Mercados num minuto Fecho dos mercados: Itália provoca nova queda nas bolsas e eleva juros

Fecho dos mercados: Itália provoca nova queda nas bolsas e eleva juros

As bolsas europeias fecharam com quedas significativas, ao mesmo tempo que os juros dos países periféricos subiram, num dia em que os receios em torno de Itália voltaram ao radar dos investidores. O ouro tocou em mínimos de Dezembro e a libra está a subir a beneficiar da expectativa de subidas de juros no Reino Unido.
Fecho dos mercados: Itália provoca nova queda nas bolsas e eleva juros

Os mercados em números

PSI-20 desceu 1,13% para 5.471,65 pontos

Stoxx 600 subiu 0,90% para 380,85 pontos

S&P 500 cai 0,30% para 2.759,00 pontos 

"Yield" a 10 anos de Portugal sobe 9,7 pontos base para 1,845%

Euro sobe 0,28% para 1,1605 dólares

Petróleo deprecia 1,69% para 73,48 dólares por barril em Londres

 

Bolsas europeias recuam com Itália e sector automóvel a pressionar

As principais praças europeias fecharam a sessão desta quinta-feira, 21 de Junho, a negociar em terreno negativo, com o índice de referência europeu Stoxx 600 a recuar 0,90% para 380,85 pontos, penalizado em especial pelo sector automóvel que perdeu acima de 3% na sessão. O índice que agrega as 600 maiores cotadas do Velho Continente tocou mesmo em mínimos de 26 de Abril.

O PSI-20 seguiu a tendência de perdas com uma queda de 1,13% para 5.471,65 pontos, na terceira sessão seguida em que o principal índice nacional transaccionou em terreno negativo e em que transaccionou em mínimos de 31 de Maio. Já a bolsa italiana liderou as perdas ao cair 2% para mínimos de 8 de Junho.

A justificar o pessimismo na Europa está o receio dos investidores quanto aos efeitos para o projecto europeu e futuro do euro decorrente da escolha, por parte do governo transalpino, de dois eurocépticos da Liga para liderarem as comissões das áreas económica e financeira das duas câmaras do parlamento da Itália. Por outro lado, também a Daimler (dona da Mercedes), que caiu 4,32% para 57,84 euros (mínimos de Julho de 2016), penalizou face ao possível impacto da imposição de tarifas aduaneiras mais pesadas pelos Estados Unidos à importação de automóveis.

 

Juros registam a maior subida desde a crise política em Itália

As taxas de juro associadas à dívida de Portugal e de Itália registaram subidas significativas, num dia em que os investidores reflectiram na negociação novos receios em torno de Roma. Dois responsáveis políticos da Liga foram escolhidos para liderar duas comissões de Finanças. Os dois eurocépticos, Claudio Borghi e Alberto Bagnai, vão liderar a Comissão de Orçamento, no Parlamento, e a Comissão das Finanças, no Senado. A reacção dos investidores não se fez esperar, provocando subidas dos juros do país e arrastando outros periféricos, como o caso de Portugal.

A taxa de juro associada à dívida de Portugal a 10 anos sobe 9,7 pontos base para 1,845%. Já a taxa italiana avança 18,3 pontos para 2,732%. Em ambos os casos são as subidas mais pronunciadas desde que a crise política se intensificou em Itália, quando Giuseppe Conti bateu com a porta e desistiu de formar governo, após o chumbo por parte do presidente da República do nome escolhido para a pasta das Finanças. A situação foi resolvida e os investidores reduziram a pressão. Mas as escolhas conhecidas esta quinta-feira voltaram a minar a confiança. 
 

Taxa Euribor a nove meses recua

As taxas Euribor estabilizaram em todos os prazos, à excepção do prazo a nove meses, que cedeu 0,001 pontos para -0,214%. Já a taxa a três meses manteve-se nos -0,323%, pela quarta sessão consecutiva, enquanto a Euribor a seis meses se fixou nos -0,268%. A taxa a 12 meses manteve-se nos -0,182%.

 

Dólar alivia de máximos. Libra sobe após reunião do Banco de Inglaterra

O dólar atingiu esta quinta-feira o valor mais elevado em quase um ano, com os investidores a apostarem na moeda, num ambiente em que se perspectivam mais duas subidas de juros nos EUA até ao final do ano e em que a guerra comercial com a China está a elevar a especulação de um aumento da inflação. O que a acontecer poderá obrigar a mais subidas de juros.

 

Já no Reino Unido, as conclusões saídas da reunião do Banco de Inglaterra aumentaram a expectativa de que o banco central decida aumentar a taxa de juro em Agosto. Esta especulação elevou a libra.

 

Petróleo cai à espera da OPEP

Os preços do petróleo estão a descer no mercado internacional, um dia antes dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) se reunirem em Viena. Desta reunião prevê-se que saia um acordo para o aumento de produção. E os investidores especulam que a Arábia Saudita tente convencer os parceiros do cartel a elevarem as suas quotas de produção. O barril do Brent, negociado em Londres e referência para Portugal, está a descer 1,69% para 73,48 dólares.

 

Ouro deixa de estar nas boas graças dos investidores

O metal amarelo continua a perder terreno, estando hoje a marcar a quinta sessão consecutiva no vermelho – a pior série num ano. Há vários factores que levam a que o ouro não esteja a ser procurado nesta altura de tensões comerciais e que esteja assim a perder o estatuto de valor-refúgio: o dólar está a subir, o que torna menos atractivos os investimentos em activos denominados na nota verde, como é o caso deste metal precioso; as bolsas norte-americanas mantêm-se resilientes; e há perspectivas de um maior endurecimento da política monetária dos EUA, o que implica que a Fed possa acelerar a subida de juros. A juntar a tudo isto está a inconstância do presidente norte-americano. Donald Trump tem mudado muitas vezes de ideias, pelo que os investidores não estão a refugiar-se no ouro como de costume.

O ouro, que já caiu mais de 4% desde o início de Abril, depois de três trimestres de saldo positivo, segue a cair 0,10% em Nova Iorque para 1.266,31 dólares por onça, tendo já tocado em mínimos de 20 de Dezembro do ano passado.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI