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Banco de Portugal desconhecia empréstimo do Santander ao Estado

O Estado injectou liquidez no Banif para conseguir, juntamente com o Banco de Portugal, alienar o banco ao Santander. Para evitar um buraco no financiamento do Estado, a instituição liderada por Vieira Monteiro aceitou emprestar 1.766 milhões de euros ao Tesouro. Algo que o Banco de Portugal revelou agora que desconhecia.

Miguel Baltazar/Negócios
André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 23 de Março de 2016 às 12:41
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O Banco de Portugal liderou, a par do Governo, o processo de alienação do Banif ao Santander. Um negócio no qual António Costa convenceu o banco liderado por Vieira Monteiro a emprestar 1.766 milhões de euros ao Estado. Uma parte da operação que, agora, o regulador bancário português afirmou desconhecer.

A revelação, avançada pela Visão na terça-feira, 22 de Março, surge em resposta a esclarecimento pedidos pelo grupo parlamentar do CDS. "O Banco de Portugal não tem conhecimento da existência de qualquer acordo entre o Estado português e o Banco Santander Totta, S.A. com vista à aquisição de dívida pública portuguesa", explicou a entidade liderada por Carlos Costa.

Esta resposta do Banco de Portugal aponta, assim, para uma decisão política no processo de alienação do Banif. Tal como o Negócios avançou em exclusivo a 25 de Fevereiro, o empréstimo de 1.766 milhões de euros do Santander ao Tesouro português, através da emissão de MTN ["medium term notes, ou dívida de médio prazo] a 10 anos, foi acordado aquando da venda do banco madeirense, tendo a data sido definida pelo Tesouro.

"Foi uma solução acordada na altura da resolução, que visou diminuir o esforço de financiamento do Estado em 2016", disse, então, fonte oficial do Santander Totta ao Negócios. No mesmo dia em que foi publicada a notícia, o banco liderado por Vieira Monteiro revelou em comunicado que, "ao aceitar fazer isto, o Santander Totta pretendeu apenas responder positivamente ao desafio que lhe foi feito".

Com esta operação, o objectivo do Executivo de António Costa era diminuir o esforço de financiamento do Estado em 2016. Isto depois de o Tesouro ter sido obrigado a injectar cerca de dois mil milhões de euros no Banif, no âmbito do processo de resolução. O Ministério das Finanças acrescentou na altura ao Negócios que, com esta operação, o Estado "aumenta a almofada de depósitos e, por esta via, a capacidade de amortização antecipada do empréstimo do FMI".

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