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Estado coloca 1.250 milhões de euros de dívida de curto prazo com juro negativo a três meses

O Tesouro colocou o montante máximo pretendido no duplo leilão de Bilhetes do Tesouro. Na maturidade mais curta, os juros continuam negativos, mas numa dimensão menor.

Pedro Elias
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 19 de Outubro de 2016 às 10:45
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A agência que gere o crédito público colocou esta quarta-feira 1.250 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a três e a 11 meses. Na maturidade mais curta foram colocados 350 milhões de euros, segundo dados do IGCP. Os juros continuam abaixo de zero a três meses, mas foram menos negativos que na última operação comparável. Já no prazo a 11 meses, foram emitidos 900 milhões de euros. A taxa ficou praticamente inalterada face ao registado em Agosto. No entanto, em Setembro Portugal tinha emitido dívida a 12 meses com juros negativos.

Nos títulos a três meses a taxa foi de -0,012%, o que compara com o juro de -0,108% obtido no leilão de 17 de Agosto. E a procura face à oferta aumentou, de 1,96 vezes para 3,43 vezes. Já nos bilhetes do Tesouro a 11 meses, a taxa foi de 0,006%, ligeiramente abaixo dos 0,007% registados há dois meses. No entanto, o rácio da procura sobre a oferta baixou de 2,31 vezes para 1,91 vezes, segundo dados da Bloomberg.

Em Agosto, o Estado tinha colocado 1.300 milhões de euros num duplo leilão a três e a 11 meses. E em Setembro emitiu 2.250 milhões de euros a seis e a 12 meses, com taxas mais baixas que as verificadas esta quarta-feira, de -0,033% e -0,014%, respectivamente.

 "No leilão de dívida de curto prazo realizado hoje pelo IGCP, sem surpresas, a "yield" exigida pelos investidores foi superior à observada nos leilões realizados no mês de Setembro", refere Marisa Cabrita. A gestora de activos da Orey Financial acrescenta, numa nota, que ao resultado do leilão "não é alheia a revisão do cenário económico apresentada na passada sexta-feira, com o Orçamento de Estado para 2017, onde o Governo estima um crescimento de 1,2% e a expectativa sobre a revisão do "rating" da República Portuguesa pela DBRS já na próxima sexta-feira.

Já Filipe Silva considera numa nota que "apesar das taxas terem subido ligeiramente face às últimas emissões de dívida, foi um ‘non event’. Esta mexida vem a acompanhar a evolução que tem havido nas taxas da dívida europeia. Até a dívida alemã, a 10 anos, subiu de taxas negativas para taxas positivas". O responsável do Banco Carregosa pelo mercado de dívida observa que não "se verificou qualquer stress sobre a proximidade da decisão da DBRS em rever ou não o "rating" da dívida da República portuguesa. Aliás, se fosse caso para isso, a dívida que mais seria afetada seria a dívida de longo prazo que até tem visto as taxas descer".

Na passada sexta-feira, o IGCP, tinha aumentado o montante indicativo da operação para entre 1.000 e 1.250 milhões de euros. A primeira indicação, constante nas linhas de actuação para o quarto trimestre era de entre 750 milhões e 1.000 milhões de euros.

A emissão de BT ocorre na véspera da reunião do BCE e dois dias antes da DBRS se pronunciar sobre o "rating" de Portugal. O Tesouro regressa às emissões de curto prazo 16 de Novembro, data em que planeia colocar entre 1.500 milhões e 1.750 milhões de euros em títulos a seis e a 12 meses. 


(Notícia actualizada às 11:14 com dados do IGCP e mais informação)

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