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Arábia Saudita prepara primeira emissão de dívida em dólares

A Arábia Saudita poderá realizar nos próximos dias a primeira emissão de dívida em dólares. O objectivo é colocar entre dez e 20 mil milhões de dólares, mas a procura poderá ascender a 50 mil milhões.

Foi um dos segredos divulgados esta semana. Os EUA, ao abrigo da Lei de Liberdade de Informação, revelaram o montante investido pela Arábia Saudita em obrigações do Tesouro dos EUA. Riade tinha 116,8 mil milhões de dólares aplicados no final de Março, mais 14 mil milhões que no mesmo mês de 2015. Apesar de estar entre os maiores credores, o valor ficou abaixo do que muitos estimavam.
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 17 de Outubro de 2016 às 09:12
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A primeira emissão internacional de obrigações da Arábia Saudita poderá realizar-se ainda esta semana. Segundo o Financial Times, Riade quer captar entre 10 e 20 mil milhões de dólares, mas a procura poderá ascender a 50 mil milhões de dólares.

A queda dos preços do petróleo está a forçar os países dependentes das receitas petrolíferas a procurar fontes alternativas de financiamento. Depois de ter admitido a dispersão em bolsa da sua petrolífera, a Saudi Aramco, a Arábia Saudita poderá avançar com a sua primeira emissão de dívida nos próximos dias.

Os sauditas enviaram delegados ao Reino Unido e aos EUA na semana passada, para se reunirem com investidores, de modo a preparar a emissão e abrir caminho para outras operações de mercado futuras, como o IPO da petrolífera do país. A forte queda dos preços do petróleo tem obrigado os países exportadores, como a Arábia Saudita, a repensarem a sua estratégia de financiamento, de modo a reduzir a dependência das receitas petrolíferas.

Segundo o FT, na apresentação aos investidores os sauditas focaram-se no tamanho da economia, na ausência de dívida externa, planos para reformas e na população jovem. Esta será a primeira emissão em dólares do país, que irá emitir dívida a cinco, dez e 30 anos.

Num período dominado por taxas de juro extremamente baixas, a Arábia Saudita espera assim garantir financiamento com juros baixos. O Qatar emitiu dívida, em Maio, com um prémio de 150 pontos base acima da taxa das "treasuries" americanas. Sendo que os sauditas mantêm um "rating" inferior ao Qatar, a expectativa é que paguem uma taxa mais elevada.

Segundo um banqueiro citado pelo jornal britânico, a Arábia Saudita poderá pagar mais 30 a 40 pontos base que o Qatar, o que significaria uma taxa a dez anos de 3,55% a 3,65%. Já outro especialista consultado pelo jornal prevê um prémio de 150 pontos base face às "treasuries" a cinco anos e de 160 a 165 pontos a dez anos.

Sem data continua, para já, a dispersão em bolsa da Saudi Aramco, a maior petrolífera do mundo. No entanto, uma forte procura pela colocação de dívida do país poderá acelerar a operação.

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