Obrigações Fitch mantém rating de Portugal dois níveis acima de lixo

Fitch mantém rating de Portugal dois níveis acima de lixo

A agência de notação financeira reiterou o rating de Portugal em BBB e manteve a perspetiva positiva para a evolução da qualidade da dívida soberana.
Fitch mantém rating de Portugal dois níveis acima de lixo
Reuters
Carla Pedro 22 de novembro de 2019 às 21:01

Depois de, no passado dia 24 maio, a Fitch ter melhorado a perspetiva ("outlook") para a evolução da qualidade da dívida de longo prazo da República Portuguesa, de "estável" para "positiva", aumentaram as expectativas de uma subida do rating na decisão desta sexta-feira, 22 de novembro. Mas ainda não foi desta que a agência melhorou a classificação de Portugal. 

A classificação de Portugal ficou assim em BBB, o que corresponde ao penúltimo nível de investimento de qualidade - ou seja, dois níveis acima do chamado "lixo" (investimento especulativo).

Apesar de não ter melhorado a notação, manteve a perspetiva positiva para a dívida da República, continuando assim a dar a indicação de que em breve poderá decidir-se por uma melhoria do rating.

A Fitch justifica o "outlook" positivo com a "melhoria das finanças públicas".

 

No seu relatório divulgado esta noite, a agência destaca como pontos fortes da economia portuguesa, em comparação com outras economias com a mesma notação, a manutenção da estabilidade política e institucional e o maior nível de rendimento per capita. Como contraponto destaca "o elevado endividamento dos setores público e privado".

 

Ainda do lado positivo, a Fitch "reitera a confiança nas opções de política económica e orçamental do Governo", sublinha o Ministério das Finanças no seu comunicado em reação a esta decisão.

A agência refere também o facto de o Partido Socialista ter ganho um segundo mandato consecutivo de quatro anos, nas eleições de outubro. Relembra que irá governar o país sem maioria e sem o apoio formal dos anteriores aliados de Esquerda, mas destaca que "a sua maior representação no parlamento significa que deverá ser capaz de conseguir o apoio necessário, numa lógica de [aprovação] medida a medida".

 

E o otimismo prossegue. "Num contexto de desaceleração da procura externa, a economia portuguesa tem-se mostrado resiliente e mantido um crescimento equilibrado, apoiado por uma dinâmica positiva da procura interna, com destaque para o investimento", destaca o ministério tutelado por Mário Centeno relativamente à avaliação da Fitch.

 

A agência diz que "o crescimento, acima do esperado, do investimento e a resiliência do mercado de trabalho compensaram o impacto da vulnerabilidade de parceiros comerciais chave". E apesar de sublinhar que os principais indicadores orçamentais continuem a melhorar, frisa que a dívida pública continua elevada – sendo este um indicador a que continuará atenta.

 

Depois de um défice orçamental de 0,4% do produto interno bruto em 2018, a Fitch projeta agora que o défice de 2019 seja de 0,1% do PIB, "abaixo da meta inicial do governo, que era de 0,2%".

 

Quanto à dívida pública, a agência refere que a sua trajetória de redução aponta ser "consideravelmente robusta perante à maioria dos choques individuais". Contudo, "ao fixar-se em 122,2% do PIB no final de 2018 era ainda muito mais elevada do que a média de 36,4% dos países com rating BBB e da média de 85,9% da Zona Euro".

 

No seu comunicado, o Ministério das Finanças destaca o lado positivo: "no que respeita à orientação das finanças públicas, a Fitch acompanha as perspetivas do Governo para o saldo orçamental, assim como a trajetória de redução sustentada do rácio da dívida pública e uma estratégia de gestão da dívida prudente, incluindo o aumento da maturidade média, a diversificação da base de investidores e a manutenção de uma almofada de liquidez adequada".

 

Relativamente ao sistema bancário português, outra das frentes que é seguida com atenção pelas agências de rating, a Fitch nota a sua robustez, fruto dos "avanços significativos na redução do rácio de crédito malparado". Ainda assim, apesar de limitados, identifica riscos para a estabilidade financeira.

 

"A agência destaca ainda a importância do pagamento antecipado de 2.000 milhões de euros ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e a redução das responsabilidades contingentes", refere o comunicado das Finanças.

 
Moody's tem a pior classificação para Portugal

Depois de a DBRS ter decidido, em outubro, aumentar a notação da República, "as principais agências internacionais apresentam uma perspetiva positiva para a dívida soberana portuguesa, antecipando assim futuras subidas de rating", diz o mesmo documento.

 

Neste momento, a S&P e a Fitch têm a dívida de longo prazo de Portugal no penúltimo nível da categoria de investimento de qualidade: BBB.

 

Já a Moody’s coloca Portugal no último nível de investimento de qualidade, tendo em agosto elevado o outlook mas mantido a notação, à espera do governo que iria sair das legislativas para avaliar se irá manter-se a trajetória de descida da dívida pública.

 

A canadiana DBRS também tinha a classificação da dívida da República no penúltimo grau, mas no passado dia 4 de outubro, a dois dias das eleições, deu novo voto de confiança ao país, subindo o rating de Portugal para o nível mais elevado em oito anos, no terceiro nível acima de "lixo".

 

Esta foi a última avaliação do rating de Portugal calendarizada para 2019, não estando ainda disponíveis as datas do próximo ano.

 

"O Governo prosseguirá o objetivo de um saldo orçamental equilibrado, em 2020, num quadro de manutenção de contas públicas sólidas, o qual se afigura de grande importância para a continuação de um crescimento sustentado e inclusivo da economia portuguesa nos próximos anos", remata o comunicado das Finanças.

(notícia atualizada às 21:54)




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