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Fecho dos mercados: Trump dá força ao dólar, tira brilho ao ouro e leva a subida a pique dos juros das obrigações

As bolsas europeias tiveram perdas ligeiras. Os investidores estão a diferenciar os sectores que mais podem beneficiar ou sair a perder com Trump. O mercado tenta perceber as consequências que o plano económico terá. Para já, a aposta é que resulte numa subida da inflação.

Reuters
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 10 de Novembro de 2016 às 17:28
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Os mercados em números

PSI-20 desceu 1,74% para 4.417,17 pontos

Stoxx 600 deslizou 0,27% para 338,88 pontos

S&P 500 desce 0,12% para 2.160,67 pontos

Yield 10 anos de Portugal avança 11,5 pontos base para 3,397%

Euro recua 0,27% para 1,088 dólares

Petróleo desce 1,27% para 45,77 dólares por barril, em Londres

Bolsas europeias corrigem dos ganhos pós-Trump

Depois de terem encerrado a ganhar no "day after" da eleição de Trump, as bolsas europeias encerram no vermelho esta quinta-feira. O índice Stoxx 600 deslizou 0,27% penalizado pelas empresas de utilidade pública, imobiliário, alimentação, bens de consumo e telecomunicações, com descidas acima de 2% nesses sectores. Já os índices que agrupam as seguradoras, os bancos e as mineiras avançaram mais de 2%.

Apesar da queda na Europa, nos EUA as bolsas continuam a alimentar os ganhos. O Dow Jones Industrial Average valoriza 0,82%, renovando novos máximos. Já o S&P 500 negoceia com, uma queda ligeira de 0,12%. "Tenta-se pensar nas possibilidade do que o Washington pode ou não fazer. E as empresas sentem de que haverá uma mão menos restritiva, o que para alguns pode ser encarado como positivo", referiu John Manley, gestor de activos da Wells Fargo, citado pela Bloomberg.


Já o PSI-20 continua a não conseguir subir após a eleição de Trump. O índice voltou a sofrer descidas pesadas, ao cair mais 1,74%. Algumas das cotadas com um maior peso no PSI-20, casos da EDP e da EDP Renováveis, estão a ser penalizadas. A eólica tem uma elevada exposição aos EUA e está a ser afectada pela incerteza sobre os impactos das políticas energéticas de Trump nas renováveis. As acções da eólica perderam 5,82% para 5,732 euros. Já a EDP cedeu 4,96% para 2,699 euros.


Taxas de juro com fortes subidas na Europa e EUA

A taxa das obrigações portuguesas a dez anos subiu 11,5 pontos base para 3,397%. Mas a dívida nacional não foi a única a registar subidas, já que desde a eleição de Donald Trump as "yields" têm subido a nível global. Nos EUA a taxa das obrigações a dez anos subiu mais de 20 pontos base nas últimas duas sessões para 2,08%. Já a taxa alemã aumenta esta quinta-feira 7,1 pontos base para 0,274%. Itália e Espanha também não escaparam a esta tendência de agravamento dos custos de financiamento. As taxas a dez anos sobem 14,4 e 11,3 pontos base, respectivamente, para 1,897% e 1,39%.

Os investidores estão a apostar que as políticas de Trump sejam mais inflacionistas o que aumenta a probabilidade da Fed subir as taxas de juro mais rápido que o anteriormente previsto. "A abordagem bem menos aberta de Trump ao comércio global, as políticas anti-imigração e o investimento orçamental têm como objectivo beneficiar o crescimento, e isso tem potencial para criar pressões inflacionistas", referiram os analistas do RBC Capital Markets, numa nota a investidores.

Euribor mantêm-se a três e a seis meses

As taxas Euribor não sofreram alterações nos prazos a três e a seis meses. Mas na maturidade a 12 meses houve descidas. A Euribor a três meses manteve-se em -0,312%, perto do mínimo histórico de -0,313%, segundo dados da Lusa. O indexante a seis meses ficou inalterado em -0,211%. Já a taxa a 12 meses caiu 0,1 pontos base para -0,071%.

Dólar continua a ganhar força

O índice que mede a força do dólar face às principais divisas mundiais voltou a subir esta quinta-feira. Valoriza 0,73% para 1.224,46 pontos, o nível mais elevado desde Março. Apesar da incerteza sobre o programa económico de Trump, os investidores aparentam estar a atribuir uma maior probabilidade a que resulte numa maior inflação, levando a Fed a ter mais motivos para subir os juros. Esse factor tem alimentado a força da nota verde.

Petróleo de regresso às quedas

O preço do petróleo desce, com a atenção dos investidores a passar dos impactos da eleição de Donald Trump para a incerteza sobre se os membros da OPEP concretizarão o acordo para limitar a produção na reunião agendada para o final deste mês. E as últimas indicações, constantes no relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) são de que se continua a produzir quantidades elevadas.

"O relatório da AIE mostrou que a produção da OPEP subiu para um novo recorde, o que é um motivo de preocupação. Quando pensávamos que iriam colocar o pé no travão, estavam na verdade a carregar no acelerador", referiu Michael Lynch, presidente da Strategic Energy & Economic Research, à Bloomberg. O Brent perde 1,27% para 45,77 dólares. Já o West Texas Intermediate, negociado em Nova Iorque desvaloriza 1,44% para 44,62 dólares.

Ouro corrige após sessão de alta volatilidade

O metal amarelo viveu uma sessão de altos e baixos no dia que se seguiu à eleição de Donald Trump. Se numa primeira fase o ouro foi alvo de elevada procura devido ao seu estatuto de refúgio, essa subida foi perdendo gás. E esta quinta-feira negoceia em terreno negativo. O preço da onça de "troy" desce 0,82% para 1.267,48 dólares. "De repente as pessoas ficaram bastante optimistas para a economia. Olhe-se para as acções, a possibilidade de taxas de juro mais altas e o dólar mais forte. Esta combinação tem um efeito negativo no ouro", considerou Tai Wong, director de negociação de matérias-primas do BMO Capital Markets, citado pela Bloomberg. 

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