Obrigações EUA já falam em emitir dívida a 100 anos

EUA já falam em emitir dívida a 100 anos

O secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, diz que está a ser seriamente ponderada nos EUA a emissão de obrigações de prazo “ultra-longo”. Regressa, assim, a ideia de emitir dívida a 50 ou 100 anos.
EUA já falam em emitir dívida a 100 anos
Reuters
Carla Pedro 28 de agosto de 2019 às 22:37

As curvas de rendimento da dívida a 2 e a 10 anos continuam invertidas (com os juros da dívida norte-americana a 10 anos a negociarem abaixo dos juros a 2 anos, inversamente ao que acontece quando a economia está "saudável") – o que significa que os mercados temem mais o curto prazo do que o longo prazo, sinalizando que pode estar para chegar uma recessão.

 
Esta quarta-feira as "yields" da dívida a 30 anos também marcaram um novo mínimo histórico, nos 1,90%. E isto tem acontecido porque os investidores - perante o clima de incerteza em termos económicos, comerciais e geopolíticos - têm preferido apostar em ativos considerados mais seguros do que as ações, como é o caso das obrigações do Tesouro dos EUA (e do ouro, franco suíço, iene e bitcoin, entre outros valores-refúgio), e têm aplicado o seu dinheiro em dívida com reembolso a mais longo prazo.

Agora, o secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, veio dizer, em entrevista à Bloomberg, que está a ser seriamente ponderada pela Administração Trump a emissão de obrigações de prazo "ultra-longo", se bem que não relacione a ideia diretamente com o que se passa por estes dias no mercado da dívida - embora os juros em mínimos históricos tornem este momento oportuno para pôr a ideia em prática.

O conceito de obrigações com vencimento a 50 ou 100 anos remonta a pelo menos 2009 e recentemente voltou a ganhar adeptos no Departamento do Tesouro, salienta a agência noticiosa. 

"Para a Administração Trump, a emissão de dívida com prazos de reembolso extremamente longos limitaria o custo, para os contribuintes, de um défice que vai a caminho de 1 biliões de dólares por ano. Os fundos de pensões usufruiriam de alguns pontos extra de retorno, num contexto de queda das rendibilidades", refere ainda a Bloomberg.

Apesar do cenário atual, o secretário do Tesouro declarou que o seu renovado interesse pelas obrigações com maturidades mais longas não está relacionado com a queda das "yields" na dívida de mais curto prazo. 

Além disso, Mnuchin disse que seria prematuro comentar já a que conclusão se chegará a este respeito. "O Departamento do Tesouro está a repescar ativamente esta ideia, sendo algo que está a ser seriamente ponderado", afirmou.

EUA não tencionam intervir no dólar... pelo menos por agora

Steven Mnuchin declarou também à Bloomberg que a Administração de Donald Trump não pretende, neste momento, intervir no mercado do dólar. Mas sublinhou que preferiria que qualquer ação futura nesse sentido fosse coordenada com a Reserva Federal e os aliados internacionais.

O Departamento do Tesouro "não tem qualquer intenção de intervir nesta altura. A situação poderá mudar no futuro, mas neste momento não estamos a ponderar uma intervenção", frisou.

Recorde-se que a Administração Trump analisou possíveis medidas para travar a valorização da nota verde, o que incluía uma intervenção direta. Mas, segundo Mnuchin, tal não está previsto, pelo menos por agora.


(notícia atualizada às 23:10)



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