Obrigações Emissão a dez anos com o juro mais alto desde a saída da troika

Emissão a dez anos com o juro mais alto desde a saída da troika

A primeira operação de financiamento de 2017, que incidiu sobre títulos a dez anos, teve uma taxa de 4,227%. Nas últimas emissões com maturidades semelhantes é o juro mais alto desde Fevereiro de 2014. O Estado garante já 20% do financiamento para 2017.
Emissão a dez anos com o juro mais alto desde a saída da troika
Pedro Elias
Rui Barroso 11 de janeiro de 2017 às 15:23

Portugal arrancou com o programa de financiamento com a taxa de juro mais elevada desde a saída da troika. Para se financiar em três mil milhões de euros com maturidade em Abril de 2027, o Estado pagou uma taxa de 4,227%, segundo dados da Bloomberg. A taxa de cupão desta nova linha de Obrigações do Tesouro é de 4,125%. As últimas indicações situavam a procura em 8,5 mil milhões de euros, segundo a Bloomberg, 700 milhões dos quais provenientes dos bancos que foram contratados para assegurar a operação.

 

Desde Fevereiro de 2014, ainda antes de terminar o programa de assistência financeira, que o Estado não tinha de pagar uma taxa tão elevada para se financiar a dez anos. E foi mais elevado, por exemplo, do que o juro que Portugal pagou no início de 2015 para se financiar a 30 anos (essa operação teve uma taxa de 4,131%). Já em Janeiro de 2016, para emitir quatro mil milhões de euros a dez anos, também numa operação sindicada, o juro tinha sido de 2,973%.  

 

A tendência de subida dos juros intensificou-se nos últimos meses, com as perspectivas de maior inflação a levarem a uma reavaliação global dos preços das obrigações soberanas. A dívida portuguesa foi uma das mais penalizadas, numa altura em que os bancos de investimento notam uma desaceleração das compras do BCE, ao abrigo do programa alargado de compra de activos, e em que alertam que o Eurosistema pode ter poucos títulos de dívida pública portuguesa para comprar. Além disso, nas últimas sessões, o posicionamento dos investidores para novas emissões também pressionou as taxas das obrigações portuguesas.

 

"Já se esperava uma taxa acima dos 4% e até saiu um pouco mais baixa do que se antevia, portanto não foi surpresa e, nesse sentido, correu bem. Aliás, por ser uma operação sindicada, estava garantida à partida", refere Filipe Silva, numa nota enviada às redacções. No entanto, o director da gestão de activos do Banco Carregosa, ressalva que "mas devemos realçar que a taxa saiu acima do custo médio da dívida portuguesa (que é de 3,4%), por isso, vem encarecer as condições em que o país se financia".

 

Estado garante já 20% do financiamento para 2017

 

Apesar da subida dos custos de financiamento, com a operação desta quarta-feira, o Estado garante 20% do montante pretendido em OT para o total do ano. Segundo uma apresentação a investidores feita pela agência que gere o crédito público a 4 de Janeiro, o objectivo este ano era de ir buscar aos mercados, através daquele instrumento, 15 mil milhões de euros.


Já no plano de financiamento divulgado esta semana, a entidade liderada por Cristina Casalinho, apontava para "um montante entre os 14 a 16 mil milhões de euros", obtidos" via emissão bruta de OT, combinando sindicatos e leilões, assegurando emissões mensais".

 

Com os três mil milhões de euros garantidos nesta emissão sindicada, e tendo em conta a previsão de 15 mil milhões de euros, 20% dessa meta fica garantida. Além do recurso ao mercado, através de OT, o IGCP antecipa também uma contribuição positiva de 1,5 mil milhões de euros de produtos de retalho.

A integrar o sindicato bancário desta emissão estiveram o BBVA, o HSBC, o JPMorgan, o Morgan Stanley, o Novo Banco e o Société Générale.

O Negócios esteve em directo no Facebook a dar conta dos resultados da emissão. Veja o vídeo:

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(Notícia actualizada às 15:44 com mais informação) 




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