos títulos do setor tecnológico.

 

O Dow Jones segue a ganhar 0,26% para os 31.570,48 pontos, depois de na quarta-feira ter tocado nos 31.643,70 pontos, o valor mais alto de sempre.

 

Já o Standard & Poor’s 500 soma 0,19% para 3.921,82 pontos. Na negociação intradiária de terça-feira tocou nos 3.950,43 pontos – o que constituiu um novo máximo histórico – antes de fechar em baixa.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite desvalorizou 0,40% para 13.920,66 pontos. Na terça-feira, apesar de ter terminado no vermelho, chegou durante a sessão a fixar um novo recorde, nos 14.174,56 pontos.

 

Os intervenientes de mercado estiveram ontem desinvestir nas tecnológicas, aproveitando também para procederem à tomada de mais-valias depois do forte rally, mas hoje voltaram a ter apetite por este setor, o que está a animar a negociação.

 

As ações da Apple, Tesla, Microsoft e Facebook seguem a subir entre 0,5% e 1%, já distanciadas da pressão vendedora de ontem.

Texas prepara-se para aumentar produção e penaliza petróleo
Texas prepara-se para aumentar produção e penaliza petróleo

O petróleo segue a perder terreno nos principais mercados, dado que a situação de perturbação da oferta no sul dos EUA está a reverter.

O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, para entrega em março cede 0,61% para 60,15 dólares por barril

 

Já o contrato de março do Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, desliza 0,19% para 63,81 dólares.

 

Nos últimos dias, o "ouro negro" foi especialmente sustentado pelos nevões em importantes estados produtores do sul dos Estados Unidos, como o Texas, Novo México e Oklahoma, que levaram à suspensão das operações nos poços e refinarias.

 

Os investidores estiveram a comprar em força, devido aos receios de que os nevões – especialmente no Texas, o maior produtor do país – pudessem perturbar a produção dos EUA durante dias ou mesmo semanas.

 

No pico do mau tempo foi encerrrado o equivalente a cerca de quatro milhões de barris de capacidade de refinação e o corte de produção foi de pelo menos um milhão de barris por dia.

 

Mas o tempo está a melhorar e as empresas de energia do Texas já iniciaram os preparativos para reabrirem os seus campos de petróleo e gás, o que está a penalizar agora os preços.

Retoma da procura impulsiona ouro
Retoma da procura impulsiona ouro

O metal amarelo regressou aos ganhos, depois de ter aberto em baixa (na sétima sessão consecutiva no vermelho e em mínimos de sete meses).

 

O ouro a pronto (spot) segue a somar 0,32% para 1.781,26 dólares por onça no mercado londrino.

 

No mercado nova-iorquino (Comex), os futuros do ouro avançam 0,46%, para 1.781,60 dólares por onça.

 

A ajudar à tendência está o aumento da procura por ouro físico na Índia depois de os preços a nível local terem caído para o valor mais baixo desde junho do ano passado. Além disso, a procura está também a retomar noutros centros asiáticos depois da pausa de uma semana nas negociações para a celebração do Novo Ano Lunar.

 

"O metal precioso atingiu um novo mínimo de sete meses, nos 1.760 dólares, antes de mostrar algum impulso de repercussão para os 1.775 dólares. Estamos agora a ver um desafio interessante entre a tendência de alta de longo prazo e o movimento de baixa de curto prazo, que parece ser predominante na fase atual", sublinha Carlos Alberto de Casa, analista chefe da ActivTrades, na sua análise diária.

 

"Do ponto de vista técnico, ainda estamos com um sentimento negativo e apenas uma recuperação sólida acima dos 1.800 dólares acalmará a situação. Apesar de estar a subir no acumulado 2020, o ouro ainda está numa posição insegura, já que os investidores continuam a apostar em rendimentos crescentes nos EUA e a colocar dinheiro em ações, na esperança de retornos e lucros mais rápidos. Tudo isto também é apoiado pelas expectativas de uma recuperação sólida das economias este ano, principalmente graças ao lançamento dos programas de vacinas e ao declínio de novos casos de covid-19", acrescenta.

Europa ganha e termina com maior ciclo de perdas em quatro meses
As ações europeias terminaram esta última sessão da semana em alta, pondo fim à maior sequência de perdas desde outubro, numa altura em que os setores mais sensíveis à recuperação económica, como é o caso da banca, subiram.

O Stoxx 600 - índice que agrupa as 600 maiores cotadas da região - ganhou 0,5% na sessão desta sexta-feira e acumulou um ganho de 0,2% em toda a semana. 

Entre os setores, as empresas de exploração de minério avançaram 2,8% e o setor da banca ganhou 2,1%, com impulso do britânico NatWest, que anunciou um regresso ao pagamento de dividendos e que iria abandonar a sua sucursal na Irlanda.

Em foco estiveram também os resultados das empresas, com a Hermes e a Moncler a impressionarem as expectativas do mercado e a ajudarem o setor dos serviços e bens de consumo a ganhar 1,1% na sessão de hoje.

Em contramão esteve o setor da saúde (-1,1%), com as farmacêuticas de grande peso a desvalorizarem e a BioMerieux, que teve uma revisão em baixa por parte de uma casa de investimento.
Juros agravam na Zona Euro mas aliviam para Itália
O deslocamento dos investidores para ativos de maior risco refletiu-se esta sexta-feira novamente no agravamento das taxas de juro associadas às dívidas públicas dos países da Zona Euro, sendo o caso italiano a principal exceção a esta tendência.

A "yield" referente às obrigações de dívida italiana com prazo a 10 anos recua 2,5 pontos base para 0,621%, a primeira descida após seis sessões de subidas em que se observou um ajustamento face aos mínimos históricos que foram sendo renovados ante a expectativa de Mario Draghi chefiar o governo transalpino.

No entanto, agora que o ex-presidente do Banco Central Europeu já assumiu a chefia de um executivo de unidade nacional, são as declarações do recém-empossado primeiro-ministro que estão a reforçar a confiança dos mercados.

Draghi estabeleceu como principais prioridades a promoção da retoma económica e a luta contra a pandemia e assegurou que os dinheiros provenientes da chamada bazuca europeia serão determinantes para tornar a dívida pública transalpina sustentável.

Em sentido inverso, as "yields" correspondentes à dívida com maturidade a 10 anos de Portugal e Espanha sobe respetivamente 1,2 e 1,5 pontos base para 0,247% e para 0,352%. A "yield" lusa está assim em máximos de 6 de outubro e a espanhola de 8 de setembro.

Nota ainda para o forte agravamento da contrapartida exigida pelos investidores para comprarem dívida alemã a 10 anos no mercado secundário, com a "yield" referente às "bunds" germânicas a escalar 4 pontos base para -0,309% e negociar em máximos de junho do ano passado.
Maior apetência pelo risco eleva libra para máximos de 2018
As declarações feitas pelo líder do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, no Congresso norte-americano, assegurando que a Reserva Federal não deixará de atuar para garantir a resposta necessária aos efeitos causados pela crise sanitária está a pressionar o dólar e a deslocar as atenções dos investidores para ativos considerados menos seguros.

O dólar segue assim a depreciar pelo segundo dia consecutivo face a um cabaz composto por 10 divisas de economias desenvolvidas e emergentes.

Já o euro sobe 0,35% para 1,2134 dólares, na segunda sessão seguida a ganhar valor contra o dólar.

Por sua vez, a libra esterlina recua ligeiramente face ao euro, estando assim a recuar do máximo de março de 2020 ontem registado, e aprecia 0,33% contra o dólar para transacionar em máximos de abril de 2018 relativamente à moeda norte-americana.
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