Obrigações Economista que ligou a inversão da curva às recessões alerta para riscos no 2.º semestre de 2020

Economista que ligou a inversão da curva às recessões alerta para riscos no 2.º semestre de 2020

Arturo Estrella, o economista que estudou a ligação entre a inversão da curva de rendimentos e a probabilidade de recessões, avisou que no segundo semestre do próximo ano essa probabilidade é "muito elevada".
Economista que ligou a inversão da curva às recessões alerta para riscos no 2.º semestre de 2020
Reuters
Negócios 23 de agosto de 2019 às 09:06
A probabilidade de haver uma recessão no segundo semestre do próximo ano é "muito elevada". Quem o diz é o economista Arturo Estrella, em declarações à CNBC, que primeiro estudou a ligação entre a inversão da curva de rendimentos da dívida norte-americana e a antecipação de recessões. 

Em causa está o mercado de obrigações, o qual tem estado sob o foco dos investidores nos últimos tempos. Nas últimas duas semanas, por três vezes, os juros da dívida norte-americana a dez anos negociaram abaixo dos juros a dois anos, inversamente ao que acontece quando a economia está "saudável". Isto quer dizer que os mercados temem mais o curto prazo do que o longo prazo, sinalizando que pode estar para chegar uma recessão.

Esse acontecimento no mercado secundário de dívida pública tem sido um indicador fidedigno de recessão no passado. "Já passaram 50 anos e sete recessões com um historial perfeito", argumenta Estrella. "É impossível ter 100% de certezas sobre o futuro, mas eu diria que a probabilidade de haver uma recessão na segunda parte do próximo ano é muito elevada", antevê.

Auturo Estrella foi professor de economia no Instituto Rensselaer Polytechnic e esteve na Reserva Federal da Nova Iorque enquanto economista. Quando trabalhou na Fed, Estrella estudou o "spread" entre os juros a dez anos e a três meses como um indicador de recessão, o qual mostrou ser historicamente preciso. Nesses prazos, a inversão já ocorreu e mantém-se. 

"Aquele que dizem que as coisas vão ser diferentes desta vez estão provavelmente a contar com o facto de que demorará dois anos a se saber com certeza, portanto quem é que irá lembrar-se [dessas declarações]?", questionou o economista norte-americano.

Para Estrella há razões para estar preocupado, mas também é preciso ter vários fatores em consideração. "É preciso ver se esta inversão persiste", explica, referindo que tem de se manter por um mês ou um trimestre, e não apenas por um dia, para ser um alerta de recessão. 

O ex-economista da Fed esclareceu também que, segundo o que estudou, o mercado de obrigações tende a ser o "sinal de antecipação", demorando meses até que as bolsas vejam algum efeito.



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