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Fecho dos mercados: Bolsas em queda, juros em alta com tensão renovada na banca

As bolsas europeias voltaram a desvalorizar e atingiram mínimos de Outubro de 2014. Os receios em torno da economia mundial levaram à sétima queda consecutiva dos mercados na Europa. A banca liderou as perdas num dia em que os juros da dívida pública voltaram a disparar.

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European Stocks Are at 2013 Lows
Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 09 de Fevereiro de 2016 às 17:25
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Os mercados em números

PSI-20 desceu 2,39% para 4.657,14 pontos

Stoxx 600 caiu 1,58% para 309,39 pontos

S&P 500 desvaloriza 0,43% para 1.845,49 pontos

"Yield 10 anos de Portugal sobe 28,8 pontos base para 3,671%

Euro sobe 1,10% para 1,1318 dólares

Petróleo cai 3,68% para 31,67 dólares por barril em Londres

 

Bolsas em queda pelo sétimo dia

Pela sétima sessão consecutiva, as praças europeias fecharam em queda. Os receios em torno do rumo da economia mundial voltaram a preocupar os investidores. Além disso, o sector financeiro também preocupou os investidores devido à especulação de que o Deutsche Bank não teria capacidade para cumprir com as suas obrigações, o que o banco já veio desmentir em comunicado. O sector da banca foi, assim, o mais castigado, tenho negociado no valor mais baixo desde 2012. O índice de referência da Europa, o Stoxx 600, caiu 2,39% para 4.657,14 pontos.

 

A bolsa de Lisboa não foi excepção e recuou pelo sexto dia. O PSI-20 cedeu 2,39% para os 4.657,14 pontos, com as 17 cotadas a fecharem em queda. A banca destacou-se pela negativa, nomeadamente o BCP, que recuou 6,97% para os 0,0347 euros. Já o BPI depreciou 2,87% para os 0,98 euros. Na energia, a EDP caiu quase 3% para os 2,908 euros e a Galp caiu 3,23% para os 10,50 euros.

 

Juros em máximos de Outubro de 2014

Os investidores voltaram a exigir juros mais altos para apostar na dívida pública portuguesa, à semelhança do que aconteceu nos restantes países da periferia, fruto da turbulência que se vive nos mercados financeiros. A tendência de subida verificou-se em todos os prazos e, na maturidade de referência, a 10 anos, os juros avançaram 28,8 pontos-base para 3,671%, o valor mais elevado desde Outubro de 2014. Com a queda das "yields" da dívida alemã, o diferencial face à dívida portuguesa atingiu os 343,8 pontos, estando em máximos de Janeiro de 2014, antes do fim do programa de ajustamento.

 

Euribor renovam mínimos a três e seis meses

As taxas Euribor desceram para novos mínimos históricos a três e seis meses, os principais indexantes utilizados no crédito à habitação em Portugal. A taxa a três meses, em "terreno" negativo desde Abril do ano passado, desceu para -0,171%. Já a taxa a seis meses caiu para -0,109%, também o valor mais baixo de sempre. No prazo de nove meses, a Euribor manteve-se inalterada nos -0,058%, actual mínimo de sempre. No prazo de 12 meses, o último a chegar a valores negativos, a taxa subiu para -0,004%.

Procura por segurança anima iene

Com a turbulência nos mercados, aumenta a aversão ao risco por parte dos investidores. Nesta conjuntura, beneficiam os activos percepcionados como mais seguros. É o caso da moeda japonesa, que atingiu o valor mais elevado em mais de um ano face ao dólar. Segue a avançar 0,83% para os 0,0087 dólares. Ou seja, um dólar compra 114,89 ienes. Esta divisa serve de refúgio em períodos de elevada volatilidade graças ao excedente da balança de conta corrente do país. O iene está a ganhar terreno face a todas as 16 moedas mais negociadas.

 

Petróleo volta às quedas

A matéria-prima esteve a recuperar das quedas dos últimos dias, durante a manhã. Mas acabou por voltar às perdas e completa o quinto dia em "terreno" negativo. Isto no dia em que a Agência Internacional de Energia (AIE) revelou que o excesso de oferta no mercado, durante o primeiro semestre, deverá ser ainda mais elevado do que se previa. Além disso, também o Goldman Sachs alertou para o risco de volatilidade nas cotações. Em Nova Iorque, o West Texas Intermediate (WTI) cai 2,09% para os 29,07 dólares, enquanto o Brent, negociado em Londres, desvaloriza 3,68% para 31,67 dólares por barril.

 

Ouro volta aos ganhos  

Depois de quatro dias em alta, período em que superou os 1.200 dólares por onça pela primeira vez desde Junho, o ouro voltou às perdas. O metal esteve a corrigir dos ganhos acumulados nos últimos dias, com o acentuar da tensão nos mercados a levar os investidores a procurarem activos considerados mais seguros. E foi também penalizado pela nota de investimento do Goldman Sachs que considera que os ganhos do metal precioso não deveriam durar. Mas a turbulência nos mercados voltou a pesar mais e o ouro regressou aos ganhos. Segue a subir 0,52% para os 1.195,29 dólares por onça.  

 

Destaques do dia

 

Schaeuble "não tem receios em torno do Deutsche Bank". Nos últimos dias, acentuaram-se as preocupações dos investidores em torno da capacidade de o Deutsche Bank cumprir com as suas obrigações. As acções do banco alemão e do sector afundam.

 

Juros da dívida a dez anos sobem mais de 50 pontos em dois dias. Desde sexta-feira, dia em que foi apresentado o Orçamento do Estado, os juros da dívida a dez anos já sobem mais de 50 pontos base. Também o risco da dívida portuguesa está em máximos de Janeiro de 2014.

 

Centeno pede mais dinheiro e pressiona "alerta" do FMI. O Governo prevê mais défice, mais despesa com empresas públicas, mais pagamentos ao FMI do que anunciado em Janeiro. Necessitará de dívida e retrocede no reforço da almofada de liquidez, o que pressiona mecanismos de alerta do Fundo.

 

Obama apresenta último Orçamento que deve ser rejeitado pelos republicanos. O oitavo orçamento da administração Obama é apresentado esta terça-feira. É provável que boa parte do documento seja inviabilizado pela maioria republicana no Congresso. Mas em ano de eleições, há medidas que deverão passar.

 

AIE: Excesso de oferta de petróleo é superior ao previsto. No primeiro semestre deste ano, o excesso de petróleo no mercado será de 1,75 milhões de barris por dia, estima a AIE. Um excesso que deverá acentuar a queda das cotações.

 

BPI não afasta congelamento dos dividendos da Galp. O banco de investimento subiu a avaliação da Galp Energia em 3% de 11,40 euros para 11,80 euros, mas cortou a recomendação de "neutral" para "reduzir".

 

A "tempestade perfeita" nos bancos europeus em cinco gráficos. Os investidores estão a demonstrar preocupações acrescidas com os bancos europeus. Em cinco gráficos, a Bloomberg mostra como o sector foi apanhado numa "tempestade perfeita". 

 

O que vai acontecer amanhã

 

Dados económicos. O INE publica, esta quarta-feira, o índice de preços no consumidor, relativo a Janeiro, as estatísticas do emprego, no quarto trimestre, e as estatísticas do comércio internacional, em Dezembro.

 

Política monetária. Janet Yellen, presidente da Reserva Federal dos EUA, discursa no Senado norte-americano, esta quarta-feira.

 

 

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