Mercados num minuto Fecho dos mercados: Bolsas europeias em mínimos de dois meses. Ouro em máximos de seis anos

Fecho dos mercados: Bolsas europeias em mínimos de dois meses. Ouro em máximos de seis anos

A imposição de mais tarifas por parte dos EUA e a retaliação cambial da China arrastaram as bolsas para terreno negativo em todo o mundo. Já os juros das dívidas soberanas, o ouro e a bitcoin saíram beneficiados.
Fecho dos mercados: Bolsas europeias em mínimos de dois meses. Ouro em máximos de seis anos
Reuters
Tiago Varzim 05 de agosto de 2019 às 17:40

Os mercados em números
PSI-20 desceu 1,07% para os 4.851,53 pontos
Stoxx 600 caiu 2,31% para os 369,43 pontos
S&P 500 desvaloriza 2,3% para 2.864,53 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos recuaram 0,7 pontos base para 0,28%
Euro avança 0,8% para 1,1197 dólares
Petróleo recua 2,1% para os 60,59 dólares por barril em Londres 

Bolsas europeias em mínimos de dois meses pela mão de Trump
As bolsas asiáticas afundaram, levaram de arrasto as bolsas europeias e as bolsas norte-americanas caminham para o mesmo destino. As cotadas estão pintadas de vermelho em todo o mundo devido ao escalar da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China.

Prosseguem assim as quedas das ações na sequência de Donald Trump ter imposto mais tarifas que vão abranger todos os bens chineses. Entretanto, a China "retaliou" com uma desvalorização da moeda, o que tende a beneficiar as suas exportações. Além disso, a China mandou parar as importações de bens alimentares norte-americanos. 

O aumento do protecionismo a nível mundial é o principal catalisador das descidas das bolsas que se observaram nas últimas duas sessões, apesar de a Fed ter baixado os juros na semana passada (o que tende a favorecer a valorização dos ativos financeiros) e da época de resultados não ter sido tão negativa como o antecipado - apesar de as perspectivas apresentadas pelas empresas não serem positivas. 

"A guerra comercial está agora a intensificar-se e é possível que comece uma guerra cambial", antecipa Chris Zaccarelli, analista da Independent Advisor Alliance, à Bloomberg, assinalando que nenhum desses dois fatores é bom para a economia mundial. "Ambos [fatores] irão afetar os mercados bolsista", concluiu. 

O Stoxx 600, o índice que agrega as 600 principais cotadas europeias, fechou com uma desvalorização de 2,31% para os 369,43 pontos, atingindo mínimos de dois meses (4 de junho). Todos os setores estiveram em queda com o tecnológico a destacar-se com uma perda superior a 3%.  

As principais praças europeias também registaram quedas entre 1% e 4%. Em Lisboa, o PSI-20 fechou com uma descida de 1,07% para os 4.851,53 pontos, atingindo um mínimo de sete meses. O destaque vai para o BCP dado que o banco já acumula uma descida de 24% nas últimas três semanas.

Juros soberanos cada vez mais negativos 
É uma tendência deste ano que veio para ficar. Com a Reserva Federal a baixar os juros, aumentou a pressão para outros bancos centrais de todo o mundo - incluindo o Banco Central Europeu (BCE) - mimetizarem esse passo. A expectativa de juros mais baixos assim como o impacto negativo das tarifas comerciais entre os EUA e a China na economia mundial estão a beneficiar as obrigações soberanas.

No mercado secundário, as taxas de juro da dívida pública da Alemanha e da Holanda em todos os prazos até aos 30 anos já são negativas - e cada vez mais negativas. Os juros norte-americanos a dez anos estão em mínimos do final de 2016: baixam 8,8 pontos base para os 1,759%.

Os juros portugueses a dez anos também atingiram um mínimo histórico na sessão de hoje, negociando novamente abaixo dos 0,3%. No final da sessão, os juros nacionais baixaram 0,7 pontos base para os 0,28%, ficando muito próximos dos juros espanhóis no mesmo prazo (0,24%). 

Yuan em mínimos de 11 anos. Bitcoin em máximos de três semanas
Esta tem sido uma sessão agitada para as moedas. A divisa chinesa atingiu um mínimo de 11 anos, após o banco central chinês ter fixado uma taxa de câmbio esta manhã que sinalizou aos investidores uma desvalorização futura. Neste momento, são necessários mais de sete yuans para ter um dólar, ultrapassando-se assim aquela que se considerava ser a "barreira psicológica" (7). 

O Banco Popular da China, que dirige a política monetária, veio rapidamente esclarecer que não quer manipular a moeda para ganhos competitivos ou como arma da disputa comercial, justificando a queda do yuan com os desenvolvimentos externos. Isto é, a implementação de novas tarifas por parte dos EUA, uma medida anunciada na semana passada e que Trump admite agravar ainda mais.

O yuan perde 1,63% face ao dólar, atingindo os 0,14 dólares. Ou, dito de outra forma, o dólar valoriza 1,72% face ao yuan para os 7,09 yuans. 

A beneficiar da queda do yuan e mostrando-se neste momento como uma espécie de "ouro digital" está a bitcoin. A criptomoeda mais famosa e valiosa está a apreciar mais de 13%, tendo superado os 11 mil dólares atingindo máximos de três semanas. 

O iéne, a divisa japonesa, também valorizou dado o seu estado de ativo de refúgio, beneficiando do impacto negativo das tensões comerciais.

O euro valorizou 0,8% face à divida norte-americana para os 1,1197 dólares.

Petróleo tropeça com menos procura à vista
O "ouro negro" está a ser penalizada pela perspetiva de que haja menos procura por petróleo no futuro se se confirmar a desaceleração ainda mais expressiva da economia mundial por causa da disputa comercial. A desvalorização do yuan também torna menos atrativa a importação de petróleo por parte da China, um dos países que está a desenvolver mais rapidamente alternativas energéticas.

Neste momento, o WTI, negociado em Nova Iorque, desvaloriza 0,75% para os 55,24 dólares ao passo que o Brent, negociado em Londres e que serve de referência para as importações portuguesas, desvaloriza 2,1% para os 60,59 dólares.

Ouro em máximos de seis anos
O "metal precioso" atingiu máximos de mais de seis anos ao beneficiar do seu estatuto de ativo de refúgio. Com a procura por esse tipo de ativos a aumentar por causa da disputa comercial, o ouro chegou a valorizar mais de 1,5%, aproximando-se assim dos 1.500 dólares por onça.

Este ano o ouro já acumula uma valorização de 15% por causa das incertezas geopolíticas, as preocupações com a desaceleração económica e a perspetiva de uma política monetária mais acomodatícia. "O ouro deverá brilhar por algum tempo", antecipa Edward Moya, analista da Oanda Corp, à Bloomberg. 

O ouro sobe 1,52% para os 1.462,7 dólares por onça, atingindo um máximo de maio de 2013.




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