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EDP emite 750 milhões em obrigações verdes e lança oferta para comprar dívida subordinada

A EDP pretende substituir dívida híbrida subordinada com maturidade em 2075, por dívida igualmente subordinada de muito longo prazo, mas verde. Esta segunda-feira emitiu 750 milhões de euros com uma taxa de juro de 1,75%.

Lusa
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 13 de Janeiro de 2020 às 09:34
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A EDP esteve esta segunda-feira no mercado a emitir dívida híbrida verde e lançou uma oferta para comprar dívida híbrida subordinada que emitiu em 2015.

Em comunicado à CMVM, a elétrica liderada por António Mexia refere que pretende "emitir uma nova série de instrumentos representativos de dívida subordinada fixed to reset com denominação em euros, sujeito a condições de mercado".


Estas obrigações híbridas verdes "não são garantidas, são sénior apenas relativamente às ações ordinárias da EDP e subordinadas às suas obrigações seniores", sendo que "as receitas da emissão serão destinadas ao portfólio de projetos 'Green' elegíveis do grupo EDP".


A emissão de dívida verde híbrida foi já concretizada esta segunda-feira, 13 de janeiro, com a elétrica a colocar 750 milhões de euros junto de investidores institucionais. Os títulos (60,5NC5,5) têm uma maturidade de 60,5 anos e possibilidade de serem reembolsados ao fim de 5,25 anos, apontou a eléctrica em novo comunicado ao mercado ao final do dia. A maturidade será atingida a 20 de julho de 2080.

De acordo com a EDP, a taxa de juro foi fixada nos 1,75% - abaixo do intervalo determinado durante a emissão (1,875% e 2%) e também abaixo do preço inicial que tinha sido fixado esta manhã entre 2,125% e 2,25%. A taxa de cupão (juro que é pago anualmente) é de 1,7%.

A descida do custo de financiamento da EDP nesta operação terá estado relacionada com a forte procura. Segundo a Bloomberg, a procura pelas obrigações verdes da elétrica atingiu 3,1 mil milhões de euros, o que se encontra mais de 4 vezes acima da oferta.

Será solicitada a admissão à negociação das obrigações no mercado oficial da Euronext Dublin, refere o comunicado da empresa liderada por António Mexia.

 

"As receitas líquidas desta emissão serão usadas para financiar ou refinanciar, no todo ou em parte, o portfólio de projetos ‘green’ elegíveis do grupo EDP tal como definido no ‘Green Bond Framework’ da EDP (…). Esta emissão permitirá estender a vida média da dívida do grupo EDP e reforçar a sua flexibilidade financeira", acrescenta.

O BNP Paribas, Banca IMI, CAIXA, Mediobanca, BCPN, MUFG, NatWest Markets, Santander e UniCredit são os bancos responsáveis pela operação.

Terceira emissão híbrida verde desde 2015 
No início de 2019 (23 de janeiro), a EDP tinha emitido mil milhões de euros em dívida híbrida verde, com uma taxa de juro de 4,5%. Estes títulos tinham na altura uma maturidade de 60,25 anos, com opção de serem reembolsados ao fim de 5,25 anos.

Desta forma, os custos de financiamento da EDP com dívida híbrida verde podem baixar para cerca de metade no espaço de um ano, o que reflete a descida acentuada das taxas de juro de mercado, mas também a cada vez maior apetência dos investidores por obrigações verdes.

Estes títulos são híbridos pois uma parte do retorno é fixa (taxa de juro) e outra é equiparada a capital. No caso dos títulos que a EDP está a emitir, a taxa de rendibilidade será fixa dos primeiros 5,5 anos, sendo depois alterada caso a empresa não avance com o reembolso em 2024. A EDP avançou com uma emissão deste género em 2015, tendo colocado 750 milhões de euros com uma "yield" associada de 5,5%

 
Oferta para comprar dívida subordinada com maturidade em 2075

Ao mesmo tempo, a EDP lançou uma oferta no mercado, para recomprar dívida híbrida emitida em 2015 com prazo de 60 anos, numa operação que está sujeita ao sucesso da colocação das obrigações verdes que estão hoje no mercado.

Estes títulos que a EDP quer agora recomprar foram emitidos em 2015, quando a elétrica colocou 750 milhões de euros em dívida híbrida, com maturidade em 2075.


"O propósito da oferta lançada em conjunto com a emissão" das obrigações verdes "é gerir proativamente os instrumentos híbridos da EDP, refere o comunicado.


Ou seja, e EDP pretende substituir dívida híbrida com maturidade muito longa, por dívida igualmente subordinada e híbrida, mas verde (o encaixe tem que ser utilizados em projetos não poluentes).   


As obrigações híbridas são títulos de dívida subordinada, que assumem algumas características de capital, sendo que a taxa de juro associada pode variar em função de vários pressupostos. 

(notícia atualizada pela última vez às 18:46 com novo comunicado da EDP sobre o fecho da operação)

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