Obrigações Draghi afunda juros portugueses para nível histórico na casa dos 0,5%

Draghi afunda juros portugueses para nível histórico na casa dos 0,5%

A garantia de que o banco central está disponível para reforçar os estímulos e cortar os juros está a afundar as yields da dívida na Zona Euro, que marcam mínimos históricos tanto na periferia como na Alemanha.
Draghi afunda juros portugueses para nível histórico na casa dos 0,5%
Reuters

Da Grécia à Alemanha, os juros da dívida soberana dos países do euro estão a afundar esta terça-feira, 18 de junho, depois de o presidente do Banco Central Europeu (BCE) ter deixado a garantia que a autoridade monetária vai atuar com as ferramentas que forem necessárias para impulsionar a economia e estimular a inflação.

Portugal não é exceção, com os juros da dívida pública a marcarem valores nunca antes alcançados. No prazo a dez anos, a yield cai 6,2 pontos base para 0,569% - um novo mínimo histórico – enquanto no prazo a cinco anos desliza 5,5 pontos base para -0,116%, depois de ter entrado em terreno negativo pela primeira vez no passado dia 28 de maio.

Além dos juros, também o risco da dívida portuguesa – medido pelo spread face à dívida alemã – está em queda, para os 87,4 pontos, já que a descida das yields na Alemanha é ligeiramente inferior à de Portugal. Na maior economia do euro, que tem toda a sua dívida com prazos inferiores a dez anos a pagar juros negativos, a yield das obrigações no prazo de referência recua 5,8 pontos para um novo mínimo de -0,305%.

O mesmo acontece em Espanha, com os juros a dez anos a descerem 7,5 pontos para 0,446%, e na Grécia, onde a yield também marca um novo recorde com um alívio de 14,5 pontos para 2,546%.

No caso de Itália, os juros a dez anos recuam 10,8 pontos base para 2,186%, o valor mais baixo desde maio do ano passado.

Esta evolução acontece depois de o presidente do BCE, Mario Draghi, ter admitido esta manhã que o banco central poderá avançar com mais medidas de estímulo à economia, referindo que um novo corte de juros faz parte das ferramentas à disposição.

Se as perspetivas económicas não melhorarem e a inflação não recuperar, "serão necessárias medidas de estímulo adicionais", disse o presidente do BCE no seu discurso de abertura dos trabalhos do primeiro dia completo de trabalhos do 6.º Fórum do BCE, que decorre em Sintra.

 

Draghi, que marca presença no Fórum pela última vez como presidente do BCE, salientou que uma descida de juros "faz parte das ferramentas" que podem ser usadas pelo banco central, bem como um programa de compra de ativos. "Cortes adicionais nas taxas de juros e medidas de mitigação para conter quaisquer efeitos colaterais continuam a fazer parte das nossas ferramentas", reforçou o presidente do BCE.

A perspetiva de que os grandes bancos centrais teriam de reverter o processo de normalização monetária em breve já vinha contribuindo para o alívio dos juros nos países do euro, onde as restrições orçamentais e os juros de referência já em zero deixam pouca margem para atuar no caso de uma crise financeira.

Depois de Mario Drghi, hoje, amanhã será a vez de Jerome Powell, presidente da Fed, revelar a posição do banco central norte-americano, sendo que a expectativa é de que também mostrará disponibilidade para cortar os juros nos Estados Unidos e reforçar os estímulos à economia.   




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