Mercados num minuto Fecho dos mercados: Coronavírus arrasa bolsas para mínimos de quatro meses e Boris derruba libra

Fecho dos mercados: Coronavírus arrasa bolsas para mínimos de quatro meses e Boris derruba libra

As bolsas europeias recuaram para mínimos superiores a quatro meses e o crude para a cotação mais baixa em mais de um ano devido à preocupação crescente quanto à evolução e impacto do Covid-19. Admissão de “no deal” por Londres deixa libra em mínimo superior a um mês.
Fecho dos mercados: Coronavírus arrasa bolsas para mínimos de quatro meses e Boris derruba libra
EPA
David Santiago 27 de fevereiro de 2020 às 17:24

Os mercados em números

PSI-20 recuou 3,10% para 4.952,15 pontos

Stoxx 600 perdeu 3,75% para 389,45 pontos

S&P500 cai 2,10% para 3.050,90 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos avançam 10,1 pontos base para 0,365%

Euro aprecia 0,94% para 1,0983 dólares

Petróleo em Londres cai 3,05% para 51,80 dólares por barril

 

Europa em mínimos de outubro
As principais bolsas europeias regressaram às quedas na sessão desta quinta-feira, intensificando mesmo a tendência de perdas anteriormente verificada devido aos receios cada vez maiores quanto ao coronavírus.

 

O índice de referência do velho continente, o Stoxx600, perdeu 3,75% para 389,45 pontos, para transacionar em mínimos de 11 de outubro com todos os setores a penalizar, pese embora o setor do turismo tenha registado a maior desvalorização com uma queda superior a 5%. O "sell-off" nos mercados bolsistas levou mesmo o setor financeiro da Europa a atingir a maior queda intradiária desde o dia seguinte ao referendo britânico de 2016 que deu a vitória ao Brexit.

 

O índice luso PSI-20 negociou em linha com as congéneres europeias, terminando o dia a recuar 3,10% para 4.952,15 pontos (tocou em mínimos de 10 de outubro), enquanto a bolsa da Grécia acabou mesmo por afundar para a cotação mais baixa desde maio de 2019.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que se está a chegar ao ponto em que a epidemia do coronavírus poderá mesmo assumir proporções de pandemia global, o que está a agravar a preocupação dos investidores quanto ao impacto do vírus chinês para a evolução da economia mundial. Isto numa altura em que o ritmo de crescimento de novos casos é maior fora da China do que dentro das fronteiras chinesas, o que não se tinha ainda verificado desde que foi identificado o surto.

 

Em resultado do deteriorar das perspetivas económicas, o Goldman Sachs cortou para zero a projeção para o crescimento dos lucros das empresas norte-americanas e a Alemanha está mesmo a estudar medidas de estímulo para evitar uma estagnação. Neste contexto, os investidores privilegiam ativos considerados mais seguros e afastam-se dos que têm maior risco incorporado, como são exemplo os títulos acionistas.  

 

Covid-19 penaliza juros dos periféricos e ajuda obrigações alemãs
A generalidade das taxas de juro dos países da Zona Euro agravaram-se, exceção feita para a "yield" das obrigações germânicas. Isto porque a perspetiva de uma pior conjuntura económica em 2020 favorece um movimento de aposta em ativos seguros como é o caso da dívida germânica, que serve de referência para a área da moeda única.

 

Assim, a "yield" correspondente aos títulos de Portugal com maturidade a 10 anos escala 10,1 pontos base para 0,365%, estando assim a negociar no mercado secundário em máximos de 24 de janeiro. Já a taxa de juro associada às obrigações soberanas de Itália no mesmo prazo, que avança pelo quinto dia consecutivo, sobe 7,9 pontos base para negociar em máximos de 27 de janeiro.

 

Em sentido inverso, a "yield" referente às obrigações alemãs a 10 anos recua 4,8 pontos base para -0,556%, o que significa que o juro exigido pelos investidores para comprarem dívida alemã nesta maturidade está em mínimos de 9 de outubro do ano passado.

 

Euro avança e libra perde terreno com medo de "no deal"

A moeda única europeia aprecia-se em 0,94% para 1,0983 dólares, estando a transacionar nos mercados cambiais em máximos de 6 de fevereiro contra a divisa norte-americana. A subida do euro justifica-se sobretudo pela desvalorização do dólar face às principais moedas mundiais, o que acontece depois de o Goldman Sachs ter cortado as projeções dos lucros das cotadas dos Estados Unidos.

Já a libra perde mais de 1% para negociar em mínimos de 20 de janeiro face ao euro, depreciação provocada pelo mandato negocial aprovado pelo governo britânico com vista ao Brexit, o qual determina que se, até junho, não houver desenvolvimento na negociação de um acordo comercial bilateral entre Londres e Bruxelas, o Reino Unido começará a preparar um cenário de "não acordo" para o dia 1 de janeiro de 2021.

 

Brent perde 3% para mínimos superiores a dois anos
O preço do petróleo segue em forte queda nos mercados internacionais, com o Brent, negociado em Londres e utilizado como referência para as importações nacionais, a perder 3,05% para 51,80 dólares por barril. A quinta desvalorização seguida atirou o Brent para a cotação mais baixa desde 26 de dezembro de 2018.

 

Em Nova Iorque, também o West Texas Intermediate (WTI) recua pela quinta sessão para transacionar em mínimos de janeiro de 2019.

 

O valor do crude está em queda devido à apreensão quanto a um potencial menor nível de procura global pela matéria-prima num contexto de quebra da atividade económica e também porque foi o crescimento observado das reservas petrolíferas dos Estados Unidos ficou aquém das estimativas dos analistas.

 

Ouro mantém-se em alta
O metal precioso está a valorizar pelo segundo dia, ao somar ligeiros 0,09% para 1.642,73 dólares por onça. O ouro vê o respetivo valor enquanto ativo de refúgio reforçado devido ao coronavírus e também à queda do dólar.




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