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Casalinho: Taxa de juro média em 2016 será de 3,5% - Económico/Antena 1

A responsável do Tesouro sublinha as previsões de redução do rácio de dívida pública, alicerçando-se nas metas macroeconómicas. Mas alerta para o impacto do fim das compras do BCE, apesar de haver países que têm mais a recear.

Bruno Simão/Negócios
Negócios jng@negocios.pt 23 de Maio de 2016 às 11:59
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Cristina Casalinho defende a independência do IGCP face a qualquer Governo. Mas como tem de trabalhar com base nos seus pressupostos, reitera as metas macroeconómicas para este ano. E a presidente do instituto, em entrevista ao Económico e à Antena 1, adianta que a taxa de juro média prevista para este ano é de 3,5%. Um valor que deverá permitir baixar o rácio de dívida pública. Mas alerta que o fim do programa de compras do BCE terá um impacto significativo.

"Para fazer diminuir a dívida pública é preciso ter excedentes primários significativos, ou que a taxa de juro seja muito mais baixa que a taxa de crescimento nominal do PIB", explica Cristina Casalinho, numa entrevista publicada esta segunda-feira, 23 de Maio. Para já, diz a presidente do IGCP, "a taxa de juro média [prevista] é da ordem de 3,5%".

A responsável salienta que "o IGCP é uma entidade pública que tem de ser independente de qualquer Governo". Mas não pode fugir nas metas orçamentais por traçadas, pelo que verifica-se "uma expectativa de crescimento do PIB de 1,8%, mais 1,5% da taxa de inflação ligada à actividade económica, ou seja 3,3% de crescimento nominal do PIB". "Assim ficará mais ou menos equilibrado", atira, salientando que a previsão de excedente primário levará à redução da dívida. "Mas, provavelmente, não de uma forma tão acelerada quanto aquela que as pessoas gostariam", confessa.

E a taxa de juro média continuará em níveis baixos, em grande parte ao BCE o deve. As compras de activos já duram há mais de um ano e a previsão actual é que continuarão até meados de 2017. Quando acabar, aponta Cristina Casalinho, "a ideia é que [em Portugal] será um impacto significativo". Mas nos "mercados onde a intervenção é maior, provavelmente o efeito poderá ser mais significativo".

A responsável pelo Tesouro português dá o exemplo da Alemanha, onde as taxas de juro estão negativas quase até aos dez anos. O que, apesar de ser uma vantagem na óptica dos custos de financiamento, prejudica ao nível dos investidores. "Os responsáveis pela dívida pública dizem que não conseguem atrair investidores – os investidores só compram porque têm necessidade de comprar – e a base de investidores tem encolhido muito significativamente", explica Cristina Casalinho.

Do passado para o futuro, a ex-economista chefe do BPI refere primeiro que "os gestores de dívida pública aprenderam durante a crise a não pôr todos os ovos no mesmo cesto". "Flexibilidade e diversidade" são as palavras de ordem na gestão da dívida pública, "para momentos do tempo e para investidores". Por isso mesmo, justifica, "lançámos as OTRV porque queremos alargar a nossa base de investidores e queremos alargar a oferta de produtos".

"Isto para dizer que o importante é a variedade, porque o que aprendemos, enquanto gestores de dívida pública, é que os investidores tradicionais são muito mais fugidios do que eram no passado", explica Cristina Casalinho. Apesar do foco na diversidade, a almofada financeira continua a ser uma prioridade. "O objectivo que o IGCP tem considerado anda entre 40% a 50% das necessidades de financiamento do ano seguinte", diz a responsável do Tesouro, concluindo que, actualmente, esta supera os oito mil milhões de euros.

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