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Fecho dos mercados: Semana negra nas bolsas e petróleo com pior período em quatro anos

Esta semana saiu muito dinheiro das bolsas europeias, com os investidores a recearem as tensões comerciais e a desaceleração económica mundial, a par com a subida dos juros por parte do banco central norte-americano. Já o petróleo vai a caminho da pior semana em quatro anos.

As bolsas mundiais viveram um período dourado de ganhos. Mas a chegada de 2018 inverteu a tendência de ganhos nos mercados financeiros globais. Após anos de máximos e com um nível de volatilidade crescente nos mercados, os especialistas recomendam maior cautela na hora de investir. A aposta recai em empresas de qualidade. 

'O foco continua a estar no crescimento do lucro por acção e nos nomes que podem entregar este crescimento a médio prazo', refere a Amundi. A gestora alerta para uma rotação no mercado para empresas de maior qualidade e realça que prefere empresas norte-americanas, devido ao ambiente de forte subida dos lucros e 'ao facto de os riscos relacionados com a regulação terem sido identificados e descontados [no valor das cotações]. A Pictet também aponta uma estratégia mais defensiva, identificando oportunidades no sector do consumo e da saúde, ao mesmo tempo que passou a assumir uma posição 'neutral' no sector financeiro, face aos riscos actuais.

'No bloco europeu, os sectores de telecoms e 'utilities' continuam a apresentar múltiplos de PER com o maior desconto face à mediana, sendo penalizados pela superior
alavancagem dos seus balanços', nota o BiG, no seu 'outlook' para o terceiro trimestre. O sector industrial, de cuidados de saúde e consumo são outros em que o banco vê oportunidades na Europa.
Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 21 de Dezembro de 2018 às 17:27
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Os mercados em números

PSI-20 perdeu 0,53% para 4.649,97 pontos

Stoxx 600 recuou 0,33% para 335,46 pontos

S&P 500 avança 0,10% para 2.469,94 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal sobe 2 pontos base para 1,675%

Euro cede 0,39% para 1,1401 dólares

Petróleo desvaloriza 0,98% para 53,82 dólares por barril em Londres

 

Bolsas no vermelho

A bolsa nacional fechou em baixa esta sexta-feira, com o PSI-20 a recuar 0,53% para 4.649,97 pontos e com 13 cotadas no vermelho.

A pressionar o índice de referência nacional esteve sobretudo o BCP, que caiu 2,18% para 0,23 euros. Também a EDP Renováveis contribuiu para o mau desempenho da praça lisboeta, com uma descida de 2,35% para 7,47 euros.

A travar maiores perdas estiveram a Jerónimo Martins e a EDP.


No resto da Europa a tendência foi também de queda, com os sectores das telecomunicações e tecnologias a pesarem na tendência. Também o sector automóvel esteve a pressionar, numa altura em que os renovados receios em torno das tensões EUA-China estão a assustar os investidores.

A desaceleração económica mundial e a subida dos juros por parte do banco central norte-americano também retiraram atractividade às bolsas. O índice de referência para a Europa, o Stoxx600, desceu 0,33% para 335,46 pontos.

Os mercados accionistas do Velho Continente assistiram à quarta maior saída de sempre de dinheiro nos sete dias decorridos até 19 de Dezembro: 5,4 mil milhões de dólares (4,7 mil milhões de euros). No acumulado do ano, a saída de dinheiro das bolsas europeias ascende a 72,8 mil milhões de dólares (63,6 mil milhões de euros), segundo o Bank of America Merrill Lynch.

 

Juros sobem na Europa

Os juros das dívidas soberanas seguem generalizadamente em alta na Europa, depois do alívio dos últimos dias. A taxa remuneratória para as obrigações portuguesas a 10 anos sobe 2 pontos base para os 1,675%, a par dos juros da dívida alemã, que no prazo a 10 anos avançam 2,1 pontos base para os 0,249%. Numa altura de grande desafio à liderança do presidente francês, Emmanuel Macron, os juros a 10 anos da dívida francesa seguem a subir 1,7 pontos base para 0,506%.

Já em Itália, a "yield" na mesma maturidade sobe 6,5 pontos base para 2,803%. No entanto, no acumulado da semana os juros transalpinos estão a aliviar – o que já sucede há cinco semanas consecutivas. Recorde-se que o governo italiano firmou tréguas com Bruxelas ao baixar o défice previsto no Orçamento do Estado para 2019. 

 

Euribor mantêm-se a 3 e 6 meses e sobem a 12

A Euribor a três meses, em valores negativos desde 21 de Abril de 2015, manteve-se hoje em -0,310%. Também a taxa a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação e que entrou em terreno negativo pela primeira vez a 6 de Novembro de 2015, permaneceu em -0,238%.

A 12 meses, a Euribor avançou esta sexta-feira 0,002 pontos para se fixar em -0,119%.

 

Dólar está a ganhar terreno mas cai no saldo da semana

A nota verde está a negociar em alta face às principais congéneres, reduzindo assim a sua maior queda semanal desde Março – e este mau desempenho no cômputo da semana decorreu do movimento generalizado de vendas nos mercados financeiros no âmbito dos receios em torno de um abrandamento da economia mundial e do aumento dos juros por parte do banco central norte-americano.

Na sessão de hoje, o euro (que na semana sobe perto de 1%, a caminho do melhor desempenho desde Setembro), está a ceder face à moeda dos EUA, e segue a recuar 0,39% para 1,1401 dólares.

 

Petróleo a caminho da maior perda semanal em quatro anos

As cotações do "ouro negro" seguem em baixa nos principais mercados internacionais. As dúvidas de que os cortes de produção anunciados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e pelos seus aliados (como a Rússia) possam ter efeito na subida dos preços continuam a pesar, além de o crude ter sido também penalizado pelo movimento de sell-off após a Reserva Federal norte-americana ter aumentado os juros pela quarta vez este ano e ainda prever duas novas subidas em 2019 – o que não agradou à generalidade dos mercados financeiros.

O West Texas Intermediate (WTI) para entrega em Janeiro segue a deslizar 0,13% para 45,82 dólares por barril. Já o Brent do Mar do Norte – que é negociado em Londres e serve de referência às importações portuguesas – segue no vermelho, com os preços do contrato para entrega em Fevereiro a recuarem 0,98% para 53,82 dólares.

O WTI chegou a estar em terreno positivo, animado pelo anúncio de novos cortes de exploração do xisto betuminoso nos EUA (devido aos baixos preços que a matéria-prima atingiu). No entanto, não conseguiu manter a tendência. Os preços do crude negociado em Nova Iorque já estiveram hoje a cair 1,6% para o nível mais baixo de Julho de 2017 e estão a caminho da maior perda semanal e trimestral dos últimos quatro anos.

 

Café robusta com primeira subida em nove semanas

Os futuros do café de tipo robusta, negociado em Londres, estão a caminho do seu primeiro ganho semanal pela primeira vez desde Outubro. A impulsionar as cotações está a redução nas estimativas para a colheita do Vietname (segundo maior exportador desta matéria-prima agrícola), bem como os receios de que os produtores continuem a armazenar os grãos em vez de os venderem – atendendo a que os preços desceram bastante. Em termos anuais, o robusta deverá marcar a segunda queda consecutiva.


Apesar do ganho semanal, esta sexta-feira o robusta para entrega em Março segue a ceder 0,3% para 1.519 dólares por tonelada em Londres. Já o café da variedade arábica recua 0,9% para 1,01 dólares por libra-peso em Nova Iorque.

 

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