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Fitch corta rating da CGD para terceiro nível de lixo

Depois de a 19 de Maio ter descido a classificação do Banif, BCP, BPI e Montepio, a agência de notação financeira tomou esta sexta-feira a mesma decisão para a Caixa Geral de Depósitos.

Miguel Baltazar/Negócios
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 22 de Maio de 2015 às 16:40
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A Fitch cortou a notação da Caixa Geral de Depósitos em dois níveis, de BB+ para BB-, ou seja do primeiro para o terceiro nível de lixo – a chamada categoria especulativa. O "outlook", no entanto, melhorou de ‘negativo’ para ‘estável’.

 

Na passada terça-feira, 19 de Maio, a agência tinha já reduzido a notação de mais de 50 bancos europeus e, em Portugal, desceu a notação do Banif (em quatro níveis), BPI (um nível) e BCP e Montepio (ambos em dois níveis). Apenas o banco liderado por Fernando Ulrich ficou com uma perspectiva positiva, sendo por isso menor a probabilidade de voltar a ver o seu rating cortado num futuro próximo.

 

No relatório hoje divulgado, a Fitch sublinha que o sistema bancário português continua na via da estabilização, particularmente no que diz respeito aos indicadores de qualidade dos activos, estando gradualmente a regressar à rentabilidade.

 

Assim, a justificar os cortes anunciados pela Fitch na terça-feira e hoje estão as novas normas regulatórias da União Europeia. Ou seja, os cortes que têm sido anunciados esta semana pela Fitch para a banca não significam que estas instituições estejam agora em piores condições para honrarem o pagamento das suas dívidas. O que acontece é que a agência de rating está a fazer reflectir uma nova metodologia de avaliação da qualidade creditícia dos bancos – ou seja, a capacidade para devolverem o dinheiro que pedem emprestado, conforme explicou o El Mundo.

 

A Fitch assume, então, que os credores da banca já não podem continuar à espera que haja ajuda soberana em caso de inviabilidade de alguma instituição financeira, uma vez que essa assistência já não está garantida. E a sustentar esta revisão da metodologia estão duas regulações europeias aprovadas recentemente.

 

Por um lado, temos a directiva de Resolução e Reestruturação dos Bancos, que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2015 e que estabelece uma série de critérios para aplicar perdas sobre os credores de um banco antes de estes receberem dinheiros públicos (até agora, esses credores estavam protegidos, pois o Estado intervinha antes de os obrigar a perderem parte do investimento que tinham feito).

 

Por outro lado, a Fitch tem também em conta a norma que regula o Mecanismo Único de Resolução, que criará um "mealheiro comum" com contribuições dos próprios bancos (55.000 milhões de euros) para ser usado em posteriores crises bancárias.

 

"Segundo a Fitch, as medidas legislativas e regulatórias reduziram significativamente a probabilidade de suporte governamental para os bancos nos EUA, Suíça e UE. Esta revisão resultou na descida em 2 notches do ‘Long-term Issuer Default Rating’ da CGD de ‘BB+’ para ‘BB-’", refere a CGD em comunicado divulgado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

Depois da Fitch, também a canadiana DBRS veio dizer esta semana que deverá cortar, em Setembro, os ratings de grande parte da banca na Europa. Isto porque colocou muitas destas instituições sob revisão com implicações negativas.

 

Recorde-se que ontem a CGD apresentou os seus resultados do primeiro trimestre, tendo reportado prejuízos de 8,9 milhões de euros devido ao aumento dos encargos com o fundo de pensões. Há um ano, o banco do Estado tinha tido lucros de 22,4 milhões graças à actividade de seguros, entretanto vendida.

 

Especificamente no que respeita à CGD, a Fitch sublinha no relatório desta sexta-feira que o actual rating reflecte (além da nova assumpção de menor probabilidade de ajuda estatal) a sua fraca - se bem que em processo de melhoria - rentabilidade 'core', bem como os débeis indicadores de qualidade dos activos. "O banco está a reportar prejuízos desde 2011. Em 2014 melhorou a sua rentabilidade operacional (...) mas não foi suficiente para compensar as suas ainda elevadas provisões para imparidades", salienta a agência de notação financeira. 

 

(notícia actualizada às 17h16)

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