Obrigações Grécia emite dívida com juros negativos pela primeira vez

Grécia emite dívida com juros negativos pela primeira vez

O governo grego emitiu dívida a três meses com uma taxa de juro abaixo de zero, numa emissão com grande procura. Esta é a primeira vez que Atenas se consegue financiar com juros negativos.
Grécia emite dívida com juros negativos pela primeira vez
Rita Faria 09 de outubro de 2019 às 11:28

É um novo marco histórico para a Grécia: esta quarta-feira, pela primeira vez, o país emitiu dívida com juros negativos, o que significa que os investidores aceitaram financiar o governo sem qualquer rendibilidade.

De acordo com os dados da agência que gere a dívida pública da Grécia, o país emitiu 487,5 milhões de euros em títulos a três meses, com uma taxa de juro de -0,02%. Nesta emissão, a oferta alcançou os 1,018 mil milhões de euros, pelo que a procura superou a oferta em 2,71 vezes.

Na última emissão comparável, a taxa de juro foi fixada em 0,10% e o rácio da procura em relação à oferta foi de 1,59.

O governo está assim a tirar partido da descida dos juros para mínimos, uma tendência que se acentuou na Zona Euro depois de o Banco Central Europeu ter anunciado novos estímulos à economia, em setembro, incluindo um novo corte dos juros dos depósitos e um novo programa de compra de ativos.

Esse anúncio de novos estímulos, juntamente com o programa de 9 mil milhões de euros lançado pelo governo de Atenas para ajudar a banca, levaram os juros da dívida soberana do país para novos mínimos, no mercado secundário, no passado dia 23 de setembro, altura em que a yield a dez anos tocou nos 1,314%, o valor mais baixo de sempre. Nesta altura, os juros das obrigações a dez anos descem 0,3 pontos para 1,413%.

À semelhança do que se tem verificado na generalidade dos países do euro, as obrigações gregas têm subido de forma substancial este ano, com o país a recuperar da crise de dívida e os investidores a tirarem partido dos retornos relativamente elevados em comparação com a quantidade de dívida com rendimento negativo na Europa.

"As perspetivas para os periféricos já estão a melhorar e a Grécia é a mais barata de todas as obrigações de governos europeus", disse à Bloomberg Ciaran O'Hagan, estratega do Société Générale.

O governo de Atenas prevê atingir um crescimento de 2,8% em 2020, que encaminharia o país para o cumprimento das metas orçamentais acordadas com os credores. Contudo, esse objetivo é visto como excessivamente otimista, acima das estimativas dos organismos internacionais.

O Executivo liderado por Kyriakos Mitsotakis, por seu lado, mantém-se confiante na projeção e está nesta altura em negociações com a União Europeia sobre o orçamento do próximo ano, que deverá ficar fechado até 15 de outubro.  




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