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Fitch corta rating do Brasil para segundo nível de "lixo"

A agência de notação financeira anunciou uma nova descida na classificação da dívida soberana de longo prazo do Brasil. Depois de em Dezembro ter colocado a dívida do Brasil num patamar de investimento especulativo, esta quinta-feira baixou-a em mais um nível.


Uma das principais características da inversão do caminho que estava a ser seguido pelos mercados emergentes foi a redução dos défices de conta corrente de alguns países mais frágeis. No seu World Economic Outlook de outubro de 2017, o FMI indicou que espera melhorias nos saldos das contas correntes do Brasil, Colômbia, México, Peru, Cazaquistão, África do Sul, Ucrânia e Indonésia. Estamos com sobreponderação de acções dos mercados emergentes nas nossas carteiras de activos múltiplos e acreditamos que tanto a desvalorização do dólar como a melhoria dos dados macroeconómicos a nível interno serão os principais pilares dos retornos dos mercados emergentes em 2018.
Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 05 de Maio de 2016 às 23:58
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A Fitch cortou a dívida soberana brasileira em um nível, de BB+ para BB, que corresponde ao segundo grau de "lixo" – recaindo assim na categoria de investimento especulativo.

 

Depois de a 16 de Dezembro ter decidido colocar o Brasil nesta categoria de "junk", esta quinta-feira, 5 de Maio, a Fitch agravou em mais um nível o patamar de avaliação da dívida daquele país – que está a passar por uma convulsão política, num contexto agravado pelas vastas investigações a casos de corrupção.

Além do corte de rating, a Fitch manteve o "outlook" negativo, o que significa que, nos próximos três meses, poderá vir a cortar de novo a notação financeira da dívida soberana do Brasil.

 

O nível de BB para o rating do Brasil ficou assim equiparado às notações atribuídas pela Moody’s e pela Standard & Poors – a mesma avaliação que países como a Croácia, Bolívia, Paraguai e Guatemala.

 

A justificar este novo "downgrade", a Fitch aponta para a recessão "mais profunda do que o antecipado" e para a instabilidade política que se vive no Brasil.

O Brasil, conforme recorda a Bloomberg, está actualmente confrontado com a sua pior recessão do último século, além de estar a assistir a investigações de forte corrupção, não tendo assim o Congresso aprovado medidas de revitalização do crescimento e de reforço do orçamento.

 

A incapacidade de estabilizar o panorama das finanças públicas e o impasse político [numa altura em que a presidente Dilma Rousseff enfrenta um processo de destituição, que já está nas mãos do Senado] estão a travar quaisquer possíveis melhorias na confiança, refere a Fitch. 

"A contínua e profunda contracção económica reflecte o elevado grau de incerteza política, a queda da confiança, a deterioração dos mercados de trabalho e fortes ventos contrários provenientes do exterior", sublinham os analistas da Fitch no seu relatório sobre o Brasil.

 

Nem o Ministério das Finanças nem o banco central do país quiseram comentar este corte de rating, sublinhou e Bloomberg.

 

A Fitch, recorde-se, estima que a economia brasileira registe uma contracção de 3,8% este ano, para depois crescer 0,5% em 2017. Já a dívida pública deverá atingir, pelas projecções desta agência, perto de 80% do PIB do Brasil em 2017 – o que o torna num dos países mais endividados entre aqueles cuja notação da dívida soberana está em BB, destaca a agência.

 

No passado mês de Fevereiro, tinha sido a Moody’s a colocar a dívida soberana do Brasil no "lixo". E foi directamente para o segundo nível. A S&P já tinha tomado essa decisão em Setembro passado, quando cortou a notação do Brasil para o primeiro nível de "junk" – tendo-a descido em mais um "notch" em Fevereiro deste ano.


(notícia actualizada pela última vez à 01:11 de sexta-feira, 6 de Maio)

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