Mercados num minuto Fecho dos mercados: Juros da Alemanha no valor mais baixo de sempre com Zona Euro a desacelerar e bancos centrais a cortar

Fecho dos mercados: Juros da Alemanha no valor mais baixo de sempre com Zona Euro a desacelerar e bancos centrais a cortar

As principais praças europeias encerraram o dia sem tendência definida, numa altura em que a atenção dos investidores está voltada para a decisão da Fed, que deverá anunciar a primeira descida dos juros diretores em 10 anos. Horizonte de menos juros e sinais económicos negativos, em especial na área do euro, atiram juros da dívida alemã para um novo mínimos histórico.
Fecho dos mercados: Juros da Alemanha no valor mais baixo de sempre com Zona Euro a desacelerar e bancos centrais a cortar
Reuters

Os mercados em números

PSI-20 deslizou 0,37% para 5.010,90 pontos

Stoxx 600 cresceu 0,17% para 385,77 pontos

S&P 500 valoriza 0,13% para 3.017,07 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos caem 6 pontos base para 0,338%

Euro deprecia-se em 0,19% para 1,1134 dólares

Petróleo em Londres sobe 0,77% para 65,22 dólares por barril

Bolsas sem rumo definido à espera de definição da Fed

As principais bolsas europeias negociaram sem tendência definida na sessão desta quarta-feira, 31 de julho, com diversas praças a transacionar em alta e várias em queda. O índice de referência europeu ganhou 0,17% para 385,77 pontos, impulsionado pela subida do setor do retalho e com o setor imobiliário a travar um ganho mais expressivo. Este foi o segundo mês consecutivo de valorização do Stoxx600.

 

Já o lisboeta PSI-20 acumulou a sexta queda seguida (ciclo mais longo de perdas desde maio) num dia em que perdeu 0,37% para 5.010,90 pontos e em que renovou os mínimos de 4 de junho já registados na sessão bolsista de terça-feira.

 

Os investidores europeus confirmaram estar sobretudo na expectativa da decisão que a Reserva Federal dos Estados Unidos vai anunciar hoje, no final do encontro de dois dias. Os mercados acreditam que a Fed vai baixar os juros diretores para estimular o crescimento da maior economia mundial, o que, a acontecer, será a primeira descida do custo do dinheiro em 10 anos decidida pelo banco central dos Estados Unidos.

 

Dólar sobe há nove sessões com Zona Euro mais frágil

O dólar valoriza pelo nono dia seguido no índice da Bloomberg, que avalia o comportamento da moeda norte-americana contra um cabaz das principais divisas mundiais. Os dados negativos conhecidos nas duas maiores economias da moeda única (Alemanha e França) e o menor crescimento dos últimos cinco anos registado no segundo trimestre na área do euro ajudam a fortalecer o dólar.

 

Assim, o euro perde 0,19% para 1,1134 dólares. Já a libra está a valorizar nos mercados cambiais pela primeira vez em cinco sessões, estando a ganhar terreno face ao dólar e ao euro. A divisa britânica vinha perdendo valor devido ao receio quanto a um Brexit sem acordo, cenário reforçado pela chegada ao poder do eurocético Boris Johnson, que rejeita negociar um compromisso com a União Europeia enquanto Bruxelas não abdicar da exigência de um mecanismo de salvaguarda para a fronteira irlandesa.

 

Juros da dívida alemã estabelecem novo mínimo histórico

As taxas de juro associadas às dívidas públicas dos Estados-membros da Zona Euro mantêm a tendência de queda, o que decorre sobretudo da pressão exercida sobre o Banco Central Europeu no sentido de uma descida dos juros dos depósitos e da adoção de um novo programa de compra de ativos já em setembro.

 

Os últimos indicadores económicos conhecidos no bloco do euro, em particular o facto de a área da moeda única ter crescido apenas 1,1% no segundo trimestre, a menor expansão em cinco anos, vem reforçar a pressão para que o BCE volte a intensificar as respetivas políticas monetárias de estímulo económico.

 

Esta envolvente levou a "yield" correspondente aos títulos soberanos alemães (bunds) a 10 anos para o valor mais baixo de sempre (-0,4375%). A taxa de juro alemã a 10 anos recuou mesmo para um valor inferior à taxa de depósitos praticada pelo BCE, o que nunca havia acontecido.

 

Nos periféricos do euro também se deu continuidade à tendência de alívio. A taxa de juro correspondente à dívida soberana de Portugal com maturidade a 10 anos recua 6 pontos base para 0,338% e a "yield" associadas aos títulos de Espanha no mesmo prazo cai 6,6 pontos base para 0,279%. Ambas recuam pelo terceiro dia consecutivo.

 

Movimento igual ao verificado nas "yields" associadas às dívidas de Itália e Grécia a 10 anos, que caem respetivamente 4,2 e 3,1 pontos base para 1,540% e 2,006%.

Petróleo ganha terreno com queda de stocks nos EUA

Os preços do petróleo seguem em alta nos principais mercados internacionais, a negociarem em máximos de mais de duas semanas, com a forte procura típica do verão a ajudar a escoar os inventários. Paralelamente, os stocks norte-americanos de crude caíram em 8,5 milhões de barris na semana passada, naquela que foi a sétima diminuição semanal consecutiva das reservas de ouro negro dos EUA. Este recuo foi superior ao que era estimado pelos analistas e por toda a indústria petrolífera. Também os stocks de gasolina e destilados diminuíram, aliviando parte dos receios quanto a um abrandamento do consumo devido à desaceleração económica.

 

O contrato de setembro do West Texas Intermediate (WTI), crude de referência para os EUA que é negociado em Nova Iorque, segue a ganhar 0,65% para 58,43 dólares por barril. No mercado londrino, o Brent do Mar do Norte para entrega em setembro avança 0,77% para 65,22 dólares.

 

Ouro em máximos de seis anos com estatuto de valor-refúgio

O ouro continua a ganhar terreno, a caminho do seu terceiro ganho mensal consecutivo e a transacionar em torno de um máximo de seis anos, sustentado pelos sinais de flexibilização da política monetária por parte de importantes bancos centrais, como o BCE e a Fed. Além disso, os riscos a nível global – como os sinais de abrandamento económico, intensificados pelas últimas previsões do Fundo Monetário Internacional – proliferam e o metal amarelo está a ver ser reforçado o seu estatuto de valor-refúgio.

 

O ouro para entrega imediata segue a somar 0,48% para 1.425,90 dólares por onça em Londres, ao passo que os futuros do metal amarelo estão a revelar algum nervosismo de última hora, a menos de duas horas da decisão da Fed sobre os juros, seguindo a deslizar 0,27% no mercado nova-iorquino, para 1.427,06 dólares por onça.

 




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