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Fecho dos mercados: Banca empurra bolsas para pior semana desde o Brexit. S&P trava juros

As praças europeias terminaram a últimas cinco sessões com a maior desvalorização semanal em três meses, arrastadas pelas fortes quedas dos títulos do sector financeiro. Já os juros de Portugal fecharam em queda ligeira, após a nota da S&P.

Reuters
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 16 de Setembro de 2016 às 17:34

Os mercados em números

PSI-20 desceu 1,83% para 4.470,84 pontos

Stoxx 600 caiu 0,74% para 337,82 pontos

S&P 500 desce 0,50% para 2.136,43 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal desceu 0,8 pontos base para 3,416%

Euro cede 0,73% para 1,1162 dólares

Petróleo desvaloriza 0,97% para 46,14 dólares por barril, em Londres


Bolsas europeias vivem pior semana em três meses

As praças europeias terminaram a última sessão da semana a desvalorizar, num dia marcado por quedas expressivas no sector financeiro europeu. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,74%, colocando em 2,2% a descida acumulada nas últimas cinco sessões, a maior queda semanal em três meses. A determinar as perdas esteve o sector bancário na região, com o Deutsche Bank a protagonizar uma queda superior a 8%, depois de ter sido notificado pelo Departamento de Justiça norte-americano da multa de 14 mil milhões de dólares. Esta notícia precipitou uma forte correcção do sector em bolsa, com bancos como o RBS e o Crédit Suisse a registarem desvalorizações superiores a 4%.

Em Lisboa, a sessão foi igualmente negativa. O PSI-20 perdeu 1,83%, num dia em que o BCP afundou mais de 9%. O banco liderado por Nuno Amado caiu 9,44% para 0,0163 euros, o valor de fecho mais baixo de sempre. A arrastar as cotações estiveram o agravamento das taxas de juro do país e a descida do sector na Europa, mas também o facto de esta ser a última sessão em que o banco negociou no Stoxx 600, no âmbito da revisão do índice. Uma nota negativa ainda para a Galp Energia. A petrolífera perdeu 4,51% para 11,75 euros, a reagir à notícia de que Américo Amorim vendeu 5% do capital da empresa.

Nota da S&P trava subida dos juros

O risco da dívida portuguesa, medido pelo diferencial entre os juros que os investidores exigem para comprar dívida portuguesa em detrimento da alemã, esteve a disparar durante praticamente toda a sessão, a negociar em para máximos de sete meses, mas as "yields" travaram a subida nos últimos minutos de negociação após a divulgação do comentário da S&P para Portugal. A "yield" portuguesa a 10 anos cedeu 0,8 pontos base, para 3,416%, o valor mais elevado desde Junho. A Standard & Poor’s decidiu esta sexta-feira, 16 de Setembro, manter o rating da dívida soberana de longo prazo de Portugal em "BB+", ou seja, no primeiro nível de "lixo" – tendo esta denominação por recair numa categoria de investimento especulativo. Já a perspectiva continuou "estável". Esta avaliação contrariou o sentimento negativo que dominou a negociação no dia em que o BBVA alertou para problemas económicos e orçamentais, mas considera que as condições de financiamento continuam a ser relativamente sustentáveis.

Euribor a três meses inalterada

As taxas Euribor mantiveram-se hoje inalteradas a três meses e desceram a seis em relação a quinta-feira. A Euribor a três meses, em valores negativos desde 21 de Abril de 2015, manteve-se em -0,301%, depois de ter caído a 08 de Setembro para o actual mínimo de sempre de -0,304%. A taxa Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação e que entrou em terreno negativo pela primeira vez a 6 de Novembro passado, desceu para -0,201%, menos 0,002 pontos e depois de ter sido fixada em 8 de Setembro em -0,201%, actual mínimo de sempre.

Dólar em máximos de Julho

A nota verde está a negociar no valor mais elevado desde Julho. Segue a subir 0,73% para 1,1162 dólares, face ao euro, sustentado pela divulgação de indicadores económicos acima das previsões nos EUA. Depois de ter ficado inalterado no mês anterior, o índice de preços no consumidor subiu 0,2% em Agosto, uma evolução que poderá pesar na decisão da Fed de subir ou não os juros na próxima semana.

Perspectivas de maior produção arrastam petróleo

Os preços do petróleo estão de regresso às quedas. A matéria-prima desce 0,97% para 46,14 dólares por barril, no mercado londrino, penalizado pelas perspectivas de um aumento de produção de crude. Depois de a AIE ter alterado as suas estimativas para o mercado petrolífero, antecipando que 2017 seja mais um ano de excesso de oferta, os preços do petróleo estão a ser arrastados pela notícia de que a Líbia e a Nigéria deverão aumentar as suas exportações nas próximas semanas.

Açúcar em máximos de 2012

Os preços do açúcar estão a negociar no valor mais elevado em mais de quatro anos, suportados pelas preocupações em relação a um aumento do défice na produção global, devido a mudanças climáticas no Brasil. Os futuros do açúcar, para entrega em Março, estão a disparar 5% para 22,21 cêntimos por libra, em Nova Iorque, tendo já chegado a tocar em mínimos de Agosto de 2012.

Destaques do dia

S&P mantém rating e perspectiva de Portugal. A notação financeira de Portugal mantém-se no primeiro nível de "lixo" na classificação da Standard & Poor’s, com a perspectiva a permanecer "estável".

 

Portugal tenta arrecadar 1.750 milhões de euros em dívida a pagar em 2017. Depois de ter colocado no mercado obrigações a taxas mais altas esta semana, o IGCP cumpre o calendário e vai vender bilhetes do Tesouro a seis e a doze meses para pedir emprestados entre 1.500 e 1.750 milhões.

BBVA: "Debate sobre um novo resgate no curto a médio prazo é prematuro". O banco espanhol alerta para problemas económicos e orçamentais, mas considera que as condições de financiamento continuam a ser relativamente sustentáveis.

BCP em mínimo histórico na despedida do Stoxx 600. Cada acção do banco vale 0,0163 euros no fecho da semana, depois de uma queda de 9,44% naquele que foi o maior recuo do índice PSI-20.

 

Risco de Portugal dispara para máximo de sete meses. Depois da forte subida de quinta-feira, os juros da dívida portuguesa a 10 anos estão de novo em alta e em contra-ciclo com as restantes obrigações soberanas europeias. O prémio de risco já está em 350 pontos base.

Deutsche Bank afunda 8% com multa recorde nos Estados Unidos. Apesar do valor da multa ainda não estar fechado, o banco já declarou que não tem a intenção de pagar o valor de 14 mil milhões de dólares.

Citigroup recomenda que accionistas do BPI aceitem oferta do CaixaBank. Numa nota citada pela Bloomberg, o Citigroup refere que a alternativa mais provável à não-aceitação da oferta – a desistência do CaixaBank - é menos apetitosa para os investidores. Os accionistas do BPI retomam na próxima quarta-feira a assembleia-geral para votar a desblindagem dos estatutos do BPI.

Banco da Rússia corta novamente as taxas de juro. A autoridade monetária liderada por Elvira Nabiullina voltou a reduzir as taxas de juro. Novas alterações na taxa directora só devem ocorrer no próximo ano.

O que vai acontecer na segunda

Números do INE. O instituto divulga a Síntese Económica de Conjuntura, relativa ao mês de Agosto.

Dados económicos na Zona Euro. O gabinete de estatísticas europeu Eurostat reporta a evolução da construção na Zona Euro, em Julho.

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