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BCE estuda mudança de regras no programa de compras após o Brexit

A entidade liderada por Mario Draghi pondera abolir a regra de fazer compras de acordo com a chave de capital de cada estado-membro, segundo a Bloomberg. O Commerzbank defende que isso seria uma "medida drástica".

Reuters
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 01 de Julho de 2016 às 10:22
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O BCE pondera flexibilizar o programa de compra de activos, para que este se torne mais efectivo na contenção das ondas de choque provocadas pelo Brexit, segundo a Bloomberg. Uma das regras daquele programa é não fazer compras de títulos com taxas mais negativas que a taxa de depósito definida pelo banco central, que se situa em -0,40%.

No entanto, são cada vez mais os títulos de dívida soberana europeia que transaccionam em valores ainda mais negativos, criando problemas para a autoridade monetária em conseguir encontrar títulos para manter o ritmo de compras mensais em 80 mil milhões de euros.

E, numa altura em que se temem os impactos económicos e financeiros do Brexit, o banco central está a estudar formas de fazer face a essas limitações, segundo fontes citadas pela Bloomberg. Uma das hipóteses em cima da mesa é deixar cair a regra de fazer compras de acordo com a chave de capital de cada estado-membro, passando as compras a serem feitas proporcionalmente à dívida total de cada estado-membro. A medida beneficiaria as obrigações dos países do Sul da Europa, que são os mais endividados.

Já a Alemanha tem o maior peso, com uma chave de capital de quase 18%. O problema é que as obrigações germânicas até à maturidade de sete anos negoceiam com taxas ainda mais negativas que a taxa que o BCE aplica aos bancos que queiram depositar dinheiro no banco central, o que as exclui do programa. As taxas alemãs têm ido para valores cada vez mais negativos, já que tendem a ser procuradas pelos investidores em períodos de aversão ao risco.

No entanto, os analistas do Commerzbank recomendam cautela com esta medida. "Esta é a opção mais delicada politicamente e já tínhamos argumentado que devem ser consideradas outras alternativas antes, como flexibilizar o nível da taxa de depósitos e o limite por cada emissão" que podem ser incluídos nas compras, referem numa nota a investidores. Alertam que "esta medida drástica iria prejudicar ainda mais a estabilidade política na Zona Euro já que os países anti-UE nos países "core" ganhariam mais apoiantes".

Taxas de Espanha e Itália 

Após a notícia da Bloomberg, as taxas de juro da dívida alemã a dez anos ficaram em valores menos negativos, subindo de -0,130% para -0,128%. Já as "yields" espanholas e italiana descem pela quinta sessão consecutiva. No caso de Espanha, a taxa baixa 1,6 pontos base para 1,147% . Em Itália desce 2,1 pontos base para 1,238%. Já a taxa portuguesa a dez anos sobe 2,4 pontos base para 3,03%.

Outro dos motivos que levam os analistas do Commerzbank a duvidarem da necessidade de se abolir a chave de capital para definir a proporção das compras é a o comportamento das taxas dos países do Sul da Europa após o choque inicial com o Brexit. "Duvidamos que a opção encontre uma maioria, especialmente porque os prémios de risco da dívida italiana e espanhola se comportaram de forma positiva na última semana",refere o Commerzbank.

Desde o início da semana, e após o choque com o Brexit na passada sexta-feira, a taxa italiana baixou de 1,557% para 1,238%, a espanhola de 1,632% para 1,147% e a portuguesa desce de 3,357% para 3,03%.

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