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Estado paga mais para emitir dívida a nove anos

O Tesouro financiou-se em 1.112 milhões de euros, abaixo do montante máximo pretendido para esta operação. Mas garante 35% da meta de financiamento para este ano.

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Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 08 de Março de 2017 às 10:41
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Portugal regressou aos mercados esta quarta-feira para se financiar em títulos a três e nove anos, maturidades que são pouco comuns nas opções passadas da agência que gere o crédito público. No duplo leilão, foram colocados 1.112 milhões de euros, com a preferência a recair na linha de Obrigações do Tesouro (OT) a nove anos. O montante indicativo era de entre 1.000 e 1.250 milhões de euros.

Nos títulos com maturidade em Julho de 2026, foram colocados 612 milhões de euros, com uma taxa de 3,95%, segundo dados da Bloomberg. A última vez que o Tesouro tinha emitido a nove anos foi em Junho do ano passado, com o juro dessa operação a ter sido de 2,859%. Já no prazo a dez anos, o IGCP tinha feito no início do ano uma operação sindicada que teve uma taxa de 4,227%. Em Agosto do ano passado, para emitir OT da linha que foi esta quarta-feira a leilão, o juro saiu em 3,027%.

Já na OT com maturidade em Junho de 2020  foram colocados 500 milhões de euros, com uma taxa de 1,216%. Não é muito comum o IGCP fazer operações a envolver Obrigações do Tesouro com maturidades tão baixas. E uma das possíveis explicações para tal foi ter uma forma de gerir o custo da nova dívida emitida. Nesta linha a procura excedeu em 2,71 vezes a oferta, enquanto que na OT a nove anos esse rácio foi de 1,79 vezes.

O leilão acontece depois de terem sido pagos antecipadamente 1.700 milhões de euros ao FMI, uma tranche que tinha como maturidade o ano de 2019.

"Os resultados do leilão reflectem uma procura robusta, numa altura em que se observa alguma diminuição do risco antes dos eventos que se aproximam, como as eleições francesas em Abril e a revisão de rating da DBRS, continuando a oferecer níveis de rentabilidade atrativos aos investidores", referiu, numa nota, Marisa Cabrita, gestora de activos da Orey Financial.

Já Filipe Silva, director da gestão de activos do Banco Carregosa, refere que "os dois leilões decorreram com normalidade e sem surpresas, com os resultados em conformidade com o que o mercado secundário está a fazer". E acrescentou que "não faz sentido comparar estas taxas com as de leilões anteriores porque para estes prazos, os leilões já decorreram há muitos meses, em que a situação do mercado era diferente da que temos hoje". 

 

Estado garante 35% do financiamento através de OT

Com o leilão desta quarta-feira, o Estado já se financiou em 5.292 milhões de euros através de Obrigações do Tesouro, o principal instrumento de financiamento do Estado, desde o início do ano. Nas apresentações que tem feito aos investidores, a agência liderada por Cristina Casalinho tem sinalizado que a meta para 2017 é colocar 15.000 milhões de euros em OT. Com o leilão desta quarta-feira, fica garantida cerca de 35% da meta.

 

O objectivo do IGCP é chegar ao final do ano com 6.400 milhões de euros em tesouraria, de forma a garantir 40% das necessidades de financiamento de 2018. Além do contributo das Obrigações do Tesouro, o Estado conta ainda com a ajuda das famílias para atingir as metas de financiamento do ano. Estima que o retalho contribua, em termos líquidos, com cerca de 2.000 milhões de euros.

 

(Notícia actualizada às 12:32 com citações de analistas)

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