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Acordo para a Grécia conduz juros portugueses a novo mínimo histórico

As taxas de juro associadas à dívida portuguesa, espanhola, italiana e grega estão em forte deslize após o acordo provisório para financiar Atenas por quatro meses. Há mínimos históricos em alguns prazos. Em Portugal, o juro a dez anos está, pela primeira vez desde 2007, abaixo do praticado nos EUA.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 23 de Fevereiro de 2015 às 09:05
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O acordo entre a Grécia e os parceiros europeus, para estender por mais quatro meses o financiamento ao país, trouxe um forte impulso para o preço das obrigações dos países periféricos, fazendo com que os juros associados estejam a cair. Em alguns casos, como o português, as "yields" estão em mínimos históricos.

 

A taxa de juro implícita às obrigações nacionais a dez anos está a cair 6,2 pontos base para se fixar em 2,16%, tendo descido já a 2,15%, um valor nunca antes verificado no mercado secundário (onde os investidores trocam títulos de dívida entre si). 

 

Segundo a Bloomberg, esta é a primeira vez desde 2007 que a taxa de juro pedida pelos investidores para negociar dívida portuguesa é mais baixa do que aquela que é pedida para transaccionar dívida norte-americana. 

 

A tendência é de queda em todos os prazos. A cinco anos, a "yield" negoceia nos 1,236%, a cair 7,3 pontos base face a sexta-feira enquanto, na maturidade a dois anos, a queda é de 5 pontos base para 0,298%, de acordo com as taxas genéricas da agência Bloomberg.

 

"As maiores barreiras políticas para um acordo foram ultrapassadas", comentou a analista Lena Komileva, da G Plus Economics, à agência de informação. Esta segunda-feira, Atenas tem de apresentar uma lista de políticas que vão justificar este financiamento dos parceiros europeus. Só depois da aprovação desta lista é que haverá um acordo firme – até que, dentro de quatro meses, a Grécia arranje outras formas de financiamento. Mesmo assim, os investidores estão a aplaudir o acordo.

 

Este entendimento provisório está a ajudar Portugal no mercado secundário (ainda para mais numa semana em que haverá um novo leilão de dívida no mercado primário - será emitida nova dívida para o Estado se financiar) mas não só. Os países periféricos verificam todos alívios das "yields" pedidas pelos investidores, ou seja, os preços das obrigações estão a ganhar terreno, mostrando uma maior atractividade para os compradores. 

 

Os juros associados à dívida italiana seguem a descer em todos os prazos. A taxa a cinco anos cedeu aos 0,62% (em Portugal está em 1,236%), estreando um novo mínimo histórico. Em Espanha, o comportamento também é maioritariamente de descida, acontecendo o mesmo também no mercado grego.

 

Já a dívida alemã verifica uma ligeira subida das taxas – nomeadamente no prazo a dez anos - o que diminui o risco associado aos países periféricos (o risco mede-se pela diferença entre os juros pedidos à Alemanha, economia de referência da Zona Euro, e o dos restantes países).

 

Este alívio trazido pelo acordo na Grécia ajuda o mercado de dívida, que tem sido já impulsionado pelo programa de alívio quantitativo que está a ser implementado pelo Banco Central Europeu, o que justifica que muitos países estejam a estrear valores nunca antes alcançados nas rendibilidades pedidas pelos investidores. 

 

 

(Notícia actualizada às 9h50 com informação de que juro da dívida portuguesa a dez anos está, pela primeira vez desde 2007, abaixo do juro da dívida dos Estados Unidos)

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