Mercados num minuto Fecho dos mercados: Petróleo dispara 11% e Europa cai na sombra de tarifas EUA-Europa e tensões no Médio Oriente

Fecho dos mercados: Petróleo dispara 11% e Europa cai na sombra de tarifas EUA-Europa e tensões no Médio Oriente

Os mercados bolsistas vivem um sentimento negativo numa altura em que a possibilidade de imposição de tarifas à Europa por parte dos Estados Unidos está mais viva e o ataque à produção de petróleo saudita dita tensões no médio oriente, ameaçando, paralelamente, a economia mundial.
Fecho dos mercados: Petróleo dispara 11% e Europa cai na sombra de tarifas EUA-Europa e tensões no Médio Oriente
Bloomberg

Os mercados em números

PSI-20 valorizou 0,45% para 5.071,60 pontos

Stoxx 600 perdeu 0,58% para os 389,53 pontos

S&P500 desce 0,48% para os 2.993,03 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos caem 4,9 pontos base para os 0,266%

Euro desliza 0,59% para os 1,1008 dólares

Petróleo em Londres avança 11,87% para os 67,37 dólares o barril


Europa quebra na quinta sessão

A maioria das principais praças europeias terminou o dia em terreno negativo. A Europa segue apreensiva num dia em que a hipótese de o presidente dos Estados Unidos vir a impor sanções ao bloco europeu ganhou vida. A comissária europeia responsável pela pasta do Comércio, Cecilia Malmstrom, confirmou esta segunda-feira, 16 de setembro, as notícias de que os Estados Unidos receberam luz verde da Organização Mundial do Comércio (OMC) para impor tarifas à Europa, na sequência da acusação de que a francesa Airbus terá recebido apoios indevidos e que prejudicam a concorrente americana Boeing. Paralelamente, a comissária assumiu que a maior economia do mundo não tem mostrado abertura para negociar as eventuais sanções, apesar de a Europa sublinhar que está contra a política de imposição de tarifas. 

A pressionar os mercados internacionais estão ainda as tensões no médio-oriente, decorrentes do ataque com dez drones a instalações da Saudi Aramco, no passado sábado, ter provocado uma quebra de 5,7 milhões de barris diários, o equivalente a 5% da produção mundial. As suspeitas de que o Irão estará por detrás do ataque poderão levar a um azedar nas relações internacionais, tendo o presidente dos Estados Unidos afirmado que está a postos para atuar.

O agregador das 600 maiores cotadas europeias, o Stoxx600, perdeu 0,58% para os 389,53 pontos, depois de ter contado quatro sessões consecutivas a subir. As cotadas dos setores dos produtos domésticos, banca e químicos foram as mais penalizadas, com quebras superiores a 1%.

Já em Portugal a tendência foi a inversa. O PSI-20 valorizou 0,45% para 5.071,60 pontos e atingiu mesmo um máximo do final de julho, contabilizando a quinta sessão de ganhos. A impulsionar esteve a petrolífera Galp, a qual avançou mais de 3%.

Juros aliviam perante stress nas ações

A tendência no mercado de dívida é de alívio, numa altura em que os investidores se retraem no investimento em ações tendo em conta a incerteza vivida na política e economia mundiais.

A referência na Europa, os juros das obrigações alemãs, aliviam 3,4 pontos base para os -0,484%. Em Portugal o desagravamento é de 4,9 pontos base para os 0,266%, pelo que o prémio da dívida portuguesa face à alemã se coloca nos 75 pontos base. As obrigações portuguesas beneficiam também com o facto de a S&P ter na sexta-feira melhorado a perspetiva do rating BBB que atribui à dívida soberana portuguesa.

Euro desliza com petróleo a ajudar dólar

A moeda única europeia afundou 0,59% para os 1,1008 dólares, tendo mesmo tocado um mínimo de 3 de setembro e voltado a descer abaixo da fasquia dos 1,10 dólares. A divisa norte-americana beneficia numa altura em que as moedas dos países exportadores de petróleo disparam, tendo em conta a subida a pique das cotações da matéria-prima. A coroa norueguesa disparou 0,8% face ao dólar e o dólar canadiano subiu 0,6% face à nota verde.

Petróleo dispara 11% com disrupção na oferta

O petróleo registou esta segunda-feira, 16 de setembro, a sua maior subida percentual de sempre num só dia. 

 

Em causa está o ataque com drones às instalações da Saudi Aramco, a maior empresa de produção de petróleo do mundo situada na Arábia Saudita, o que vai colocar em causa 5% da oferta mundial. Os responsáveis da empresa avisaram que retomar à normalidade ainda pode demorar algum tempo. 

 

"Nunca se viu uma disrupção da oferta e uma resposta do preço como esta no mercado do petróleo", refere o analista do Credit Suisse, Saul Kavonic, em declarações à Bloomberg. 

 

O WTI, negociado em Nova Iorque, valoriza 11,43% para os 61,13 dólares ao passo que o Brent, negociado em Londres e que serve de referência para as importações portuguesas, avança 11,87% para os 67,37 dólares. Na abertura da sessão, em Singapura, o Brent chegou a disparar perto de 20%.

 

Ouro regressa ao patamar dos 1.500 dólares

O ataque com drones à produção de petróleo na Arábia Saudita também está a influenciar a cotação do ouro. O metal precioso está a beneficiar do aumento da probabilidade de uma ação militar de retaliação por parte dos EUA no Médio Oriente. O secretário de Estado norte-americano já culpou o Irão pela disrupção na oferta de petróleo, algo rejeitado por Teerão.

 

Além disso, a subida do petróleo também tende a ser negativa para os países que não o produzem, penalizando os custos das empresas, o que constitui mais um fator negativo para o risco de recessão.

 

Mas o ouro, um ativo considerado de refúgio, beneficia também dos investidores estarem neste momento a aguardar a decisão de política monetária da Reserva Federal agendada para quarta-feira. A expectativa é que os juros desçam, mas não há certezas. 

 

O ouro está a valorizar 1,01% para os 1.503,6 dólares, regressando ao patamar dos 1.500 dólares que tinha deixado na semana passada e negociando perto de máximos de seis anos que foram atingidos este mês. Na semana passada, a descida dos juros por parte do BCE levou à subida das bolsas e à queda do ouro.




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