Euforia da IA de regresso à Ásia. Petróleo recua para os 93 dólares
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados desta terça-feira.
Juros aliviam na Zona Euro com Trump a apontar para acordo de paz
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a alivar esta terça-feira, interrompendo uma série de duas sessões consecutivas de agravamentos, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter sinalizado otimismo em relação ao estado das negociações de paz com o Irão.
Já durante a madrugada, o líder norte-americano revelou que a diplomacia já se encontra na fase dos "últimos esforços" para alcançar um acordo, estimando um prazo de "dois a três dias" para que seja concluído. "Será um acordo muito, muito bom", disse aos jornalistas, embora não tenha retirado de cima da mesa uma possível intervenção militar.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, recuam 0,7 pontos-base, para os 3,052%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade perde 1,8 pontos-base, para 3,818%. Já em Itália, os juros deslizam 2,3 pontos-base, para 3,809%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos cede 1,3 pontos-base, para 3,422%, com a “yield” das obrigações espanholas a diminuir 1,4 pontos, para 3,486%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, seguem a tendência de descida e aliviam 2,4 pontos-base, atingindo os 4,919%.
Ouro avança com cautela apesar de suspensão das hostilidades no Médio Oriente
O ouro está a negociar com ganhos bastante ligeiros esta terça-feira, mesmo depois de o Irão e Israel terem anunciado que iam suspender a troca de ataques que marcou o arranque da semana e que acabou por deixar as negociações de paz entre Teerão e Washington sob ameaça.
O metal amarelo está a acelerar apenas 0,27% para 4.329,04 dólares por onça, depois de já ter encerrado a sessão do dia anterior praticamente inalterado. Apesar de o aumento das tensões geopolíticas tendencialmente beneficiar o ouro, o metal precioso tem vindo a perder terreno desde o estalar do conflito, muito devido à escalada nos preços da energia que têm levado os investidores a apostarem num ambiente de política monetária mais restritivo.
Uma vez que não rende juros, o ouro tende a desvalorizar quando se avizinham apertos monetários. A matéria-prima está a negociar 18% abaixo dos níveis em que se encontrava no período pré-guerra e já viu os seus ganhos anuais serem completamente apagados, à medida que os investidores aumentam as probabilidades da Reserva Federal (Fed) norte-americana avançar com uma subida nas taxas de juro.
Face a este cenário, o banco norte-americano Citi reduziu a sua previsão de preço do ouro para os próximos três meses de 4.300 dólares para 4.000 dólares por onça. "A longo prazo, mantemos uma visão otimista em relação ao ouro, mas acreditamos que o risco é extremamente elevado no curto prazo para quem não dispõe de horizontes de investimento a longo prazo", afirmaram os analistas da instituição financeira, numa nota a que a Bloomberg teve acesso.
Dólar afasta-se de máximos de dois meses após recuo das tensões no Médio Oriente
O dólar está a negociar com ligeiras quedas esta terça-feira, recuando dos máximos de dois meses que atingiu na sessão anterior, numa altura em que os investidores mostram-se um pouco mais otimistas em relação a um possível acordo de paz que ponha fim ao conflito que já dura há mais de quatro meses no Médio Oriente.
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa norte-americana face aos seus principais rivais - recua 0,13%, depois de ter tocado no nível mais elevado desde 7 de abril na segunda-feira. O euro acelera 0,04% para 1,1539 dólares, enquanto a libra ganha 0,17% para 1,3363 dólares e a "nota verde" salta 0,02% para 160,19 ienes - ultrapassando o nível que os mercados veem como de intervenção para as autoridades japonesas.
"Consideramos que os EUA e o Irão estão prestes a chegar a um acordo para prolongar o cessar-fogo e reabrir o estreito de Ormuz", escrevem Kristina Clifton e Samara Hammoud, estrategas cambiais do Commonwealth Bank of Australia, numa nota de "research" a que a Bloomberg teve acesso. "Se se chegar a um acordo, o dólar irá desvalorizar-se temporariamente devido a uma inversão dos fluxos de fuga para ativos seguros", acrescenta.
Para já, as negociações de paz continuam num impasse, com Teerão e Washington divididos em relação a uma série de tópicos, que incluem o controlo do estreito de Ormuz, o enriquecimento de urânio por parte da República Islâmica e ainda a relação entre Líbano e Israel. Mesmo assim, o Presidente norte-americano continua confiante em relação a um possível acordo e reafirmou, na segunda-feira, que os EUA vão declarar "vitória total" sobre o Irão nas próximas duas semanas.
Petróleo recua para os 93 dólares após sessão de grande volatilidade
Os preços do petróleo estão a recuar esta terça-feira, após terem registado uma sessão extremamente volátil no dia anterior, influenciados pelos desenvolvimentos no Médio Oriente. A troca de ataques entre Israel e Irão levou, inicialmente, os preços a dispararem mais de 5%, mas a pressão feita por Donald Trump, Presidente dos EUA, e o consequente anúncio da suspensão das ofensivas pelas duas partes acabaram por conseguir acalmar os investidores.
A esta hora, o Brent - crude de referência para a Europa - recua 1,14% para 93,26 dólares por barril, depois de ter terminado a sessão de segunda-feira com ganhos em torno de 1%. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - está mesmo a negociar abaixo da marca dos 90 dólares, com perdas de 1,46% para 89,95 dólares.
O crude continua assim a negociar "ao sabor das notícias" vindas do Médio Oriente, como explica Al Salazar, diretor de investigação sobre petróleo e gás da consultora Enverus, à Bloomberg. "Acreditamos que os preços ainda precisam de se manter firmemente na casa dos três dígitos para refletir plenamente os níveis de existências esgotados", acrescenta.
A troca de ataques registada no arranque da semana colocou as negociações para alcançar a paz no Golfo Pérsico em risco, com o Irão a acusar Israel de ter agido em coordenação com os EUA nas ofensivas lançadas contra a República Islâmica. Trump, pressionado internamente pela escalada nos preços da energia e com eleições à porta, apelou por diversas vezes a um refrear do conflito, numa altura em que as conversações dão poucos sinais de avanços e o estreito de Ormuz continua praticamente encerrado.
Já ao final do dia, o Presidente dos EUA afirmou que o país vai declarar "vitória total" na sua guerra contra o Irão nas próximas duas semanas. O líder norte-americano afirmou que as negociações continuam e reiterou que os preços do petróleo vão cair assim que o conflito terminar.
Euforia da IA de regresso à Ásia. Sul-coreano Kospi dispara 8%
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta terça-feira em território positivo, num movimento de recuperação face às grandes perdas do dia anterior, numa altura em que os investidores aproveitam o "sell-off" mais recente no setor da inteligência artificial (IA) para reforçaram as suas posições.
As tensões no Médio Oriente também acabaram por acalmar, depois de o Irão e Israel terem anunciado que iam suspender os ataques na segunda-feira. O fim de semana terminou com uma escalada no conflito, com Teerão a responder aos ataques de Tel Aviv no Líbano com uma nova ofensiva. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, ainda ignorou os primeiros pedidos do Presidente dos EUA, Donald Trump, para não retaliar, mas acabou por ceder assim que o líder norte-americano aumentou a pressão.
Neste contexto, o MSCI Asia Pacific chegou a acelerar mais de 3% esta sessão, tendo entretanto reduzido os ganhos para 2,78%, depois de ter registado a pior sessão desde março na segunda-feira. O sul-coreano Kospi terminou a negociação a saltar mais de 8%, beneficiando de um retorno dos investidores à negociação de IA, com as duas gigantes do setor Samsung e SK Hynix a dispararem 8,8% e 15,8%, respetivamente.
"Uma correção era inevitável e, em última análise, saudável para que este mercado em alta se prolongasse até ao final do ano", afirma Mike Wilson, estratega de ações dos EUA do Morgan Stanley, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. O banco norte-americano manteve a sua perspetiva otimista para as ações do país, apoiada em resultados financeiros e dados económicos sólidos.
Mesmo assim, a euforia não deve chegar à Europa. A negociação de futuros do Euro Stoxx 50 aponta para uma abertura em território negativo, com uma queda ligeira em torno dos 0,3% - o que se deve muito à baixa concentração de empresas ligadas ao setor da IA na sua composição. O principal índice da região, o Stoxx 600, também acabou por não ser tão fustigado pelo "sell-off" do dia anterior como as praças asiáticas, terminando a sessão com perdas de apenas 0,15%.
Entre as principais praças asiáticas, os chineses Hang Seng e Shanghai Composite aceleraram 0,3% e 1,21%, respetivamente, enquanto o japonês Nikkei 225 saltou 2,13%. Já o australiano S&P/ASX 200 contrariou a tendência dos seus pares, ao ceder 0,24%.