Obrigações DBRS corta perspectiva do "rating" soberano de Espanha

DBRS corta perspectiva do "rating" soberano de Espanha

A agência canadiana de notação financeira manteve inalterada a classificação da dívida soberana de Espanha, em A (baixo). No entanto, cortou o "outlook" de ‘positivo’ para ‘estável’.
DBRS corta perspectiva do "rating" soberano de Espanha
Carla Pedro 08 de abril de 2016 às 17:10

Tal como esperava o consenso do mercado, a Dominion Bond Rating Service (DBRS) reiterou a dívida de longo prazo de Espanha. Contudo, reviu em baixa a perspectiva que tem para a evolução dessa mesma dívida, de ‘positiva’ para ‘estável’.

Esta alteração de "outlook", sublinha a agência no seu relatório, "reflecte a incapacidade dos principais partidos políticos para formarem um governo de coligação, após as eleições gerais de 20 de Dezembro do ano passado".

 

Além disso, reflecte também "o risco de que um novo governo, quando estiver formado, possa recuar nas reformas do mercado laboral nas medidas de consolidação orçamental", adverte a DBRS, salientando que estas políticas "têm sido fundamentais para fomentar uma rápida criação de empregos e para incutir confiança".

 

"Atendendo aos resultados eleitorais inconclusivos, há uma grande incerteza em torno do rumo futuro das políticas económicas", considera a agência de "rating".

Com efeito, mantém-se em Espanha o impasse político que impede o Congresso de formar Governo. Na quinta-feira, 7 de Abril, a primeira reunião a três entre o PSOE, o Podemos e o Cidadãos não permitiu ultrapassar o bloqueio político, o que parece ter confirmado a impossibilidade de um acordo entre estas três forças políticas, reforçando o cenário de novas eleições gerais já em Junho.

Existe igualmente um risco considerável de derrapagem, alerta a DBRS. "Na nossa anterior avaliação de Espanha, em Outubro de 2015, tudo apontava para que em 2015 o défice se tivesse fixado em 4,2% do PIB. Em vez disso, o défice foi de 5,1% do PIB, acima da meta governamental dos 4,2% e acima também das nossas expectativas – o que intensifica os nossos receios quanto à estabilidade do governo para controlar os gastos, especialmente ao nível dos governos regionais", acrescenta o relatório.

 

Por outro lado, "o avultado défice na segurança social coloca um problema estrutural de mais longo prazo que é mais profundo do que parecia ser aquando da nossa última avaliação", destaca o documento.

"O elevado défice geral exerce pressão sobre o próximo governo no sentido de impor uma sustentabilidade orçamental. Se a incerteza política persistir, poderá minar a confiança dos consumidores e dos empresários e contribuir para desacelerar a actividade económica, levando a um aumento da dívida pública face ao PIB", diz ainda o relatório.

À luz do novo panorama político, os factores que poderiam levar a um "upgrade" incluem um novo governo que promova a confiança, através da promoção da sustentabilidade orçamental em todo o governo, explica a DBRS, bem como a implementação de reformas estruturais que que aumentem o crescimento da produtividade e acelerem a redução da dívida.

 

Já os factores que podem levar a um corte da notação não mudaram desde a avaliação anterior, sublinha a DBRS: um fraco compromisso político para com o ajustamento orçamental ou uma revisão em baixa das estimativas para o crescimento no médio prazo que façam derrapar a estabilização e a expectável redução do rácio dívida pública-PIB.

O patamar de ‘A’ para o "rating" de Espanha significa que a qualidade do crédito é boa, segundo a escala da agência. O ‘A (baixo)’ equivale a um ‘A-’ da S&P e da Fitch (e ao A3 da Moody’s) e corresponde a quatro níveis acima do chamado "junk" (classificações de alto risco, dado que recaem na categoria de investimento especulativo).


Os analistas do Société Générale e do Commerzbank que foram consultados pelo Negócios, apontavam para que a DBRS mantivesse o "rating" de Espanha inalterado, o que daria uma pista a Portugal, cuja avaliação será divulgada pela agência canadiana no próximo dia 29 de Abril. Isto porque os riscos de ambos os países são semelhantes, referiram.


(notícia actualizada às 18:26)




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